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segunda-feira, 20 de junho de 2016

Decameron

Design de Tereza Bettinardi e Elaine Ramos





Decameron: 10 novelas selecionadas
Autor: Giovanni Boccaccio, Maurício Santana Dias (organizador)
Designer: Tereza Bettinardi e Elaine Ramos
Ilustrações: Alex Cerveny
Editora: Cosac Naify
Fontes: Vendetta e Fakt
Acabamento: capa dura, hoststamping, não refilado

frente e verso do livro (clique para ampliar)
O Decameron (ou Decamerão, se preferir) de Giovanni Boccaccio, foi escrito em meados do século XIV, quando a Itália se recuperava da peste negra. Estabelecendo o padrão para o que viria a ser o conto ficcional, reúne cem narrativas contadas por sete damas e três cavalheiros que, a fim de escapar da peste, se recolhem numa vila senhoril e, para passar o tempo e celebrar a vida, narram histórias uns aos outros. Esta edição especial lançada pela extinta Cosac Naify (mas que ainda se encontra em alguns sites como a Amazon) foi feita para celebrar os 700 anos do nascimento do autor, reunindo dez novelas, traduzidas e prefaciadas por Maurício Santana Dias, todas ilustradas por Alex Cerveny. Além disso, reproduz páginas de manuscritos iluminados por Boccaccio, que também foi um exímio copista.
O projeto gráfico, vencedor do Prêmio Jabuti, é da designer Tereza Bettinardi. Abaixo, conversei com ela sobre como foi o processo criativo desse livro.
guardas do livro
Como foi o processo criativo para essa edição do Decameron? Como foi definido o formato do livro, por exemplo?
Desde as primeiras conversas sobre este livro, era claro que era necessário tornar esta edição um objeto especial: seria lançada no aniversário de 700 anos de Giovanni Boccaccio. Já no final de 2012, já na primeira reunião com o tradutor e organizador Maurício Santana Dias, uma pista: Boccaccio também foi um exímio copista. Dois manuscritos comprovam esta informação: o primeiro, localizado na Biblioteca Nacional de Paris, com ilustrações a bico de pena; e o segundo, em Berlim, inteiramente transcrito e ilustrado com pequenas vinhetas pelo autor.
Páginas iniciais em papel White Royal 120gr, com reprodução do original digitalizado
Semanas depois daquela primeira conversa, tive a oportunidade de visitar a biblioteca em Berlim e me incubi de uma missão muito especial: ver pessoalmente um daqueles manuscritos citados pelo Maurício. Infelizmente, devido ao estado de conservação (também pudera, é datado de 1370!), o acesso só é liberado a pesquisadores. Só me restou a edição fac-similar. Fiquei muito encantada com os detalhes (além das capitulares ornamentadas, Boccaccio também inseria ao pé de algumas páginas pequenas vinhetas com desenhos dos narradores) e o tamanho do livro também me impressionou: era grande!

O livro foi feito em conjunto com Elaine Ramos e já na primeira reunião após a leitura das novelas selecionadas, tínhamos uma certeza: a extraordinária minúcia das descrições de Boccaccio pedia um livro ilustrado por alguém capaz de trazer a riqueza de detalhes. O artista paulistano Alex Cerveny aceitou o desafio. A intenção não foi fazer um revival histórico, mas, ao contrário, fazer uma homenagem contemporânea à tradição do livro medieval. A escolha pelo formato seguiu este princípio – lembro inclusive, de pesquisarmos um artigo seminal do designer de livros Jan Tschichold sobre os cânones de construção da página dos livros medievais.

Porque a escolha do livro não ter parágrafos, mas utilizar pequenas ilustrações? Seria uma referência às edições medievais?
Sim. A composição do texto foi um capítulo a parte. Já que a mancha de texto iria ter como princípio o cânone medieval, o próximo passo foi justamente definir que não teríamos recuo entre parágrafos mas sim um pequeno ornamento desenhado por Alex – ganharíamos, assim, uma mancha de texto mais coesa. A decisão de compor o texto em duas colunas foi definida depois de diversos testes – principalmente depois de garantir que a relação entre o tamanho da fonte, a largura da coluna e a entrelinha ofereciam uma leitura confortável. Pouco convencional nos livros atuais, a opção em duas colunas também oferecia mais possibilidade de ornamentação. 
A tipografia utilizada foi a Vendetta, desenhada por John Downer e distribuída pela Emigre em 1999. O desenho desta tipografia mescla as formas tipográficas do início do renascimento com as preocupações da tipografia contemporânea, como, por exemplo, a exibição ideal de letras na tela do computador. A outra tipografia utilizada foi a Fakt, uma sem serifa humanista desenhada por Thomas Thiemich e distribuida pela OurType.

