Editada desde 2013, a coleção Boss Fight Books é composta por livros analisando grandes games de forma histórica, critica e pessoal. Até agora a editora já lançou treze títulos.
segunda-feira, 23 de maio de 2016
sexta-feira, 20 de maio de 2016
Mil Folhas
Capa e projeto gráfico de Maria Carolina Sampaio e Paulo André Chagas, para o livro Mil-folhas - história ilustrada do doce, de Lucrecia Zappi, editado em 2010 pela extinta Cosac Naify.
quinta-feira, 19 de maio de 2016
Fragosas Brenhas do Mataréu
Design de capa e projeto gráfico do miolo do livro Fragosas Brenhas do Mataréu, romance histórico juvenil de Ricardo Azevedo ambientado nos primeiros anos da colonização do Brasil. Lançado pela Editora Àtica, com capa e projeto gráfico de Rafael Nobre, da Babilônia Editorial.
O texto do livro reconstitui a linguagem do Brasil do século XVI, e o projeto gráfico é cheio de pequenos detalhes, do índice ás aberturas de capítulos. O miolo do texto usa a fonte Requiem, criada por Johnatan Hoefler , inspirada no manual de caligrafia de Ludovico Arrighi de 1523.
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| (a capa possui um acabamento com tinta verde metálica) |
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| clique para ampliar |
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| clique para ampliar |
quarta-feira, 18 de maio de 2016
The Art of Atari
Um coffee table book para chamar de seu: The Art of Atari só será lançado em 25 de outubro desse ano (2016), mas já está em pré-venda em sites gringos. Mais artes podem ser conferidas no site www.artofatari.com
terça-feira, 17 de maio de 2016
segunda-feira, 16 de maio de 2016
Penguin Galaxy Series
A Penguin norte-americana está lançando a coleção Penguin Galaxy Series, com uma seleção de títulos clássicos da ficção científica e fantasia em edições de capa dura, com introduções de Neil Gaiman e capas tipográficas do designer espanhol Alex Trochut.
Os livros serão lançados em outubro desse ano.
Abaixo, imagens da frente e do verso das edições (clique para ampliar).
Os livros serão lançados em outubro desse ano.
Abaixo, imagens da frente e do verso das edições (clique para ampliar).
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| Duna, de Frank Herbert |
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| 2001: Uma odisséia no espaço, de Arthur C. Clarke |
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| A mão esquerda da escuridão, de Ursula K. LeGuin |
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| Neuromancer, de William Gibson |
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| Estranhos numa terra estranha, de Robert Heinlein |
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| A Espada na Pedra (O Único e Eterno Rei, vol. 1), de T. H. White |
terça-feira, 19 de abril de 2016
O caminho estreito para os confins do norte
O caminho estreito para os confins do norte
Autor: Richard Flanagan
Designer: Bloco Gráfico
Editora: Globo (Biblioteca Azul)
Fonte: Estilo
Acabamento: pantone metálico e cores especiais.
Aclamado com o Man Booker Prize em 2014, O caminho estreito para os confins do norte, de Richard Flanagan, foi lançado no Brasil pela Biblioteca Azul, selo da Editora Globo. O romance narra a história de Dorrigo Evans, um jovem que vai para Melbourne estudar medicina e se alista no exército. Capturado pelo exército japonês, é obrigado a trabalhar na construção da Estrada de ferro de Thai-Bhurma, também conhecida como a Ferrovia da Morte. Misturando elementos históricos e de ficção. O relato da guerra é inspirado na vida do pai do autor, um dos sobreviventes dos trabalhos forçados na “Linha”. Idealizada pelo Império japonês para dar suporte às tropas na campanha da Birmânia, a ferrovia tem 415 km de extensão e mais de 14 mil homens morreram durante a construção.
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| A capa aberta (clique para ampliar) |
A criação da capa ficou a cargo do estúdio de design Bloco Gráfico, formado pelos designers Gabriela Castro, Gustavo Marchetti e Paulo André Chagas. Abaixo, Gustavo Marchetti responde a uma rápida entrevista sobre o processo criativo da capa, com as várias versões criadas até chegar ao resultado final, e fala um pouco sobre o estúdio.
O livro funde uma história de guerra com uma história de amor. Que caminhos vocês buscaram seguir e que caminhos tentaram evitar, para dar à capa sua própria personalidade?
