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quinta-feira, 4 de maio de 2017

Nós



Lançado em luxuosa edição de capa dura pela Editora Aleph, Nós, de Ievgueni Zamiatin, é a distopia original que inspirou tanto Admirável Mundo Novo de Huxley quanto o 1984 de Orwell.


A capa e o projeto gráfico são do sempre genial Pedro Inoue, com diagramação de Guilherme Xavier. A edição, em capa dura, tem miolo impresso em duas cores, e acabamento com pintura negra na lombada (clique nas imagens para ampliar).











segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Star Wars pela Aleph

Relançados pela editora Aleph no Brasil desde 2014, as edições brasileiras dos livros de universo expandido e spin-off de Star Wars ganharam por aqui capas novas, com ilustrações produzidas especialmente para as edições brasileiras por diversos artistas, como Marc Simonetti, Chris McGrath, Dave Palumbo e o estúdio Two Dots (responsável pela arte de capa de jogos como Assassins's Creed e FarCry, e que já havia produzido a ilustração para a capa da novelização de Alien), .

Arte original criada pelo estúdio Two Dots (clique para ampliar)
Com a venda de Star Wars para a Disney, todo o antigo universo expandido de jogos e livros envolvendo a série de filmes deixou de ser considerado para fins de cronologia. Mas algumas obras se tornaram tão populares que não poderiam simplesmente ser ignoradas, e assim passaram a ser classificadas sobre o selo Legends, que abraça o universo expandido pré-Disney.

Comparação entre a edição americana (esquerda) e brasileira (direita) de Herdeiro do Jedi, de Kevin Hearne
Sob essse selo, inclui-se títulos como os livros da Trilogia Thrawn, de Timothy Zahn (que ganhou arte de Marc Simonetti), ou Sombras do Império, de Steve Perry (arte de Mark Molnar), enquanto que os livros novos como Herdeiros do Jedi (Two Dotsnão possuem o selo, indicando que fazem parte da nova cronologia.

Arte das edições brasileiras da Trilogia Thrawn, feitas por Marc Simonetti (na parte superior). com as capas americanas (na parte inferior)  (clique para ampliar).
Arte de Marc Simonetti para o box com da trilogia, pela Aleph.
A qualidade das ilustrações das capas brasileiras produzidas pela Aleph impressionaram até os autores das edições originais. Troy Dennings, autor de Provação, a considerou como "talvez a melhor capa que já tive num livro meu". Já Kevin Hearne, autor de Herdeiros do Jedi, teve uma reação um pouco mais histérica:

Artes de Mark Molnar (Sombras do Império), Chris McGrath (Kenobi) e Dave Palumbo (Han Solo) para as edições brasileiras, em comparação com as edições originais americanas (embaixo). Clique para ampliar.
A diagramação interna também ganhou um novo tratamento, no trabalho de Guilherme Xavier, do estúdio Desenho Editorial, que criou páginas de abertura que emulam a transição cinematográfica dos filmes. Segund o próprio, "tanto os abres de capítulo quando a abertura do livro são dois pontos essenciais para comunicar ao leitor a identidade que você quer passar, Tentamos nos livros de STAR WARS alinhar o design ao texto e passar o sentimento de você estar naquele universo. Tanto a abertura com a explosão quando o destróier calmamente no espaço passa aos leitores esse sentimento, remetendo inclusive a trilha sonora do John Williams".

Abaixo, a "sequência de abertura" de Herdeiros do Império.








"Foi uma forma de aliar também um produto aparentemente mais luxuoso com um custo baixo de produção", diz Xavier. "Tivemos essa ideia das duplas com o trecho inicial do capítulo para os livros do Timothy Zahn porque seus primeiro parágrafos eram sempre incríveis e faziam com que o leitor quisesse ler mais".

Abaixo, as páginas de abertura de Provação.






"Para os livros seguintes acabamos adaptando essa identidade do miolo para que dialogasse com cada um, seja as ilustrações, a necessidade de aberturas diferenciadas e mesmo o fundo da 'explosão'."

Guilherme Xavier é diretor de arte há mais de 15 anos, fundou o estúdio Desenho Editorial em 2006 e desde então desenvolve capas e projetos gráficos para editoras.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Forrest Gump

Forrest Gump
Autor: Winston Groom
Designer: Pedro Inoue (capa e projeto gráfico) e Guilherme Xavier/Desenho Editorial (miolo)
Ilustrações: Rafael Coutinho
Editora: Aleph

Nunca deixo de ficar surpreso que tanta gente não saiba que Forrest Gump, o filme de 1994 vencedor do Oscar, seja baseado num livro. Fora de catálogo há varios anos no Brasil, o livro de Winston Groom (que, diga-se de passagem, detestava o filme), ganhou uma edição especial comemorativa de 30 anos pela editora Aleph, com o mesmo apuro gráfico que se tornou característico da editora, em edições como a dos 50 anos de Laranja MecânicaA capa e projeto gráfico são de autoria do designer Pedro Inoue, com diagramação de miolo de Guilherme Xavier, do estúdio Desenho Editorial. O miolo contém 10 ilustrações de Rafael Coutinho.


