sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Coleção Aventuras FantásticaS (1)


Coleção Aventuras Fantásticas
Autores: Steve Jackson e Ian Livingstone
Designer: Samir Machado de Machado
Ilustradores: vários
Editora: Jambô

A coleção de livros-jogos de RPG Aventuras Fantásticas (Fighting Fantasy no original) foi criada em 1982 pelos escritores ingleses Steve Jackson e Ian Livingstone, fundindo conceitos de RPGs como Dungeons & Dragons com a de livros "interativos", já existentes na época. Começando com o clássico O Feiticeiro da Montanha de Fogo, a coleção teve cerca de 60 livros. No Brasil, foi lançada nos anos oitenta pela editora Marques Saraiva, usando artes das capas originais americanas. Nos anos 90, quando a coleção foi relançada nos EUA pela Wizard, passou a usar artes novas para cada capa, mais dark e, em geral, mais escuras

As capas originais, lançadas nos anos 70/80
Quando conversamos sobre o novo projeto para a coleção que seria lançada pela editora Jambô, o editor Guilherme del Svaldi e eu concordamos que as novas ilustrações, que seriam criadas especialmente para as edições brasileiras por artistas e ilustradores brasileiros, voltariam a ser coloridas e vibrantes como as capas originais.
Também concordamos que, via de regra (mas com algumas exceções pontuais), as ilustrações seriam "releituras" das artes originais, para que fossem atrativas tanto para novos leitores quanto para os saudosistas das primeiras edições (no qual tanto eu quanto ele nos encaixamos).
A maior dificuldade seria manter a homogeneidade da coleção ao mesmo tempo que trabalhando com múltiplos ilustradores de estilos diversos, e também mantendo uma conexão com a coleção original. Para isso, optou-se por uma estrutura fixa, com um espaço delimitado para a ilustração e outro para o lettering, divididos pela frase característica da coleção - "uma aventura em que você é o heroi" - e um dado, o item básico para se jogar qualquer RPG. A barra fixa na cor verde é uma pequena referência às capas originais, onde o verde predominava principalmente no verso.

O Feiticeiro da Montanha de Fogo, ilustração de Elvis Moura
A ilustração da capa se repete sempre na contracapa, numa versão "expandida". Concordamos, o Guilherme e eu, que uma coisa bacana dessas ilustrações seria ver ela como um close na capa, e ter uma versão ampliada, livre de elementos ou interferências, no verso, "como passar da tela da TV para a largura do widescreen".
Encontro Marcado com o M.E.D.O., ilustração de Daniel HDR
"Quando começamos a trabalhar, a editora já havia lançado oito titulos sob o projeto anterior. Começamos a partir do volume 9, com as edições iniciais sendo aos poucos relançadas no novo projeto gráfico e substituidas conforme vão esgotando. O miolo continua exatamente o mesmo das edições originais, inclusive nas ilustrações".
Templo do Terror, ilustração de EdH Müller
"A ideia surgiu da união de dois aspectos", diz o editor Guilherme del Svaldi. "Primeiro, um pessoal: eu sou fã dos livros-jogos. Foram minha porta de entrada neste mundo de fantasia, leitura e jogos! Poder trabalhar com livros que li quando era criança está sendo muito legal".

A Masmorra da Morte, ilustração de João Bosco
"O segundo aspecto é mais técnico, e diz respeito a estratégia da editora. Os livros-jogos não foram só a minha porta de entrada para o mundo da "nerdice" — foram de muita gente. A Jambô é primariamente uma editora de RPG. É importante, para nós, criarmos mais adeptos do hobby. E as aventuras-solo, ainda que não sejam exatamente RPGs, são ideais para introduzir os conceitos do jogo".
A Cidadela do Caos, ilustração de Fabrício Bohrer
Por contrato, os autores (Steve Jackson e Ian Livingstone) precisam aprovar as criações de novas capas, mas esse retorno se resume apenas à dizer que a capa está aprovada, não chegando mesmo a ter comentários. "Entretanto, no fim de 2015, tive a oportunidade de conhecer pessoalmente Ian Livingstone", conta Guilherme. "Em um jantar, conversamos bastante sobre os livros-jogos (que dúvida...). Eu sinceramente não sabia se Ian ainda se importava com a série. Afinal, em sua carreira, ele criou muitas coisas — foi fundador da Games Workshop, maior rede de lojas nerds da Inglaterra; foi presidente da EIDOS, onde produziu uma certa Lara Croft; entre outras coisas. Acontece que Ian é apaixonado pela série! Das criações dele, é aquela pela qual ele tem mais carinho. Falamos muito, especificamente, sobre a arte dos capas. Ele coleciona originais das edições de diferentes países. Inclusive, me pediu para ajudá-lo a comprar os originais das edições brasileiras! Ele realmente gostou do nosso trabalho (felizmente!). Apenas comentou que preferia que a capa de A Floresta da Destruição mostrasse o metamorfo, em vez do dragão".