Fazer esse projeto foi algo muito instigante para nós, principalmente pelo rico diálogo com Estevão Azevedo, o editor. Em nossa primeira reunião, ele nos contou um pouco do romance, nos deu alguns caminhos: não usar fotos de guerra, pois poderiam ficar muito fortes e o livro não era apenas sobre isso; ele também citou uma inspiração: as capas dos livros do Bashô de mesmo título. O desafio dessa capa era justamente esse: a convivência do tema da guerra com uma história de amor e também o envelhecimento do protagonista.
Além disso, esse livro foi lançado com um outro do mesmo autor (O livro de peixes de Gould) e a ideia era estabelecer uma identidade entre eles, que fossem identificados como do mesmo autor, mas mantendo a individualidade de cada um. Foi um longo processo até chegarmos à versão final. Começamos com capas bem geométricas, que enfatizavam a ideia do caminho e o trilho do trem e tinham como referência padronagens orientais, mas que deixavam um pouco de lado a relação entre amor e guerra. Depois, utilizamos imagens de uma enciclopédia iconográfica de gravuras do final do século XIX, mas as capas continuavam muito sóbrias e até com um ar um pouco acadêmico.
Nossa ideia então foi explorar o uso de camadas para contemplar essa sobreposição de narrativas. As ilustrações utilizadas no “O caminho estreito…” são desenhos de guerra com anotações, como um diário, encontrados no Australian War Memorial, de um prisioneiro de guerra real da história que é ficcionalizada no livro. em contraposição a alguns desenhos de botânica também da época. Utilizamos o mesmo procedimento de sobreposição também no O livro de peixes… (com os desenhos de William Gould).
A diferenciação entre os dois se dá também através das cores, que foram escolhidas com o intuito de tirar um pouco a cara de “capa de época” dos livros. No caso do O caminho estreito… optamos pelo contraste do cobre com um rosa bem vivo. Ficamos muito satisfeitos com o resultado final.
Há um livro do poeta japonês Bashô que compartilha do mesmo título, isso influenciou no processo do design, numa aproximação ou num distanciamento com as capas das edições estrangeiras dele?
Fazer esse projeto foi algo muito instigante para nós, principalmente pelo rico diálogo com Estevão Azevedo, o editor. Em nossa primeira reunião, ele nos contou um pouco do romance, nos deu alguns caminhos: não usar fotos de guerra, pois poderiam ficar muito fortes e o livro não era apenas sobre isso; ele também citou uma inspiração: as capas dos livros do Bashô de mesmo título. O desafio dessa capa era justamente esse: a convivência do tema da guerra com uma história de amor e também o envelhecimento do protagonista.
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| Primeiras opções: linhas geométricas (clique para ampliar) |
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| Novas variações: contraposições (clique para ampliar) |
A diferenciação entre os dois se dá também através das cores, que foram escolhidas com o intuito de tirar um pouco a cara de “capa de época” dos livros. No caso do O caminho estreito… optamos pelo contraste do cobre com um rosa bem vivo. Ficamos muito satisfeitos com o resultado final.
Há um livro do poeta japonês Bashô que compartilha do mesmo título, isso influenciou no processo do design, numa aproximação ou num distanciamento com as capas das edições estrangeiras dele?
Como contamos um pouco acima, um elemento forte dos primeiros estudos era a influência da arte japonesa (até porque o livro faz menção explícita ao poeta), contudo mais ligada às padronagens abstratas, talvez mais relacionadas aos livros japoneses (mais que a arte em si). Mas optamos pelo caminho dos desenhos sobrepostos, achamos mais interessante para o romance.
Qual a fonte escolhida, e o que os levou a escolher essa fonte?
Qual a fonte escolhida, e o que os levou a escolher essa fonte?
A fonte é a Estilo, do português Dino dos Santos. A ideia era usar uma fonte que tivesse uma grande variedade de desenhos das mesmas letras e muitas ligaturas, pois a utilizaríamos nos dois livros do autor. A ideia era que ela se adaptasse à cada livro, dando personalidade aos títulos, mas que fosse bem geométrica, para se destacar do fundo com a sobreposição dos desenhos, e que, ainda assim, fosse identificada como família (mas mais pelo princípio construtivo do que por variações de peso, por exemplo).
Que acabamentos especiais foram usados na capa? Eles trouxeram alguma dificuldade a ser contornada na produção gráfica do livro?
