quinta-feira, 8 de dezembro de 2016
As Surpreendentes Aventuras do Barão de Munchausen
Na fila do picote da Cosac Naify, a edição de As Aventuras do Barão de Munchausen, de Rudolph Erich Raspe ilustrada por Rafael Coutinho. O projeto gráfico é de Flávia Castanheira.
quarta-feira, 7 de dezembro de 2016
Dom Casmurro
Design de Tereza Bettinardi
Dom Casmurro
Autor: Machado de Assis
Designer: Tereza Bettinardi
Editora: Carambaia
Acabamentos: capa dura, hot stamping dourado, pintura das margens.
O desafio de criar um projeto gráfico para um clássico do tamanho do Dom Casmurro de Machado de Assis pode ser assustador, que o diga Tereza Bettinardi. Ficou a seu cargo criar a nova e luxuosa edição lançada pela editora Carambaia nesse ano. Em artigo publicado no Medium, a designer gaúcha comentou sobre o processo de desenvolvimento desse projeto.
"No começo de 2016, fui chamada para um encontro às escuras: era a primeira reunião com os editores Fabiano Curi e Graziella Beting, da Carambaia. O nome do livro só foi relevado pessoalmente. No caminho de volta para casa, um misto de euforia extrema e pavor tomou conta de mim. A sensação deve ser parecida com a de ganhar na loteria. O desafio trazia uma responsabilidade enorme [e dupla]: honrar um dos livros mais importantes da nossa literatura e da minha vida".
Sobre as ilustrações de Carlos Issa
"As interferências gráficas de Issa utilizam diversas técnicas — uso de letraset, tinta, lápis, fita adesiva. A decisão de intervir sobre as fotografias surgiu durante o processo. Já as estampas florais aparecem como uma terceira camada, uma espécie de “camada doméstica”, que abarcaria, nas palavras do próprio Casmurro: “o mesmo contraste da vida interior, que é pacata, com a exterior, que é ruidosa”.
"As visitas aos sebos mostraram que o formato de um livro escrito há 117 anos pode variar bastante. Mas quais eram das dimensões do exemplar de Dom Casmurro que Machado de Assis segurou em vida? Os raríssimos exemplares da Garnier não deixam dúvidas: 17,5x11,5 cm! A decisão do formato respondeu, portanto, a seguinte questão: e se pudéssemos conectar leitores de hoje com o autor através do gesto de segurar o livro?"
Dom Casmurro
Autor: Machado de Assis
Designer: Tereza Bettinardi
Editora: Carambaia
Acabamentos: capa dura, hot stamping dourado, pintura das margens.
O desafio de criar um projeto gráfico para um clássico do tamanho do Dom Casmurro de Machado de Assis pode ser assustador, que o diga Tereza Bettinardi. Ficou a seu cargo criar a nova e luxuosa edição lançada pela editora Carambaia nesse ano. Em artigo publicado no Medium, a designer gaúcha comentou sobre o processo de desenvolvimento desse projeto.
"No começo de 2016, fui chamada para um encontro às escuras: era a primeira reunião com os editores Fabiano Curi e Graziella Beting, da Carambaia. O nome do livro só foi relevado pessoalmente. No caminho de volta para casa, um misto de euforia extrema e pavor tomou conta de mim. A sensação deve ser parecida com a de ganhar na loteria. O desafio trazia uma responsabilidade enorme [e dupla]: honrar um dos livros mais importantes da nossa literatura e da minha vida".
Sobre as ilustrações de Carlos Issa
"As interferências gráficas de Issa utilizam diversas técnicas — uso de letraset, tinta, lápis, fita adesiva. A decisão de intervir sobre as fotografias surgiu durante o processo. Já as estampas florais aparecem como uma terceira camada, uma espécie de “camada doméstica”, que abarcaria, nas palavras do próprio Casmurro: “o mesmo contraste da vida interior, que é pacata, com a exterior, que é ruidosa”.
"As visitas aos sebos mostraram que o formato de um livro escrito há 117 anos pode variar bastante. Mas quais eram das dimensões do exemplar de Dom Casmurro que Machado de Assis segurou em vida? Os raríssimos exemplares da Garnier não deixam dúvidas: 17,5x11,5 cm! A decisão do formato respondeu, portanto, a seguinte questão: e se pudéssemos conectar leitores de hoje com o autor através do gesto de segurar o livro?"