A edição especial tem acabamento em capa dura e o diferencial bem bacana de uma capa dupla-face: com impressão dos dois lados, permite ao leitor escolher seu design favorito. O livro conta ainda cmo um um ensaio comparando o livro à sua adaptação cinematográfica, feito pela professora francesa Isabelle Roblin.


Isso tudo, somado ao miolo em duas cores (um vermelho-rosado vibrante, impossível de reproduzir aqui na tela do computador) fez do projeto de modo geral um desafio em termos de produção gráfica. Conversei com Daniel Lameira, editor da Aleph, justamente sobre essas dificuldades, e como elas foram contornadas.

"O maior trabalho foi fazer tudo combinar. O Pedro Inoue pensou o lettering do miolo, mas não tinha tempo pra executar, e eu queria que as ilustrações se expandissem para as paginas com a frase. Nisso foram muitas idas e voltas para encaixar o lettering, feito por outro designer seguindo a orientação do pedro, na ilustração expandida do Rafael Coutinho".

Isso sem contar que são dois pantones e fizemos uma terceira cor com a sobreposição dos pantones. As partes que queríamos as cores mais claras fizemos reticulagem. Tudo isso no papel pólen. Ou seja, teve que testar a influência do tom amarelo. O grande medo era o verso das páginas com ilustração, se daria transparência por estarmos fazendo no pólen 80 soft. Fizemos um teste no 90 bold mas a aspereza do papel tirou um pouco dos detalhes das ilustrações do Coutinho".


Lameira também lembra que a ideia da capa com duas possibilidades levanta algumas questões e decisões específicas: com a ideia de mandar aleatoriamente para as livrarias, qual das duas se escolhe para cadastrar no site? Quantos leitores vão reclamar que queriam a outra capa, antes de se darem conta de que é só inverter a sobrecapa? "Sem entrar no mérito da tradução, que o Forrest fala errado. Como traduzir erros, como 'rihgt'. A solução é adaptar, porque não é erro de burrice, nem de sotaque interiorano. Então transferimos o mesmo tipo de erro. Mas era mais dificil, porque eram erros que em inglês nao influenciava tanto na fala, entao em português acho que diminuímos um pouco as ocorrências. Mas tem 'augum', 'andano', coisas assim".





Sobre a recepção do público ao livro, Lameira diz que tem sido boa, muito em parte pelo projeto gráfico e a capa "dupla face", "mas também em elevar o Forrest, visto por muitos ainda como um bom filme do cinema contemporâneo, ao patamar de clássico da literatura. Um dos grandes motes da edição foi respeitar a obra original e o autor, que não gosta do filme, por isso as ilustrações diferem do filme, a nota do editor e posfácio também se focam nisso".
O livro foi lançado em novembro de 2016.


segunda-feira, 18 de julho de 2016

Mundo Perdido

Design de Pedro Inoue (capa) e Guilherme Xavier/Desenho Editorial (miolo).

Mundo Perdido
Autor: Michael Crichton
Designer: Pedro Inoue (capa) e Guilherme Xavier/Desenho Editorial (miolo)
Editora: Aleph
Fonte: desenhada para estas edição (capa), Story Brush (miolo).


Dando continuidade ao lançamento, no ano passado, do clássico de ficção científica Jurassic Park de Michael Crichton, a editora Aleph lançou este ano a continuação, O Mundo Perdido (também adaptada aos cinemas por Steven Spielberg em 1998). O projeto gráfico é uma continuidade da linha gráfica já desenvolvida anteriormente tanto na capa (cujo designer Pedro Inoue foi entrevistado por esse blog, na ocasião do lançamento de Jurassic Park), quando no miolo, desenvolvido por Guilherme Xavier, do estúdio Desenho Editorial.



Uma particularidade do conjunto formado pelos dois livros é que, assim como muitas obras que já foram adaptadas para o cinema, a iconografia do filme as vezes é tão marcante que pode limitar o trabalho do designer. No caso de Jurassic Park, há ainda o detalhe de que a capa original da edição americana de 1989, criada por Chip Kidd (do qual falei neste outro post) se tornou tão icônica, que acabou sendo absorvida pelo marketing do próprio filme pouco tempo depois, de lá para cá se tornando uma das marcas mais conhecidas dos anos noventa.



Curiosamente, o mesmo aconteceu com a capa da primeira edição do Mundo Perdido de Crichton, também criada por Kidd. Trabalhando sobre o desenho do esqueleto de tiranossauro criado por ele próprio, Kidd e os editores da Alfred A. Knopf, confiantes de que o primeiro livro (e o filme) já se tornavam tão conhecidos que, comercialmente, não seria necessário muito para apresentar a continuação, resumiram a sinopse em apenas três palavras: SOMETHING HAS SURVIVED. Para surpresa de Kidd, quando do lançamento do primeiro trailer e cartazes de O Mundo Perdido, a tagline da continuação, tão marcante quanto o logo do primeiro livro, foi também incorporada ao marketing do filme.