Que acabamentos especiais foram usados na capa? Eles trouxeram alguma dificuldade a ser contornada na produção gráfica do livro?
Utilizamos duas cores especiais, além do preto, e fizemos testes para nos certificarmos que o pantone metálico não daria rejeição sobre as outras tintas.
Como surgiu o Bloco Gráfico, e qual a proposta do estúdio?
Como surgiu o Bloco Gráfico, e qual a proposta do estúdio?
Nós três trabalhamos juntos na editora Cosac Naify por muitos anos e, em um certo momento, projetos em outras áreas começaram a surgir, então decidimos nos unir, e essa demanda foi crescendo ao longo do tempo. A proposta do estúdio é atuar em diversos campos do design, tanto no editorial quanto em projetos de identidade visual e expográficos.
sexta-feira, 11 de março de 2016
Salões de Paris
Design de Tereza Bettinardi
Salões de Paris
Autor: Marcel Proust
Designer: Tereza Bettinardi
Editora: Carambaia
Acabamento: hot-stamp dourado.
Antes de se tornar o autor consagrado de Em busca do tempo perdido, Marcel Proust, como tantos escritores de sua época, passou pelo jornalismo. Foi nos periódicos franceses que publicou seus primeiros textos: crônicas em que descreve os salões parisienses – espécies de saraus literários e musicais, frequentados por aristocratas e gente da alta sociedade da época –, críticas de moda, arte e literatura, além de textos inspirados na atualidade política e até policial.
Editado pela Carambaia, numa edição em capa-dura com lombada dourada, o projeto gráfico é de Tereza Bettinardi e tem uma tiragem numerada de 1000 exemplares. São 21 crônicas escritas por Proust e publicadas na imprensa francesa, principalmente no jornal Le Figaro, mas também em periódicos de curta duração como o Le Mensuel (que circulou entre outubro de 1890 e setembro de 1891) ou revistas especializadas, como a Revue d’Art Dramatique (1886-1909) ou a Revue Blanche (1889-1903). O projeto gráfico do livro é da designer gaúcha Tereza Bettinardi, cuja entrevista a esse blog segue abaixo:
Como você se tornou designer de livros?
Apesar de sempre trabalhar com design editorial – primeiro na Editora Abril e depois no Máquina Estúdio, com Kiko Farkas – considero que aprendi mesmo a fazer livros durante o tempo que trabalhei na Cosac Naify. Foram dois anos de aprendizado intenso, uma experiência muito rica de troca, onde eu entendi o processo e os caminhos do livro.
Como fato curioso, lembro que durante a entrevista com Elaine [diretora de arte da Cosac Naify], enquanto analisava o meu portfolio [que consistia basicamente de revistas e outras publicações, mas poucos livros], ela fez o seguinte comentário e pergunta: seu trabalho explora a tipografia com um volume muito alto, você estaria disposta a trabalhar com livros onde a tipografia é um pouco mais silenciosa? Na hora respondi algo que carrego comigo até hoje: cada projeto é uma pergunta e se até o momento respondi daquela forma mais é porque as perguntas me guiavam para aquele caminho.
O que você acredita que faz de uma capa uma boa capa?
Gosto de pensar a capa [não só a capa, mas o projeto gráfico do livro como um todo] como um encontro. Um encontro do autor, designer, editor, leitor. O sucesso dela depende disso. Como designer, penso que ela precisa despertar a curiosidade do leitor e trazer um pouco do universo da história.
Como foi o processo criativo para se chegar nessa capa?
Já tinha feito dois outros projetos – um pessoal e outro encomendado pela Companhia das Letras – com o uso de padrões e ornamentos. Não sou pesquisadora ou expert no assunto, mas gosto muito de incorporar pesquisas pessoais em projetos assim. Logo depois da primeira reunião com os editores e tradutores deste livro, fiquei por dias no acervo digital da Biblioteca de Paris pesquisando edições anteriores dos livros do Proust. Até aí nada demais, mas a partir daí fiz uma extensa pesquisa de objetos art nouveau. Aí me veio a ideia de que este livro poderia ser todo dourado... com um padrão simples, mas que cobrisse toda a capa. Então na verdade, respondendo a tua pergunta, acho que a capa foi resultado do pensamento do livro todo, quando eu comecei a pensá-lo como um objeto.