Estrutura
Os capítulos seguem um fluxo contínuo, sem quebras de página. A numeração e títulos dos capítulos foram agrupados na mesma linha, cada um alinhado aos extremos das margens, conectadas por um traço. As ilustrações de Issa serviriam como uma espécie de ante-sala para a atração principal.
Pintura das margens
As pinturas das margens frontais se tornaram muito populares nos livros do final do século XVIII e XIX. As margens são estendidas para realização das pinturas e, após a secagem, outra camada de tinta é aplicada no livro completamente fechado. Essa técnica torna possível que o desenho fique invisível com o livro fechado. Nesta edição, o Pão de Açúcar e os Arcos da Lapa estão alternados e se revelam no estender das páginas, permanecendo ocultos pela tinta preta quando o livro está fechado. O processo foi feito no computador, aplicando um pequeno fragmento da imagem em cada uma das 384 páginas.
Os capítulos seguem um fluxo contínuo, sem quebras de página. A numeração e títulos dos capítulos foram agrupados na mesma linha, cada um alinhado aos extremos das margens, conectadas por um traço. As ilustrações de Issa serviriam como uma espécie de ante-sala para a atração principal.
Pintura das margens
As pinturas das margens frontais se tornaram muito populares nos livros do final do século XVIII e XIX. As margens são estendidas para realização das pinturas e, após a secagem, outra camada de tinta é aplicada no livro completamente fechado. Essa técnica torna possível que o desenho fique invisível com o livro fechado. Nesta edição, o Pão de Açúcar e os Arcos da Lapa estão alternados e se revelam no estender das páginas, permanecendo ocultos pela tinta preta quando o livro está fechado. O processo foi feito no computador, aplicando um pequeno fragmento da imagem em cada uma das 384 páginas.
O artigo completo de Tereza Bettinardi, detalhando toda a gestão do processo criativo, pode ser lido nesse link.
Tereza Bettinardi é graduada em Desenho Industrial/Programação Visual pela Universidade Federal de Santa Maria (RS). Em 2006, mudou-se para São Paulo onde começou a trabalhar na Editora Abril como designer em diversas revistas, entre elas Superinteressante e Capricho. Integrou as equipes de design do Máquina Estudio/Kiko Farkas e da Cosac Naify. Dentre os inúmeros projetos na editora, foi laureada com um Jabuti pelo projeto gráfico do livro Decameron de Giovanni Boccaccio desenvolvido em conjunto com Elaine Ramos. Foi professora visitante do módulo da pós-graduação no curso de design editorial do Istituto Europeo di Design em São Paulo em 2014 e atualmente é professora convidada do Curso de Especialização em Design Gráfico na Unicamp. Foi residente do Curso de Escrita e Crítica em Design na School of Visual Arts em Nova York. Atualmente trabalha como designer independente desenvolvendo projetos para diversas editoras.
Tereza Bettinardi é graduada em Desenho Industrial/Programação Visual pela Universidade Federal de Santa Maria (RS). Em 2006, mudou-se para São Paulo onde começou a trabalhar na Editora Abril como designer em diversas revistas, entre elas Superinteressante e Capricho. Integrou as equipes de design do Máquina Estudio/Kiko Farkas e da Cosac Naify. Dentre os inúmeros projetos na editora, foi laureada com um Jabuti pelo projeto gráfico do livro Decameron de Giovanni Boccaccio desenvolvido em conjunto com Elaine Ramos. Foi professora visitante do módulo da pós-graduação no curso de design editorial do Istituto Europeo di Design em São Paulo em 2014 e atualmente é professora convidada do Curso de Especialização em Design Gráfico na Unicamp. Foi residente do Curso de Escrita e Crítica em Design na School of Visual Arts em Nova York. Atualmente trabalha como designer independente desenvolvendo projetos para diversas editoras.
terça-feira, 6 de dezembro de 2016
Três Clássicos Zahar para terça
Retomando o blog após um longo hiato, de lá para cá houve pelo menos mais três novas adições à coleção de Clássicos Zahar - todos com capas produzidas pela Babilônia Cultura Editorial.
segunda-feira, 5 de setembro de 2016
Fui ali lançar um livro e já volto
Quem tem o habito de acessar este blog diariamente, deve ter notado que não há atualizações desde agosto. É por um bom motivo - ao menos para mim. Estou envolvido com o lançamento e divulgação de meu próprio livro, o romance de aventura Homens Elegantes, que sai agora em setembro pela editora Rocco (cuja capa que está aí em cima, aliás, foi feita por mim)- leia mais sobre ele aqui.