Como foi o processo entre o design e o ilustrador, principalmente em função dos parágrafos e das pequenas intervenções que os desenhos fazem no texto?
Ao longo de doze semanas, entre abril e junho de 2013, o livro tomava forma. O primeiro passo foi a marcação das cenas para determinar o espaço das ilustrações. A ideia é que todos os espaços da página deveriam ser preenchidos, por texto ou imagem. Uma prova de revisão com os espaços em branco foi enviada para o artista que preenchia as 96 páginas com pequenas vinhetas e ornamentos que foram posteriormente digitalizadas e tratadas. Já as ilustrações foram feitos em papel especial. Outro aspecto interessante do projeto foi o tratamento dado aos títulos das novelas e número de página – que muitas vezes foram invadidos pela ilustração – e cuja intenção era que fossem o mais discretos possível.

Houve alguma dificuldade técnica de produção para esse livro?
O livro foi impresso na China, o que possibilitou que tivéssemos mais recursos de produção gráfica a disposição. A capa foi impressa em papel especial em 5 cores: CMYK + branco com hotstamping. Foram usados dois tipos de papel no miolo, cuja função era justamente demarcar as partes – a primeira, impressa em papel White Royal 120g, com a apresentação do tradutor e a segunda em Yu Long Pure 150g com as novelas. As laterais do livro também rendeu mais uma homenagem a tradição do livro medieval: a opção por não utilizar o refile trilateral uniforme, cria um relevo interessante na lombada [ver detalhe].
Ha mais alguma coisa que você gostaria de acrescentar sobre o processo desse livro?
Este livro foi vencedor do Jabuti de melhor Projeto Gráfico e ficou em 3º lugar na categoria Ilustração. Gosto de repetir sempre que o projeto gráfico de um livro é um encontro, e, neste caso, um encontro com mais de 700 anos de história!



Tereza Bettinardi é graduada em Desenho Industrial/Programação Visual pela Universidade Federal de Santa Maria (RS). Em 2006, mudou-se para São Paulo onde começou a trabalhar na Editora Abril como designer em diversas revistas, entre elas Superinteressante e Capricho. Integrou as equipes de design do Máquina Estudio/Kiko Farkas e da Cosac Naify. Dentre os inúmeros projetos na editora, foi laureada com um Jabuti pelo projeto gráfico do livro Decameron de Giovanni Boccaccio desenvolvido em conjunto com Elaine Ramos. Foi professora visitante do módulo da pós-graduação no curso de design editorial do Istituto Europeo di Design em São Paulo em 2014 e atualmente é professora convidada do Curso de Especialização em Design Gráfico na Unicamp. Foi residente do Curso de Escrita e Crítica em Design na School of Visual Arts em Nova York. Atualmente trabalha como designer independente desenvolvendo projetos para diversas editoras.

sexta-feira, 11 de março de 2016

Salões de Paris

Design de Tereza Bettinardi
Salões de Paris
Autor: Marcel Proust
Designer: Tereza Bettinardi
Editora: Carambaia
Acabamento: hot-stamp dourado.

Antes de se tornar o autor consagrado de Em busca do tempo perdido, Marcel Proust, como tantos escritores de sua época, passou pelo jornalismo. Foi nos periódicos franceses que publicou seus primeiros textos: crônicas em que descreve os salões parisienses – espécies de saraus literários e musicais, frequentados por aristocratas e gente da alta sociedade da época –, críticas de moda, arte e literatura, além de textos inspirados na atualidade política e até policial.

Editado pela Carambaia, numa edição em capa-dura com lombada dourada, o projeto gráfico é de Tereza Bettinardi e tem uma tiragem numerada de 1000 exemplares. São 21 crônicas escritas por Proust e publicadas na imprensa francesa, principalmente no jornal Le Figaro, mas também em periódicos de curta duração como o Le Mensuel (que circulou entre outubro de 1890 e setembro de 1891) ou revistas especializadas, como a Revue d’Art Dramatique (1886-1909) ou a Revue Blanche (1889-1903). O projeto gráfico do livro é da designer gaúcha Tereza Bettinardi, cuja entrevista a esse blog segue abaixo:


Como você se tornou designer de livros?
Apesar de sempre trabalhar com design editorial – primeiro na Editora Abril e depois no Máquina Estúdio, com Kiko Farkas – considero que aprendi mesmo a fazer livros durante o tempo que trabalhei na Cosac Naify. Foram dois anos de aprendizado intenso, uma experiência muito rica de troca, onde eu entendi o processo e os caminhos do livro.