Nas próximas semanas, vou postar por aqui detalhes sobre o trabalho de cada ilustrador.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

As Surpreendentes Aventuras do Barão de Munchausen


Na fila do picote da Cosac Naify, a edição de As Aventuras do Barão de Munchausen, de Rudolph Erich Raspe ilustrada por Rafael Coutinho. O projeto gráfico é de Flávia Castanheira.











quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Dom Casmurro

Design de Tereza Bettinardi
Dom Casmurro
Autor: Machado de Assis
Designer: Tereza Bettinardi
Editora: Carambaia
Acabamentos: capa dura, hot stamping dourado, pintura das margens.
O desafio de criar um projeto gráfico para um clássico do tamanho do Dom Casmurro de Machado de Assis pode ser assustador, que o diga Tereza Bettinardi. Ficou a seu cargo criar a nova e luxuosa edição lançada pela editora Carambaia nesse ano. Em artigo publicado no Medium, a designer gaúcha comentou sobre o processo de desenvolvimento desse projeto.
"No começo de 2016, fui chamada para um encontro às escuras: era a primeira reunião com os editores Fabiano Curi e Graziella Beting, da Carambaia. O nome do livro só foi relevado pessoalmente. No caminho de volta para casa, um misto de euforia extrema e pavor tomou conta de mim. A sensação deve ser parecida com a de ganhar na loteria. O desafio trazia uma responsabilidade enorme [e dupla]: honrar um dos livros mais importantes da nossa literatura e da minha vida".
Sobre as ilustrações de Carlos Issa
"As interferências gráficas de Issa utilizam diversas técnicas — uso de letraset, tinta, lápis, fita adesiva. A decisão de intervir sobre as fotografias surgiu durante o processo. Já as estampas florais aparecem como uma terceira camada, uma espécie de “camada doméstica”, que abarcaria, nas palavras do próprio Casmurro: “o mesmo contraste da vida interior, que é pacata, com a exterior, que é ruidosa”.
Sobre a forma do livro
"As visitas aos sebos mostraram que o formato de um livro escrito há 117 anos pode variar bastante. Mas quais eram das dimensões do exemplar de Dom Casmurro que Machado de Assis segurou em vida? Os raríssimos exemplares da Garnier não deixam dúvidas: 17,5x11,5 cm! A decisão do formato respondeu, portanto, a seguinte questão: e se pudéssemos conectar leitores de hoje com o autor através do gesto de segurar o livro?"
Estrutura
Os capítulos seguem um fluxo contínuo, sem quebras de página. A numeração e títulos dos capítulos foram agrupados na mesma linha, cada um alinhado aos extremos das margens, conectadas por um traço. As ilustrações de Issa serviriam como uma espécie de ante-sala para a atração principal.
Pintura das margens
As pinturas das margens frontais se tornaram muito populares nos livros do final do século XVIII e XIX. As margens são estendidas para realização das pinturas e, após a secagem, outra camada de tinta é aplicada no livro completamente fechado. Essa técnica torna possível que o desenho fique invisível com o livro fechado. Nesta edição, o Pão de Açúcar e os Arcos da Lapa estão alternados e se revelam no estender das páginas, permanecendo ocultos pela tinta preta quando o livro está fechado. O processo foi feito no computador, aplicando um pequeno fragmento da imagem em cada uma das 384 páginas.



O artigo completo de Tereza Bettinardi, detalhando toda a gestão do processo criativo, pode ser lido nesse link.

Tereza Bettinardi é graduada em Desenho Industrial/Programação Visual pela Universidade Federal de Santa Maria (RS). Em 2006, mudou-se para São Paulo onde começou a trabalhar na Editora Abril como designer em diversas revistas, entre elas Superinteressante e Capricho. Integrou as equipes de design do Máquina Estudio/Kiko Farkas e da Cosac Naify. Dentre os inúmeros projetos na editora, foi laureada com um Jabuti pelo projeto gráfico do livro Decameron de Giovanni Boccaccio desenvolvido em conjunto com Elaine Ramos. Foi professora visitante do módulo da pós-graduação no curso de design editorial do Istituto Europeo di Design em São Paulo em 2014 e atualmente é professora convidada do Curso de Especialização em Design Gráfico na Unicamp. Foi residente do Curso de Escrita e Crítica em Design na School of Visual Arts em Nova York. Atualmente trabalha como designer independente desenvolvendo projetos para diversas editoras.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Três Clássicos Zahar para terça

Retomando o blog após um longo hiato, de lá para cá houve pelo menos mais três novas adições à coleção de Clássicos Zahar - todos com capas produzidas pela Babilônia Cultura Editorial.




segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Fui ali lançar um livro e já volto


Quem tem o habito de acessar este blog diariamente, deve ter notado que não há atualizações desde agosto. É por um bom motivo - ao menos para mim. Estou envolvido com o lançamento e divulgação de meu próprio livro, o romance de aventura Homens Elegantes, que sai agora em setembro pela editora Rocco (cuja capa que está aí em cima, aliás, foi feita por mim)- leia mais sobre ele aqui.

De todo modo, o blog voltará a ser atualizado com regularidade a partir de outubro.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Irmãos Grimm

Design de Flavia Castanheira

Dentre tantas edições já lançadas com os contos dos irmãos Grimm, essa que foi editada pela Cosac Naify com projeto gráfico de Flavia Castanheira se destaca pelo tom brasileiro das ilustrações, feitos por J. Borges, famoso artista de cordel. Foi a primeira vez no Brasil que os contos foram traduzidos por completo.

O fantástico dos contos e das ilustrações é replicado através de um esquema de 12 combinações diferentes de cor de papel e tinta ao longo do livro. Foram usados papeis típicos das capas dos cordéis, de 4 cores diferentes, que se alternam a cada caderno, sempre impressos em duas cores especiais. 







Foi feita também uma edição especial, com capa dura revestida em tecido, e as ilustrações impressas em serigrafia (imagens abaixo).




O projeto granhou os seguintes prêmios:
• Melhor Projeto Gráfico (2013)
• 10ª Bienal Brasileira de Design Gráfico da ADG (2013)
• I Prêmio Latinoamericano de Desenho Editorial
Menção Honrosa Categoria Infantil (2014)
• Bienal Iberoamericana de Desenho Gráfico (2014)
Prêmio Aloísio Magalhães – Biblioteca Nacional

quarta-feira, 27 de julho de 2016

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