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sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Telegraph Avenue

O último livro de Michael Chabon lida com vários personagens no norte da Califórnia cujas paixões giram em torno de música e filmes, girando em torno de uma loja de discos que enfrenta a concorrência de uma grande megastore que acaba de se mudar pro bairro, e outro personagem que insiste em viver como um astro de filmes blaxpoitation dos anos setenta.

O design do livro, de  Leah Carlson-Stanisic, captura bem essa vibe disco, principalmente pela tipografia. Um detalhe interessante: as "faixas" do vinil vermelho são as cinco partes do livro.


Já na contracapa, as faixas do "lado b" são na realidade os típicos blurbs de contracapa (a legenda relacionando a frase ao veículo vem abaixo, na borda.


Mas, tão interessantes quanto a versão final, são as versões não-aprovadas, feitas pelo designer will staehle.





quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Chabon, Kavalier & Clay

Michael Chabon é um autor de sorte, no que tange o tratamento gráfico que seus livros geramente recebem lá fora. As Incríveis Aventuras de Kavalier & Clay, um épico sobre o surgimento da indústria dos quadrinhos na Nova York dos anos trinta (e, a constar, um dos meus três livros favoritos de todos os tempos), já passou pelas mãos de alguns dos melhores designers disponíveis e ganhou mais uma capa nova, por Will Staehle.


A versão final difere um pouco nas cores da que foi disponibilizada no site do designer, que incluiu também as versões rejeitadas pela editora (clique para ampliar)..





Embora eu tenha achado o resultado final bacana, tenho que concordar com o que o próprio designer colocou em seu site: a capa da edição paperback americana (criada por Henry Sene Yee) é imbatível.

Nota pessoal: único caso (por enquanto) em que comprei um livro duas vezes apenas para ter a versão com a capa mais bonita na minha estante.

A adaptação para o cinema (que está, há anos, nas mãos de Stephen Daldry) já virou lenda urbana, resta torcer para que os boatos (e a última atualização no Imdb) de uma adaptação para o formato de minissérie, ao menos, se confirmem. Um teste de produção, feito na época em que o filme quase aconteceu, caiu na web alguns anos atrás.

The Escapist v.s. The Iron Gauntlet from Jamie Caliri on Vimeo.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Criando o visual do livrão best-seller

Este ensaio do jornalista Field Maloney para o New York Times é já bem antigo (Next, do Crichton, foi lançado em 2006), mas se mantém válido para entender algumas particularidades do design editorial dos grandes best-sellers americanos, que geralmente chegam ao Brasil com o mesmo design de capa, já que, em muitos casos, o marketing desses livros funciona em escala mundial.
Coloco aqui uma imagem do artigo original, e uma tradução apressada feita por mim, logo abaixo.



Topo:
Como você cria a capa de um livro que precisa, para recuperar o investimento do editor, vender centenas de milhares de cópias – e as vezes, mais de um milhão? Com muito cuidado, é claro: livros são julgados pela capa. “Com ficção você tem apenas o milésimo de um segundo para que o leitor decida se um livro parece interessante”, diz Zan Farr, comprador da Borders
Durante os últimos 30 anos, para autores blockbusters como Dean Koontz e Danielle Steel à Joan Didion e John Cheever, floresceu todo um estilo de design chamado “o visual de livrão”. Seus elementos principais são o nome de autor grande, um título grande e, então, uma pequena imagem icônica. O objetivo é fazer o livro “saltar” na prateleira, torná-lo mais “destacado e vibrante”, nas palavras de Jonathan Burnham, publisher da Harper Collins.
“ Um best seller pode se parecer com qualquer coisa”, diz Chip Kidd, capista da Alfred A. Knopf. “ Você pode criar o design de um livrão e e faze-lo parecer incrivelmente elegante ou faze-lo parecer com um Camaro. Abaixo, o pensamento por trás de algumas capas recentes de best-sellers.


Esquerda:
O momento “ahá!”
Jonathan Burnham, da HarperCollins: “Entreguei o livro para nosso designer Will Staejle ler no final de semana. Ele veio na segunda-feira pela manhã com essa imagem: um macaco preso em uma jaula que é na realidade um código de barras. O tema dominante do livro é a venda de material genético – ciência à venda. Isso resolveu a coisa toda em uma única imagem forte.

Truque esperto, mas frustrado
HarperCollins tentou fazer com que este código de barras funcionasse como o próprio ISBN do livro – em outras palavras, que o design da capa servisse como código de barras real. Infelizmente, o departamento de marketing não gostou da idéia. “Nos disseram que o pessoal das lojas ficaria confuso. Eles não saberiam onde passar o livro no leitor ótico”.

Herança Jurássica
“Jurassic Park”, sucesso de 1990 de Crichton, tinha a silhueta de ossos de dinossauro sobre um fundo branco, com o nome de Crichton em grandes letras vermelhas. O eco aqui não é acidental. Como disse Rodrigo Corral, outrora diretor de arte para a Doubleday, “se você está trabalhando para um autor best-seller, você basicamente segue um modelo”.