Como fato curioso, lembro que durante a entrevista com Elaine [diretora de arte da Cosac Naify], enquanto analisava o meu portfolio [que consistia basicamente de revistas e outras publicações, mas poucos livros], ela fez o seguinte comentário e pergunta: seu trabalho explora a tipografia com um volume muito alto, você estaria disposta a trabalhar com livros onde a tipografia é um pouco mais silenciosa? Na hora respondi algo que carrego comigo até hoje: cada projeto é uma pergunta e se até o momento respondi daquela forma mais é porque as perguntas me guiavam para aquele caminho.


O que você acredita que faz de uma capa uma boa capa?
Gosto de pensar a capa [não só a capa, mas o projeto gráfico do livro como um todo] como um encontro. Um encontro do autor, designer, editor, leitor. O sucesso dela depende disso. Como designer, penso que ela precisa despertar a curiosidade do leitor e trazer um pouco do universo da história.

Primeira versão aprovada da capa
Como foi o processo criativo para se chegar nessa capa?
Já tinha feito dois outros projetos – um pessoal e outro encomendado pela Companhia das Letras – com o uso de padrões e ornamentos. Não sou pesquisadora ou expert no assunto, mas gosto muito de incorporar pesquisas pessoais em projetos assim. Logo depois da primeira reunião com os editores e tradutores deste livro, fiquei por dias no acervo digital da Biblioteca de Paris pesquisando edições anteriores dos livros do Proust. Até aí nada demais, mas a partir daí fiz uma extensa pesquisa de objetos art nouveau. Aí me veio a ideia de que este livro poderia ser todo dourado... com um padrão simples, mas que cobrisse toda a capa. Então na verdade, respondendo a tua pergunta, acho que a capa foi resultado do pensamento do livro todo, quando eu comecei a pensá-lo como um objeto.

Lembro que na primeira apresentação [ver imagem acima], mostrei uma versão em que misturava letterpress com estes ornamentos. A tipografia era mais agressiva, na época pensei que poderia ser interessante este contraste e como todos os textos selecionados tinham sido publicados em jornais, achei que cabia. Lembro que a capa já tinha sido aprovada com uma certa antecedência... mas logo depois de aprovada, fiquei achando que ela precisava de um tempo para amadurecer e deveria olhar para ela com os olhos mais frescos na finalização. Algo me dizia que ainda não tinha chegado no melhor resultado. Até que dois meses depois da aprovação, voltei e achei que era a chance de refazer o desenho da capa. Fiquei até receosa por dar este passo para trás e correr o risco dos editores não aprovarem, mas achei melhor arriscar. Foi então que entendi que deveria partir para algo mais elegante e a opção pelo lettering vertical surgiu como uma consequencia deste raciocínio. Fiquei feliz por contar com este tempo de "amadurecimento".

Houve alguma dificuldade a ser contornada, em termos de produção gráfica ou design?
Sim. Algo bem simples na verdade. A ideia é que a lombada do livro fosse feita de tecido, no entanto a produção gráfica me aconselhou a desistir da ideia em função do acabamento [o tecido poderia desfiar no corte trilateral].
Houve uma etapa de preparação antes de começar o projeto em si?
Além da pesquisa e da leitura dos textos do livro, lembro que assisti um documentário sobre o Proust e ouvi um podcast sobre Belle Epoque. Gosto deste mergulho, quanto mais fundo melhor... no entanto, às vezes nem sempre é possível.
O que você diria que faz essa capa funcionar, que faz ela ser o que é?
Eu acho que esta capa chama atenção [por incrível que pareça!] pela simplicidade. A ideia do ornamento composto só pelo semi-circulo e as diferentes combinações, a sobreposição de elementos, a simplicidade de cores. O material também traz um certo interesse: papel holler preto + serigrafia + hot stamping. Acho que estas diferentes texturas somaram ao projeto.

Tereza Bettinardi é graduada em Desenho Industrial/Programação Visual pela Universidade Federal de Santa Maria (RS). Em 2006, mudou-se para São Paulo onde começou a trabalhar na Editora Abril como designer em diversas revistas, entre elas Superinteressante e Capricho. Integrou as equipes de design do Máquina Estudio/Kiko Farkas e da Cosac Naify. Dentre os inúmeros projetos na editora, foi laureada com um Jabuti pelo projeto gráfico do livro Decameron de Giovanni Boccaccio desenvolvido em conjunto com Elaine Ramos. Foi professora visitante do módulo da pós-graduação no curso de design editorial do Istituto Europeo di Design em São Paulo em 2014 e atualmente é professora convidada do Curso de Especialização em Design Gráfico na Unicamp. Foi residente do Curso de Escrita e Crítica em Design na School of Visual Arts em Nova York. Atualmente trabalha como designer independente desenvolvendo projetos para diversas editoras.
 

