quarta-feira, 27 de julho de 2016

terça-feira, 26 de julho de 2016

Três capas para terça

Três capas de três lançamentos recentes de autores contemporâneos em lingua portuguesa.

Capa de Mateus Valadares
Capa de Leonardo Iaccarino

Capa de Claudia Espínola de Carvalho


segunda-feira, 25 de julho de 2016

Coleção Vagalume

Design de Marcelo Martinez / Laboratório Secreto


É muito raro que exista alguém que tenha sido criança ou adolescente durante os anos 70 e 80 e nunca tenha tido contato com a Coleção Vaga-Lume, lançada pela editora Ática em 1973. Ao longo de três décadas, a série lançou cerca de noventa títulos, reabilitando autores dos anos 40 e 50, como Maria José Dupré (seu A Ilha Perdida, relançado pela Vaga-Lume, chegou a vender 2,2 milhões de exemplares) e lançando novos autores, como Marcos Rey (cujo O Mistério do Cinco Estrelas, de 1981, vendeu cerca de 2,5 milhões de exemplares).
Edições originais da coleção, publicadas nos anos 70-80.
Recentemente, O Escaravelho do Diabo tornou-se o primeiro título da coleção a ser adaptado para o cinema, num filme homônimo - outros títulos, como O Mistério do Cinco Estrelas, O rapto do menino de ouro e Um cadáver ouve rádio, aguardam na fila para serem adaptados pela produtora brasileira RT Features.
Luminoso, mascote da coleção, em suas encarnações ao longo de três décadas.
No final de 2015, a editora Ática relançou dez títulos da coleção, com um projeto gráfico novo criado por Marcelo Martinez, do estúdio Laboratório Secreto, reaproveitando as ilustrações originais da série. Os dez títulos relançados foram Spharion, de Lucia Machado de Almeida; Tonico, de José Rezende Filho, Açúcar Amargo, de Luiz Puntel, O Feijão e o Sonho, de Orígenes Lessa, Os barcos de papel, de José Maviel Monteiros, Deu a louca no tempo, de Marcelo Duarte, A Ilha Perdida, de Maria José Dupré, A turma da rua quinze, de Marçal Aquino, e O escaravelho do Diabo, de Marcos Rey.
Luminoso, versão 2015
Abaixo, uma entrevista com Martinez, sobre o desafio de recriar uma das coleções de livro com mais bagagem afetiva no mercado editorial brasileiro.

Como foi o processo criativo para redesenhar a coleção, e o próprio personagem símbolo dela?
O processo todo durou cerca de um ano e meio. Começamos ainda em 2013. Trabalhei em alguns conceitos iniciais, que foram apresentados, mas o projeto entrou em compasso de espera por conta da necessidade de remasterizar as ilustrações clássicas (que tanto eu quanto a editora gostaríamos de manter nas capas). Isso envolvia um trabalho de pesquisa e tratamento de imagem interno. Retomamos tudo no final de 2014, já com os dez títulos iniciais definidos e a sugestão do formato 13,5 x 18,5 cm. A partir daí, com um novo cronograma, partimos para refinar as propostas de capa e miolo.

Paralelo a isso havia o redesenho da marca/personagem símbolo. Estudei as diferentes encarnações do Luminoso, como ele se comportava durante as décadas. O desenho dele mudou pouco, mas com o passar do tempo, ganhou uma forma mais infantil, mais da idade dos leitores. Eu queria trazer ele para os dias de hoje, com um visual mais dinâmico. Agora ele veste camiseta preta e all star, e a lâmpada foi posicionada para ficar mais com cara de mochila. Mas se você comparar com as versões anteriores, verá que a essência do personagem ainda está lá (ok, ele não é mais hippie, mas…). A grande questão é que o Luminoso agora é aplicado como uma marca, um ícone da série (antes ele também aparecia nas HQs da orelha dos livros, promovendo o título). E, como marca, é necessário que o desenho funcione com 1 cm de altura em média. Por outro lado, uma vez que pré-defini as aplicações dele dentro do projeto gráfico (ele aparece cinco vezes em cada livro, na capa, lombada, orelha e miolo), pudemos mesclar essas características de marca (versão gray, redução, fundos, assinaturas diferentes etc) com de selo (área de proteção especial, respiro), preservando a identidade do mascote.

O projeto foi entregue para gráfica no primeiro semestre de 2015. Destaco ainda a fundamental participação das responsáveis pela série na Ática, Fabiane Zorn (editora assistente) e Thatiana Kalaes (editora de arte). Fizemos reuniões via skype periódicas, onde cada etapa era consolidada e documentada. Era sempre aprovar a etapa em questão e seguir em frente! É muito, muito bom trabalhar desta forma, com profissionais entusiasmadas e competentes. Fabi e Thati são verdadeira co-autoras do projeto, propondo soluções e apontando caminhos, como a ideia do verniz que brilha no escuro.


Houve uma etapa prévia de pesquisa?
Estudei toda a história da série (por sinal, li vários dos títulos na época da escola!) e os redesenhos prévios de projeto gráfico. A ideia era encontrar um ponto de contato, algo que pudesse dar liga à quase uma centena de títulos do catálogo.