Direita:
Folheado!
Johnathan Burnham: “a maioria das sobrecapas são combinações de tintas e laminados. A sobrecapa é toda laminada. Isto foi para fazer com que realmente saltasse aos olhos e vibrasse contra o branco. Estamos jogando com o lugar-comum de se usar laminado metálico para ficção comercial, mas este possui um aspecto mais contemporâneo, mais incisivo. Além do mais, o uso do laminado inteiro dá a capa um aspecto mais high-tech.”

Intervenção autoral
Burnham diz que Crichton, que se envolvia bastante com o design da capa, veio com a idéia de fazer o X em “Next” vermelho. “Isso realmente acrescenta algo, embora seja difícil explicar o quê.”

Cozinheiros demais?
O diretor de arte de uma grande editora, que concordou em falar sobre o tema sob a condição de anonimato por medo de perder grandes contas, lamenta: “em cada grande capa há milhões de opiniões... você tem o editor e o editor-chefe e o publisher, e você mostra para o autor e ele está OK com isso. Então é como uma conferência de vendas, com todo mundo opinando. Você tem o pessoal do marketing. A sobrecapa precisa ter a benção dos compradores-chave, especialmente Sesalee Hensley,” comprador de ficção da Barnes & Nobles. Jonathan Burnham afirma que os compradores não tomaram parte no processo de decisão para esta capa. “Editores tendem a mostrar capas à Sessalee de livros quando são novos autores ou quando é um título onde o conselho de Sessalee pode ser útil para posicioná-lo”. (Hensley não quis ser entrevistado para este artigo.)


Embaixo:
Partes de corpos!
Uma passada pela sessão de ficção um dia desses revelou um bocado de capas mostrando pernas e pés (em banheiras, em capas, de salto altos), mãos, olhos, lábios – mas poucas figuras humanas inteiramente visíveis. A sobrecapa para Sua Alteza Real, de Danielle Steel, mostra um rosto inteiro mas ainda assim deixa alguma coisa para a imaginação: o rosto da mulher contra o fundo branco tem uma beleza neutra e lavada que faz com que ela se pareça mais genérica do que específica.

O fim do agarrão*?
Essa sobrecapa retoma um visual que era popular nos anos 70,’ diz Irwyn Applebaum, editor da Delacorte, que publica Steel. Também evita “o agarrão”, o abraço esfumaçado que foi gradualmente desaparecendo das capas de romances por anos. Alguns editores, porém, começaram a usar uma “capa com um pé-atrás”: uma sobrecapa ao estilo Grande Livro com uma ilustração do agarrão na parte interna – espartilhos arrebentando-se mas sem a vergonha.

Mais do que assustador?
Esta capa de Stephen King, para um livro que é tanto história de amor quanto de horror, distancia-se de suas capas recentes, que apenas diziam bruscamente “tenha medo!” John Fulbrook III, diretor de arte para a Scribner e designer das últimas cinco capas de King, diz: “Eu queria que essa capa se destacasse... é um King mais elevado per se. Eu queria fundir uma capa mais comercial com uma capa mais literária.”

* "The Clench", em inglês, refere-se aquelas capas de romances ao estilo Júlia, Sabrina e Bianca, geralmente com um homem musculoso e lustroso abraçando de modo dramático uma heroína em roupas de época. Não sei se existe um termo equivalente.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Post inaugural

Esse novo blog surgiu da vontade de ter um espaço pra comentar sobre design de livros e capas. Quem me conhece, sabe que essa tem sido uma paixão pessoal e profissional desde o meu primeiro dia de carreira, como estagiário na Agência Experimental da PUCRS, fazendo capas para a editora da universidade, até o momento em que, junto com outros cinco amigos, demos início numa editora própria e independente, a Não Editora, onde volta e meia desenvolvo a capa de alguns dos lançamentos.

Pretendo atualizar esse blog com mais frequência do que atualizo meu blog pessoal, de preferência de dois em dois dias. Vamos ver como as coisas se saem. Pra começar, semana passada foi lançado o novo livro de ensaios de um dos meus autores favoritos, Michael Chabon, com o ótimo título de Manhood for Amateurs: The Pleasures and Regrets of a Husband, Father, and Son. O design é de Will Staehle (willstaehle.com), do estúdio Lone Wolf/Black Sheep, para a Harper Collins. Staehle já havia feito a capa do livro anterior de Chabon, The Yiddish Policeman Union. Sabe-se lá se um dia será publicado no Brasil (livro de ensaios por livro de ensaios, antes desse Chabon lançou também o excelente Maps & Legends, pela McSweeney`s).



Atualizando: total falta minha: o pai da idéia desse blog foi o Guilherme Smee, que eventualmente, aparecerá por aqui como colaborador, comentando capas de quadrinhos.

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