De todo modo, o blog voltará a ser atualizado com regularidade a partir de outubro.
quinta-feira, 28 de julho de 2016
Irmãos Grimm
Design de Flavia Castanheira
Foi feita também uma edição especial, com capa dura revestida em tecido, e as ilustrações impressas em serigrafia (imagens abaixo).
O projeto granhou os seguintes prêmios:
• Bienal Iberoamericana de Desenho Gráfico (2014)
Prêmio Aloísio Magalhães – Biblioteca Nacional
Dentre tantas edições já lançadas com os contos dos irmãos Grimm, essa que foi editada pela Cosac Naify com projeto gráfico de Flavia Castanheira se destaca pelo tom brasileiro das ilustrações, feitos por J. Borges, famoso artista de cordel. Foi a primeira vez no Brasil que os contos foram traduzidos por completo.
O fantástico dos contos e das ilustrações é replicado através de um esquema de 12 combinações diferentes de cor de papel e tinta ao longo do livro. Foram usados papeis típicos das capas dos cordéis, de 4 cores diferentes, que se alternam a cada caderno, sempre impressos em duas cores especiais.
Foi feita também uma edição especial, com capa dura revestida em tecido, e as ilustrações impressas em serigrafia (imagens abaixo).
O projeto granhou os seguintes prêmios:
• Melhor Projeto Gráfico (2013)
• 10ª Bienal Brasileira de Design Gráfico da ADG (2013)
• 10ª Bienal Brasileira de Design Gráfico da ADG (2013)
• I Prêmio Latinoamericano de Desenho Editorial
Menção Honrosa Categoria Infantil (2014)• Bienal Iberoamericana de Desenho Gráfico (2014)
Prêmio Aloísio Magalhães – Biblioteca Nacional
quarta-feira, 27 de julho de 2016
terça-feira, 26 de julho de 2016
Três capas para terça
Três capas de três lançamentos recentes de autores contemporâneos em lingua portuguesa.
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| Capa de Mateus Valadares |
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| Capa de Leonardo Iaccarino |
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| Capa de Claudia Espínola de Carvalho |
segunda-feira, 25 de julho de 2016
Coleção Vagalume
Design de Marcelo Martinez / Laboratório Secreto
É muito raro que exista alguém que tenha sido criança ou adolescente durante os anos 70 e 80 e nunca tenha tido contato com a Coleção Vaga-Lume, lançada pela editora Ática em 1973. Ao longo de três décadas, a série lançou cerca de noventa títulos, reabilitando autores dos anos 40 e 50, como Maria José Dupré (seu A Ilha Perdida, relançado pela Vaga-Lume, chegou a vender 2,2 milhões de exemplares) e lançando novos autores, como Marcos Rey (cujo O Mistério do Cinco Estrelas, de 1981, vendeu cerca de 2,5 milhões de exemplares).
Recentemente, O Escaravelho do Diabo tornou-se o primeiro título da coleção a ser adaptado para o cinema, num filme homônimo - outros títulos, como O Mistério do Cinco Estrelas, O rapto do menino de ouro e Um cadáver ouve rádio, aguardam na fila para serem adaptados pela produtora brasileira RT Features.
No final de 2015, a editora Ática relançou dez títulos da coleção, com um projeto gráfico novo criado por Marcelo Martinez, do estúdio Laboratório Secreto, reaproveitando as ilustrações originais da série. Os dez títulos relançados foram Spharion, de Lucia Machado de Almeida; Tonico, de José Rezende Filho, Açúcar Amargo, de Luiz Puntel, O Feijão e o Sonho, de Orígenes Lessa, Os barcos de papel, de José Maviel Monteiros, Deu a louca no tempo, de Marcelo Duarte, A Ilha Perdida, de Maria José Dupré, A turma da rua quinze, de Marçal Aquino, e O escaravelho do Diabo, de Marcos Rey.
Abaixo, uma entrevista com Martinez, sobre o desafio de recriar uma das coleções de livro com mais bagagem afetiva no mercado editorial brasileiro.