Como foi trabalhar com ilustrações tão diferentes?

São ilustrações diferentes em técnicas, formatos e períodos de criação. Justamente por isso, o conjunto é irregular. O que procuramos foi equilibrar as diferentes qualidades das artes de craques como Edmundo Rodrigues, Mario Cafieiro, Marcus Santana e Alcy. Como pude desenhar as primeiras dez capas da nova coleção, procurei dar cortes nos desenhos, preservando o assunto principal de cada ilustra e criando uma unidade.

Considerando o histórico afetivo da coleção, como ela se relaciona com as antigas versões da coleção Vaga-Lume?
Ela respeita o clássico. Isso pra mim era fundamental. São textos publicados desde o início dos anos 1970, com tiragens iniciais de mais de 80 mil cópias. Juntos, já venderam mais de 7,5 milhões de exemplares para diversas gerações de leitores. Não seria o caso de apenas reembalar de forma moderna. O projeto todo tem um formatinho gostoso de pegar e de ler – bem impresso, com margens e entrelinhas agradáveis, explorando o miolo em duas cores sobre papel pólen. As capas têm uma pegada meio moleskine, com a etiqueta de título por cima e o rastro do Luminoso impresso em verniz que brilha no escuro. A orelha conta a história da coleção e do mascote. É um projeto afetuoso e muito bem cuidado. :)


Qual a fonte utilizada?
Rooney e Skola Sans.


Marcelo Martinez é designer gráfico, ilustrador e autor. Com mais de duas décadas de atuação profissional, assinou projetos exibidos e premiados em mostras de design, ilustração e animação em países das Américas, Ásia, África e Europa, e registrados em mais de uma dúzia de publicações internacionais.  É autor da série de livros infanto-juvenis 'O Guia Secreto do SabeTudo' (Ediouro/Coquetel, 2014/...); do livro infantil '20 disfarces para um homenzinho narigudo' (Nova Fronteira, 2013); e co-organizador do 'Livro-Jogo das Copas Globo Esporte' (Casa da Palavra, 2010). Faz parte do time de roteiristas de humor da TV Globo.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Brasileiros no exterior (11)

Edições de Lima Barreto e Jorge Amado lançadas pelo selo Penguin Classics na Inglaterra.






quinta-feira, 21 de julho de 2016

Poesia na Companhia das Letras

O estilo minimalista das capas de poesia da Companhia das Letras. Design de Victor Burton.



quarta-feira, 20 de julho de 2016

Puffin Classics (3)

Mais capas reformuladas de clássicos infanto-juvenis da Puffin, selo da Penguin Books.


terça-feira, 19 de julho de 2016

Três Penguin para terça

Três novos lançamentos pelo selo Penguin Companhia.

Tradução de José Francisco Botelho.
Foto da capa de Annie Leibowitz.
Capa de Flávia Zimbardi
Tradução de Caetano Galindo.


segunda-feira, 18 de julho de 2016

Mundo Perdido

Design de Pedro Inoue (capa) e Guilherme Xavier/Desenho Editorial (miolo).

Mundo Perdido
Autor: Michael Crichton
Designer: Pedro Inoue (capa) e Guilherme Xavier/Design Editorial (miolo)
Editora: Aleph
Fonte: desenhada para estas edição (capa), Story Brush (miolo).


Dando continuidade ao lançamento, no ano passado, do clássico de ficção científica Jurassic Park de Michael Crichton, a editora Aleph lançou este ano a continuação, O Mundo Perdido (também adaptada aos cinemas por Steven Spielberg em 1998). O projeto gráfico é uma continuidade da linha gráfica já desenvolvida anteriormente tanto na capa (cujo designer Pedro Inoue foi entrevistado por esse blog, na ocasião do lançamento de Jurassic Park), quando no miolo, desenvolvido por Guilherme Xavier, do estúdio Desenho Editorial.


Uma particularidade do conjunto formado pelos dois livros é que, assim como muitas obras que já foram adaptadas para o cinema, a iconografia do filme as vezes é tão marcante que pode limitar o trabalho do designer. No caso de Jurassic Park, há ainda o detalhe de que a capa original da edição americana de 1989, criada por Chip Kidd (do qual falei neste outro post) se tornou tão icônica, que acabou sendo absorvida pelo marketing do próprio filme pouco tempo depois, de lá para cá se tornando uma das marcas mais conhecidas dos anos noventa.



Curiosamente, o mesmo aconteceu com a capa da primeira edição do Mundo Perdido de Crichton, também criada por Kidd. Trabalhando sobre o desenho do esqueleto de tiranossauro criado por ele próprio, Kidd e os editores da Alfred A. Knopf, confiantes de que o primeiro livro (e o filme) já se tornavam tão conhecidos que, comercialmente, não seria necessário muito para apresentar a continuação, resumiram a sinopse em apenas três palavras: SOMETHING HAS SURVIVED. Para surpresa de Kidd, quando do lançamento do primeiro trailer e cartazes de O Mundo Perdido, a tagline da continuação, tão marcante quanto o logo do primeiro livro, foi também incorporada ao marketing do filme.

