sexta-feira, 5 de julho de 2013

Uma baleia virtual

Em artigo publicado no blog da Cosac Naify, Antonio Hermida, coordenador de mídias digitais da editora, explica o processo de transpor o livro Moby Dick, de Herman Melville, e o premiado projeto gráfico de Luciana Facchinni (do qual falamos em entrevista num dos primeiros posts desse blog).

Do artigo de Hermida, que pode ser lido no blog da Cosac Naify, reproduzimos alguns trechos e imagens:

Moby Dick é um livro grande e robusto, por dentro e por fora. Sua identidade visual é tão forte que me sinto desajeitado segurando-o. Ele aparenta ter mesmo o peso de uma baleia e, por isso, o mantenho na estante, por trás de um vidro, como que em um aquário. Ele é, para mim, o tipo de livro para ser lido em casa, em segurança, e não para ser carregado para cima e para baixo ao longo do dia.




Como transpor essa sensação de horizonte para o digital, que não conta com folhas duplas?
Em situações como essa, não creio que valha a pena encarar como necessidade uma transposição, da mesma forma como não haveria como transpor a sensação visual de ondulação na distribuição dos títulos. Forçar algo assim é como comparar o que se vê, olhando na mesma direção sob perspectivas diferentes. Como comparar a imagem que se tem a partir de um convés com o que se vê por trás de uma escotilha.



Como se pode observar na imagem acima, os títulos dos capítulos distribuem-se de forma irregular, à esquerda e à direita. No digital, em telas menores, essa distribuição é inviável e o efeito, para a leitura, incômodo e confuso, em especial nos títulos à direita. Por conta de o alinhamento do texto ser oposto,  a deformação da estrutura seria gritante.

Com isso em mente, optei por dispor os títulos de maneira quase uniforme, como capitulares, à esquerda. Assim foi possível manter alguma coerência com o projeto original (ainda que precisando abrir mão da impressão ondulante, marcante no impresso) e evitar a possível bagunça em telas menores.


Em todo caso, essa saída não contempla todos os capítulos por conta da extensão de certos títulos (como no “56   DAS REPRESENTAÇÕES MENOS ERRÔNEAS DE BALEIAS E REPRESENTAÇÕES GENUÍNAS DE CENAS DA PESCA BALEEIRA”). Para estes, depois de testar uma série de adaptações possíveis, o melhor, para manter algum controle sobre a exibição, foi uma declaração simples, destacando os títulos do texto corrido.


Por fim, a última das adaptações distintivas entre as edições refere-se às páginas com fundo verde.
Apesar de se tratar de um recurso simples (background-color), alguns aplicativos não interpretam fundo colorido de maneira satisfatória (além de  variarem muito, de um para outro, quando é feita a inversão de cores para modo noturno). Optei por inverter a cor do texto pela cor do fundo, passando o verde para branco e vice-versa. Foi preciso ainda escurecer o tom do verde para melhor exibição e contraste em telas monocromáticas.

Os resultados dessas alterações foram distintos para os dois tipos de tela, embora, em ambos os casos,  tenham mantido coerência com o projeto original.

Se por um lado, em telas retroiluminadas, o tom de verde causa um efeito de limo, por outro, nas telas monocromáticas, causa uma sensação de névoa ou intangibilidade.

O artigo completo pode ser lido aqui.

Um comentário:

Fanzine Episódio Cultural disse...

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