Como foi o processo criativo para redesenhar a coleção, e o próprio personagem símbolo dela?
O processo todo durou cerca de um ano e meio. Começamos ainda em 2013. Trabalhei em alguns conceitos iniciais, que foram apresentados, mas o projeto entrou em compasso de espera por conta da necessidade de remasterizar as ilustrações clássicas (que tanto eu quanto a editora gostaríamos de manter nas capas). Isso envolvia um trabalho de pesquisa e tratamento de imagem interno. Retomamos tudo no final de 2014, já com os dez títulos iniciais definidos e a sugestão do formato 13,5 x 18,5 cm. A partir daí, com um novo cronograma, partimos para refinar as propostas de capa e miolo.
Paralelo a isso havia o redesenho da marca/personagem símbolo. Estudei as diferentes encarnações do Luminoso, como ele se comportava durante as décadas. O desenho dele mudou pouco, mas com o passar do tempo, ganhou uma forma mais infantil, mais da idade dos leitores. Eu queria trazer ele para os dias de hoje, com um visual mais dinâmico. Agora ele veste camiseta preta e all star, e a lâmpada foi posicionada para ficar mais com cara de mochila. Mas se você comparar com as versões anteriores, verá que a essência do personagem ainda está lá (ok, ele não é mais hippie, mas…). A grande questão é que o Luminoso agora é aplicado como uma marca, um ícone da série (antes ele também aparecia nas HQs da orelha dos livros, promovendo o título). E, como marca, é necessário que o desenho funcione com 1 cm de altura em média. Por outro lado, uma vez que pré-defini as aplicações dele dentro do projeto gráfico (ele aparece cinco vezes em cada livro, na capa, lombada, orelha e miolo), pudemos mesclar essas características de marca (versão gray, redução, fundos, assinaturas diferentes etc) com de selo (área de proteção especial, respiro), preservando a identidade do mascote.
O projeto foi entregue para gráfica no primeiro semestre de 2015. Destaco ainda a fundamental participação das responsáveis pela série na Ática, Fabiane Zorn (editora assistente) e Thatiana Kalaes (editora de arte). Fizemos reuniões via skype periódicas, onde cada etapa era consolidada e documentada. Era sempre aprovar a etapa em questão e seguir em frente! É muito, muito bom trabalhar desta forma, com profissionais entusiasmadas e competentes. Fabi e Thati são verdadeira co-autoras do projeto, propondo soluções e apontando caminhos, como a ideia do verniz que brilha no escuro.
Houve uma etapa prévia de pesquisa?
Estudei toda a história da série (por sinal, li vários dos títulos na época da escola!) e os redesenhos prévios de projeto gráfico. A ideia era encontrar um ponto de contato, algo que pudesse dar liga à quase uma centena de títulos do catálogo.
Como foi trabalhar com ilustrações tão diferentes?
São ilustrações diferentes em técnicas, formatos e períodos de criação. Justamente por isso, o conjunto é irregular. O que procuramos foi equilibrar as diferentes qualidades das artes de craques como Edmundo Rodrigues, Mario Cafieiro, Marcus Santana e Alcy. Como pude desenhar as primeiras dez capas da nova coleção, procurei dar cortes nos desenhos, preservando o assunto principal de cada ilustra e criando uma unidade.
Considerando o histórico afetivo da coleção, como ela se relaciona com as antigas versões da coleção Vaga-Lume?
Ela respeita o clássico. Isso pra mim era fundamental. São textos publicados desde o início dos anos 1970, com tiragens iniciais de mais de 80 mil cópias. Juntos, já venderam mais de 7,5 milhões de exemplares para diversas gerações de leitores. Não seria o caso de apenas reembalar de forma moderna. O projeto todo tem um formatinho gostoso de pegar e de ler – bem impresso, com margens e entrelinhas agradáveis, explorando o miolo em duas cores sobre papel pólen. As capas têm uma pegada meio moleskine, com a etiqueta de título por cima e o rastro do Luminoso impresso em verniz que brilha no escuro. A orelha conta a história da coleção e do mascote. É um projeto afetuoso e muito bem cuidado. :)
Qual a fonte utilizada?
Rooney e Skola Sans.