Contracapa e capa da primeira edição americana, por Chip Kidd 
Coloco isso aqui para ressaltar a qualidade do projeto gráfico desenvolvido pela Aleph (e, numa nota pessoal, digo isso com a propriedade de um aficionado por Jurassic Park que coleciona diversas edições do mesmo livro). Apesar de toda a pesada bagagem iconográfica da franquia, as edições brasileiras conseguiram algo que nenhuma editora estrangeira conseguiu alcançar até agora: dar uma personalidade própria aos livros, ressaltando suas existências enquanto obras literárias independentes dos filmes que os adaptaram posteriormente.

Abaixo, uma rápida entrevista com Guilherme Xavier, do estúdio Desenho Editorial, sobre o projeto gráfico do miolo de Mundo Perdido.


Como é a dinâmica entre o trabalho do capista e a diagramação do miolo, feita por vocês? O que vem primeiro, como um se sintoniza com o trabalho do outro, etc?
Neste projeto, o trabalho foi feito em paralelo, o que exige um direcionamento dos editores para ficarem com o mesmo tom. Enquanto o Pedro desenvolvia a capa, nós trabalhávamos no projeto gráfico. É comum acontecerem pequenos ajustes para as duas criações conversarem. Em outros projetos, pode acontecer de maneira diferente, como usar elementos da capa para aplicar no projeto.


Vocês trabalham com livros com uma carga iconográfica pop bastante forte (Aliens, Star Wars, Jurassic Park), mas uma das coisas que se destaca no projeto gráfico tanto de Jurassic Park quanto de Mundo Perdido é o quanto eles parecem originais e novos comparados com tudo o que já foi feito antes. Como é essa relação com o material, até onde vocês acham que devem ficar reverentes à iconografia original, ou criar algo novo? Isso é algo que é combinado com a editora? No caso de Mundo Perdido e Jurassic Park, como foi esse processo?
O grande desafio é redesenhar esse universo específico de uma maneira fresca, mas mantendo o link com o original. O leitor precisa saber instintivamente o que aquela peça está comunicando, não há tempo para uma adaptação ou introdução sobre o que está sendo discutindo ali. Existem editoras que preferem apostar no lugar-comum, até subestimando um pouco a capacidade de abstração do leitor e focando no comercial. Felizmente, nos livros do Michael Crichton, a editora Aleph me pediu que o projeto gráfico fosse diferente do que já existia. Avesso às tipologias originais que estão datadas (mas tiveram sua relevância na época) e as referências visuais dos filmes de Spielberg. Como ponto de partida, idealizamos o ambiente em que os dinossauros viviam e o clima que a narrativa nos leva. Depois me muita pesquisa e alguns testes, achamos o caminho para criar essa identidade e a partir daí se desdobra todos os elementos do projeto.


Como foram produzidas as artes internas? O lettering do título interno foi criado especialmente para o livro?
No início, pensamos em trabalhar com papel rasgado e os desdobramentos gráficos disso. Chegamos a fazer alguns testes, rasgando diferentes papéis e depois fotografando. O resultado não foi o esperado e começamos a fazer outros testes com brushes e texturas. Dessa vez, gostamos bastante. A produtividade ganhou muito também, e pudemos extender o projeto para outras páginas além do rosto e aberturas de capítulos. Todas as páginas em que há interferências, elas são únicas e diferentes. As artes internas foram aperfeiçoadas no desenvolvimento do projeto, ora inserindo outros elementos, ora brincando só com os elementos tipográficos. E, sim, o leterring do título foi criado especialmente para esse livro.


Quais as fontes utilizadas, e porque elas foram escolhidas?
Procurei trabalhar com fontes de impacto, ácidas e marcantes. Usei a Story Brush da typefoundry Majestype. Foi um ótimo achado, era exatamente o que buscava.


Houve alguma dificuldade técnica específica que precisou ser contornada?
A maior dificuldade, e uma das poucas exigências do editorial, foi aplicar as ilustrações de aberturas de capítulo do livro original. Isso aconteceu nos dois livros do Crichton, tanto no Jurassic Park quanto no O mundo perdido. São imagens que mostram a progressão da curva fractal durante os capítulos. Como eram publicações antigas, e só tínhamos a edição impressa de época como fonte, as imagens estavam muito reticuladas. Tão reticuladas, que conforme as configurações ficavam mais complexas era muito difícil entender como era a imagem original que queriam reproduzir. Isso nos impedia de utilizar a saída mais simples que seria digitalizar as imagens. Elas têm muitos detalhes e formatos diferentes. No primeiro livro, o módulo é mais claro. Já no segundo, as imagens pareciam desconexas entre si. Tentamos achar alguma informação sobre o significado delas e também foi difícil, apenas especulações de fãs em fóruns. Recriamos todas as imagens, lembro-me que em uma delas usamos cerca de 700 formatos. Foi trabalhoso mas conseguimos um resultado muito superior do que as imagens digitalizadas do livro original.


Guilherme Xavier é diretor de arte há mais de 15 anos, fundou o estúdio Desenho Editorial em 2006 e desde então desenvolve capas e projetos gráficos para editoras.

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