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Odisséia

Design de Gabriela Castro e Elaine Ramos



Odisséia
Autor: Homero
Designers: Gabriela Castro e Elaine Ramos
Editora: Cosac Naify
Capas da edição especial e edição comercial (clique para ampliar).
Edições da Odisséia, no Brasil, houve muitas; mas nenhuma teve o impacto visual que a edição da Cosac Naify lançou em junho do ano passado. A imponência grandiosa que esta edição agrega ao livro é tal que complementa o próprio aspecto épico do poema de Homero (fazendo desta edição, como apontou a revista Brasileiros, uma "edição épica" em si). Aliando arte e literatura, fazendo do livro enquanto objeto físico uma obra de arte em si, é seguramente um dos livros mais belos que já tive a oportunidade de ter em mãos, da encadernação ao papel à cada mínima escolha de design ou de produção, unindo o trabalho das designers Elaine Ramos e Gabriela Castro aos do artista plástico Odires Mlászho. Abaixo, uma entrevista com a designer Gabriela Castro, da Cosac Naify, co-autora do projeto gráfico junto com Elaine Ramos, falando sobre o processo criativo desse trabalho.
Desdobrando a sobrecapa
Como você se tornou designer de livros?
Quando optei pela faculdade de design gráfico, já tinha um grande interesse em trabalhar com livros. Anos depois, entrei na Cosac Naify na área de marketing, produzindo os materiais de divulgação dos livros. Após três anos, comecei a trabalhar projetando os livros como assistente da Elaine Ramos.
Guardas da edição especial


Guardas da edição comercial
O que você acredita que faz de uma capa de livro uma boa capa de livro?
Uma boa capa de livro deve traduzir seu conteúdo e tornar o objeto livro atraente – além disso deve dialogar com o projeto gráfico como um todo reforçando a experiência da leitura.
Como foi o processo criativo desse livro? Qual a maior dificuldade em pensar duas versões do mesmo livro (a edição especial ea comercial)?
Esse projeto surgiu com a ideia de ser um livro de destaque da editora, que faríamos um casamento entre arte e literatura, caminho que a Cosac Naify já vem seguindo há algum tempo, como por exemplo: Primeiro amor com a artista plástica Célia Euvaldo, Alice no país das maravilhas com Luiz Zerbini e Decameron com ilustrações de Alex Cerveny. Decidimos propor o projeto ao artista plástico Odires Mlászho. Sua obra tem uma forte relação com o universo dos livros, com a ideia de acumulação cultural que eles representam, trabalhando sempre com colagens, múltiplas camadas, adensamentos, características que teriam um diálogo interessante com o texto da Odisseia, que atravessou toda a história do ocidente, sendo traduzido e editado inúmeras vezes.
Elaine e eu lemos o clássico e desenvolvemos o projeto gráfico, desde a escolha da fonte e cor até como entrariam as colagens, cada uma referente a um dos cantos, nas duas edições: da especial com as pranchas e da edição comercial com colagens apenas na capa e guardas.
Quais as dificuldades encontradas no processo (e como foram resolvidas)?
A dificuldade é fazer com que o projeto gráfico traduza visualmente o conteúdo e que o objeto funcione em todos os aspectos: forma, peso e volume.
E, é claro, o difícil é torná-lo viável financeiramente. Nesse caso, ter duas edições ajuda na viabilidade do projeto já que as duas compartilham o mesmo miolo. No entanto, tivemos que fazer a opção das colagens entrarem apenas na edição especial para conseguirmos reproduzi-las com qualidade e mais fiéis ao original.
Houve alguma etapa de preparação antes de começar o trabalho em si?
Foi um processo muito bacana para mim: tivemos a primeira conversa no início do ano e desde então realizamos encontros semanais nos quais discutíamos o processo e a técnica que seria utilizada para o livro. Foram quatro meses de trabalho conjunto.

lombada da edição especial
lombada da edição comercial
O que você diria que faz com que essas capas funcionem, que faz com que sejam o que são?
Acho que conseguimos criar capas fortes com a relação entre a tipografia, o "O" e o "H" quase como um selo e as colagens de Odires. Na capa da edição comercial isso fica muito mais em evidência e ganha força; na capa da edição especial, a sobrecapa com mais duas colagens e hot stamping também se destaca.

Verso das duas edições
Gabriela Castro é designer formada pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). Trabalha na Cosac Naify há sete anos e é uma das integrantes do estúdio Bloco gráfico. Ganhou o Prêmio Aloísio Magalhães oferecido pela Fundação Biblioteca Nacional de melhor projeto gráfico de 2011 com o livro Apreensões, de Bob Wolfenson. Teve trabalhos selecionados para a 10ª e 11ª Bienal Brasileira de Design Gráfico da ADG e, em 2014, a capa que criou para o livro Avenida Niévski, em parceria com Elaine Ramos, foi eleita a melhor da categoria no I Premio Latino americano de Design Editorial.


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