Contracapa e capa da primeira edição americana, por Chip Kidd 
Coloco isso aqui para ressaltar a qualidade do projeto gráfico desenvolvido pela Aleph (e, numa nota pessoal, digo isso com a propriedade de um aficionado por Jurassic Park que coleciona diversas edições do mesmo livro). Apesar de toda a pesada bagagem iconográfica da franquia, as edições brasileiras conseguiram algo que nenhuma editora estrangeira conseguiu alcançar até agora: dar uma personalidade própria aos livros, ressaltando suas existências enquanto obras literárias independentes dos filmes que os adaptaram posteriormente.

Abaixo, uma rápida entrevista com Guilherme Xavier, do estúdio Desenho Editorial, sobre o projeto gráfico do miolo de Mundo Perdido.


Como é a dinâmica entre o trabalho do capista e a diagramação do miolo, feita por vocês? O que vem primeiro, como um se sintoniza com o trabalho do outro, etc?
Neste projeto, o trabalho foi feito em paralelo, o que exige um direcionamento dos editores para ficarem com o mesmo tom. Enquanto o Pedro desenvolvia a capa, nós trabalhávamos no projeto gráfico. É comum acontecerem pequenos ajustes para as duas criações conversarem. Em outros projetos, pode acontecer de maneira diferente, como usar elementos da capa para aplicar no projeto.


Vocês trabalham com livros com uma carga iconográfica pop bastante forte (Aliens, Star Wars, Jurassic Park), mas uma das coisas que se destaca no projeto gráfico tanto de Jurassic Park quanto de Mundo Perdido é o quanto eles parecem originais e novos comparados com tudo o que já foi feito antes. Como é essa relação com o material, até onde vocês acham que devem ficar reverentes à iconografia original, ou criar algo novo? Isso é algo que é combinado com a editora? No caso de Mundo Perdido e Jurassic Park, como foi esse processo?
O grande desafio é redesenhar esse universo específico de uma maneira fresca, mas mantendo o link com o original. O leitor precisa saber instintivamente o que aquela peça está comunicando, não há tempo para uma adaptação ou introdução sobre o que está sendo discutindo ali. Existem editoras que preferem apostar no lugar-comum, até subestimando um pouco a capacidade de abstração do leitor e focando no comercial. Felizmente, nos livros do Michael Crichton, a editora Aleph me pediu que o projeto gráfico fosse diferente do que já existia. Avesso às tipologias originais que estão datadas (mas tiveram sua relevância na época) e as referências visuais dos filmes de Spielberg. Como ponto de partida, idealizamos o ambiente em que os dinossauros viviam e o clima que a narrativa nos leva. Depois me muita pesquisa e alguns testes, achamos o caminho para criar essa identidade e a partir daí se desdobra todos os elementos do projeto.


Como foram produzidas as artes internas? O lettering do título interno foi criado especialmente para o livro?
No início, pensamos em trabalhar com papel rasgado e os desdobramentos gráficos disso. Chegamos a fazer alguns testes, rasgando diferentes papéis e depois fotografando. O resultado não foi o esperado e começamos a fazer outros testes com brushes e texturas. Dessa vez, gostamos bastante. A produtividade ganhou muito também, e pudemos extender o projeto para outras páginas além do rosto e aberturas de capítulos. Todas as páginas em que há interferências, elas são únicas e diferentes. As artes internas foram aperfeiçoadas no desenvolvimento do projeto, ora inserindo outros elementos, ora brincando só com os elementos tipográficos. E, sim, o leterring do título foi criado especialmente para esse livro.


Quais as fontes utilizadas, e porque elas foram escolhidas?
Procurei trabalhar com fontes de impacto, ácidas e marcantes. Usei a Story Brush da typefoundry Majestype. Foi um ótimo achado, era exatamente o que buscava.


Houve alguma dificuldade técnica específica que precisou ser contornada?
A maior dificuldade, e uma das poucas exigências do editorial, foi aplicar as ilustrações de aberturas de capítulo do livro original. Isso aconteceu nos dois livros do Crichton, tanto no Jurassic Park quanto no O mundo perdido. São imagens que mostram a progressão da curva fractal durante os capítulos. Como eram publicações antigas, e só tínhamos a edição impressa de época como fonte, as imagens estavam muito reticuladas. Tão reticuladas, que conforme as configurações ficavam mais complexas era muito difícil entender como era a imagem original que queriam reproduzir. Isso nos impedia de utilizar a saída mais simples que seria digitalizar as imagens. Elas têm muitos detalhes e formatos diferentes. No primeiro livro, o módulo é mais claro. Já no segundo, as imagens pareciam desconexas entre si. Tentamos achar alguma informação sobre o significado delas e também foi difícil, apenas especulações de fãs em fóruns. Recriamos todas as imagens, lembro-me que em uma delas usamos cerca de 700 formatos. Foi trabalhoso mas conseguimos um resultado muito superior do que as imagens digitalizadas do livro original.


Guilherme Xavier é diretor de arte há mais de 15 anos, fundou o estúdio Desenho Editorial em 2006 e desde então desenvolve capas e projetos gráficos para editoras.

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