Marcelo Martinez é designer gráfico, ilustrador e autor. Com mais de duas décadas de atuação profissional, assinou projetos exibidos e premiados em mostras de design, ilustração e animação em países das Américas, Ásia, África e Europa, e registrados em mais de uma dúzia de publicações internacionais. É autor da série de livros infanto-juvenis 'O Guia Secreto do SabeTudo' (Ediouro/Coquetel, 2014/...); do livro infantil '20 disfarces para um homenzinho narigudo' (Nova Fronteira, 2013); e co-organizador do 'Livro-Jogo das Copas Globo Esporte' (Casa da Palavra, 2010). Faz parte do time de roteiristas de humor da TV Globo.
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| Edições originais da coleção, publicadas nos anos 70-80. |
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| Luminoso, mascote da coleção, em suas encarnações ao longo de três décadas. |
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| Luminoso, versão 2015 |
O processo todo durou cerca de um ano e meio. Começamos ainda em 2013. Trabalhei em alguns conceitos iniciais, que foram apresentados, mas o projeto entrou em compasso de espera por conta da necessidade de remasterizar as ilustrações clássicas (que tanto eu quanto a editora gostaríamos de manter nas capas). Isso envolvia um trabalho de pesquisa e tratamento de imagem interno. Retomamos tudo no final de 2014, já com os dez títulos iniciais definidos e a sugestão do formato 13,5 x 18,5 cm. A partir daí, com um novo cronograma, partimos para refinar as propostas de capa e miolo.
O projeto foi entregue para gráfica no primeiro semestre de 2015. Destaco ainda a fundamental participação das responsáveis pela série na Ática, Fabiane Zorn (editora assistente) e Thatiana Kalaes (editora de arte). Fizemos reuniões via skype periódicas, onde cada etapa era consolidada e documentada. Era sempre aprovar a etapa em questão e seguir em frente! É muito, muito bom trabalhar desta forma, com profissionais entusiasmadas e competentes. Fabi e Thati são verdadeira co-autoras do projeto, propondo soluções e apontando caminhos, como a ideia do verniz que brilha no escuro.
Houve uma etapa prévia de pesquisa?
Estudei toda a história da série (por sinal, li vários dos títulos na época da escola!) e os redesenhos prévios de projeto gráfico. A ideia era encontrar um ponto de contato, algo que pudesse dar liga à quase uma centena de títulos do catálogo.
Como foi trabalhar com ilustrações tão diferentes?
São ilustrações diferentes em técnicas, formatos e períodos de criação. Justamente por isso, o conjunto é irregular. O que procuramos foi equilibrar as diferentes qualidades das artes de craques como Edmundo Rodrigues, Mario Cafieiro, Marcus Santana e Alcy. Como pude desenhar as primeiras dez capas da nova coleção, procurei dar cortes nos desenhos, preservando o assunto principal de cada ilustra e criando uma unidade.
Considerando o histórico afetivo da coleção, como ela se relaciona com as antigas versões da coleção Vaga-Lume?
Ela respeita o clássico. Isso pra mim era fundamental. São textos publicados desde o início dos anos 1970, com tiragens iniciais de mais de 80 mil cópias. Juntos, já venderam mais de 7,5 milhões de exemplares para diversas gerações de leitores. Não seria o caso de apenas reembalar de forma moderna. O projeto todo tem um formatinho gostoso de pegar e de ler – bem impresso, com margens e entrelinhas agradáveis, explorando o miolo em duas cores sobre papel pólen. As capas têm uma pegada meio moleskine, com a etiqueta de título por cima e o rastro do Luminoso impresso em verniz que brilha no escuro. A orelha conta a história da coleção e do mascote. É um projeto afetuoso e muito bem cuidado. :)
Qual a fonte utilizada?
Rooney e Skola Sans.
Marcelo Martinez é designer gráfico, ilustrador e autor. Com mais de duas décadas de atuação profissional, assinou projetos exibidos e premiados em mostras de design, ilustração e animação em países das Américas, Ásia, África e Europa, e registrados em mais de uma dúzia de publicações internacionais. É autor da série de livros infanto-juvenis 'O Guia Secreto do SabeTudo' (Ediouro/Coquetel, 2014/...); do livro infantil '20 disfarces para um homenzinho narigudo' (Nova Fronteira, 2013); e co-organizador do 'Livro-Jogo das Copas Globo Esporte' (Casa da Palavra, 2010). Faz parte do time de roteiristas de humor da TV Globo.
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