Lembro que na primeira apresentação [ver imagem acima], mostrei uma versão em que misturava letterpress com estes ornamentos. A tipografia era mais agressiva, na época pensei que poderia ser interessante este contraste e como todos os textos selecionados tinham sido publicados em jornais, achei que cabia. Lembro que a capa já tinha sido aprovada com uma certa antecedência... mas logo depois de aprovada, fiquei achando que ela precisava de um tempo para amadurecer e deveria olhar para ela com os olhos mais frescos na finalização. Algo me dizia que ainda não tinha chegado no melhor resultado. Até que dois meses depois da aprovação, voltei e achei que era a chance de refazer o desenho da capa. Fiquei até receosa por dar este passo para trás e correr o risco dos editores não aprovarem, mas achei melhor arriscar. Foi então que entendi que deveria partir para algo mais elegante e a opção pelo lettering vertical surgiu como uma consequencia deste raciocínio. Fiquei feliz por contar com este tempo de "amadurecimento".
Houve alguma dificuldade a ser contornada, em termos de produção gráfica ou design?
Sim. Algo bem simples na verdade. A ideia é que a lombada do livro fosse feita de tecido, no entanto a produção gráfica me aconselhou a desistir da ideia em função do acabamento [o tecido poderia desfiar no corte trilateral].
Houve uma etapa de preparação antes de começar o projeto em si?
Além da pesquisa e da leitura dos textos do livro, lembro que assisti um documentário sobre o Proust e ouvi um podcast sobre Belle Epoque. Gosto deste mergulho, quanto mais fundo melhor... no entanto, às vezes nem sempre é possível.
O que você diria que faz essa capa funcionar, que faz ela ser o que é?
Eu acho que esta capa chama atenção [por incrível que pareça!] pela simplicidade. A ideia do ornamento composto só pelo semi-circulo e as diferentes combinações, a sobreposição de elementos, a simplicidade de cores. O material também traz um certo interesse: papel holler preto + serigrafia + hot stamping. Acho que estas diferentes texturas somaram ao projeto.
Tereza Bettinardi é graduada em Desenho Industrial/Programação Visual pela Universidade Federal de Santa Maria (RS). Em 2006, mudou-se para São Paulo onde começou a trabalhar na Editora Abril como designer em diversas revistas, entre elas Superinteressante e Capricho. Integrou as equipes de design do Máquina Estudio/Kiko Farkas e da Cosac Naify. Dentre os inúmeros projetos na editora, foi laureada com um Jabuti pelo projeto gráfico do livro Decameron de Giovanni Boccaccio desenvolvido em conjunto com Elaine Ramos. Foi professora visitante do módulo da pós-graduação no curso de design editorial do Istituto Europeo di Design em São Paulo em 2014 e atualmente é professora convidada do Curso de Especialização em Design Gráfico na Unicamp. Foi residente do Curso de Escrita e Crítica em Design na School of Visual Arts em Nova York. Atualmente trabalha como designer independente desenvolvendo projetos para diversas editoras.
Salões de Paris
Autor: Marcel Proust
Designer: Tereza Bettinardi
Editora: Carambaia
Acabamento: hot-stamp dourado.
Antes de se tornar o autor consagrado de Em busca do tempo perdido, Marcel Proust, como tantos escritores de sua época, passou pelo jornalismo. Foi nos periódicos franceses que publicou seus primeiros textos: crônicas em que descreve os salões parisienses – espécies de saraus literários e musicais, frequentados por aristocratas e gente da alta sociedade da época –, críticas de moda, arte e literatura, além de textos inspirados na atualidade política e até policial.
Como você se tornou designer de livros?
Apesar de sempre trabalhar com design editorial – primeiro na Editora Abril e depois no Máquina Estúdio, com Kiko Farkas – considero que aprendi mesmo a fazer livros durante o tempo que trabalhei na Cosac Naify. Foram dois anos de aprendizado intenso, uma experiência muito rica de troca, onde eu entendi o processo e os caminhos do livro.
Como fato curioso, lembro que durante a entrevista com Elaine [diretora de arte da Cosac Naify], enquanto analisava o meu portfolio [que consistia basicamente de revistas e outras publicações, mas poucos livros], ela fez o seguinte comentário e pergunta: seu trabalho explora a tipografia com um volume muito alto, você estaria disposta a trabalhar com livros onde a tipografia é um pouco mais silenciosa? Na hora respondi algo que carrego comigo até hoje: cada projeto é uma pergunta e se até o momento respondi daquela forma mais é porque as perguntas me guiavam para aquele caminho.
O que você acredita que faz de uma capa uma boa capa?
Gosto de pensar a capa [não só a capa, mas o projeto gráfico do livro como um todo] como um encontro. Um encontro do autor, designer, editor, leitor. O sucesso dela depende disso. Como designer, penso que ela precisa despertar a curiosidade do leitor e trazer um pouco do universo da história.
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| Primeira versão aprovada da capa |
Já tinha feito dois outros projetos – um pessoal e outro encomendado pela Companhia das Letras – com o uso de padrões e ornamentos. Não sou pesquisadora ou expert no assunto, mas gosto muito de incorporar pesquisas pessoais em projetos assim. Logo depois da primeira reunião com os editores e tradutores deste livro, fiquei por dias no acervo digital da Biblioteca de Paris pesquisando edições anteriores dos livros do Proust. Até aí nada demais, mas a partir daí fiz uma extensa pesquisa de objetos art nouveau. Aí me veio a ideia de que este livro poderia ser todo dourado... com um padrão simples, mas que cobrisse toda a capa. Então na verdade, respondendo a tua pergunta, acho que a capa foi resultado do pensamento do livro todo, quando eu comecei a pensá-lo como um objeto.
Lembro que na primeira apresentação [ver imagem acima], mostrei uma versão em que misturava letterpress com estes ornamentos. A tipografia era mais agressiva, na época pensei que poderia ser interessante este contraste e como todos os textos selecionados tinham sido publicados em jornais, achei que cabia. Lembro que a capa já tinha sido aprovada com uma certa antecedência... mas logo depois de aprovada, fiquei achando que ela precisava de um tempo para amadurecer e deveria olhar para ela com os olhos mais frescos na finalização. Algo me dizia que ainda não tinha chegado no melhor resultado. Até que dois meses depois da aprovação, voltei e achei que era a chance de refazer o desenho da capa. Fiquei até receosa por dar este passo para trás e correr o risco dos editores não aprovarem, mas achei melhor arriscar. Foi então que entendi que deveria partir para algo mais elegante e a opção pelo lettering vertical surgiu como uma consequencia deste raciocínio. Fiquei feliz por contar com este tempo de "amadurecimento".
Houve alguma dificuldade a ser contornada, em termos de produção gráfica ou design?
Sim. Algo bem simples na verdade. A ideia é que a lombada do livro fosse feita de tecido, no entanto a produção gráfica me aconselhou a desistir da ideia em função do acabamento [o tecido poderia desfiar no corte trilateral].
Houve uma etapa de preparação antes de começar o projeto em si?
Além da pesquisa e da leitura dos textos do livro, lembro que assisti um documentário sobre o Proust e ouvi um podcast sobre Belle Epoque. Gosto deste mergulho, quanto mais fundo melhor... no entanto, às vezes nem sempre é possível.
O que você diria que faz essa capa funcionar, que faz ela ser o que é?
Eu acho que esta capa chama atenção [por incrível que pareça!] pela simplicidade. A ideia do ornamento composto só pelo semi-circulo e as diferentes combinações, a sobreposição de elementos, a simplicidade de cores. O material também traz um certo interesse: papel holler preto + serigrafia + hot stamping. Acho que estas diferentes texturas somaram ao projeto.
Tereza Bettinardi é graduada em Desenho Industrial/Programação Visual pela Universidade Federal de Santa Maria (RS). Em 2006, mudou-se para São Paulo onde começou a trabalhar na Editora Abril como designer em diversas revistas, entre elas Superinteressante e Capricho. Integrou as equipes de design do Máquina Estudio/Kiko Farkas e da Cosac Naify. Dentre os inúmeros projetos na editora, foi laureada com um Jabuti pelo projeto gráfico do livro Decameron de Giovanni Boccaccio desenvolvido em conjunto com Elaine Ramos. Foi professora visitante do módulo da pós-graduação no curso de design editorial do Istituto Europeo di Design em São Paulo em 2014 e atualmente é professora convidada do Curso de Especialização em Design Gráfico na Unicamp. Foi residente do Curso de Escrita e Crítica em Design na School of Visual Arts em Nova York. Atualmente trabalha como designer independente desenvolvendo projetos para diversas editoras.
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