No excelente blog da Companhia das Letras, os funcionários da editora volta e meia respondem dúvidas dos leitores. Nesse aqui, sobre a criação de capas e projetos gráficos dos livros da editora.
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
10 capas de 2010
O blog Casmurros me pediu para listar 10 capas favoritas do ano passado. Não está em nenhuma ordem de preferência específica, e depois que terminei ela, pensei em pelo menos umas três capas mais, que poderia ter colocado ali. Mas, listas são só uma forma de se criar ordens arbitrárias a partir da aleatoriedade, e essa não é excessão.
Clique aqui para ver a listagem lá no Casmurros.
Clique aqui para ver a listagem lá no Casmurros.
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Mais Penguin Classics Deluxe Editions
Direção de arte de Paul Buckley e Helen Yentus
Num post de mais de ano atrás, coloquei aqui as capas das edições Deluxe lançadas pela Penguin inglesa, eleitas em 2008 pelo Design Museum de Londres como o design mais inovador daquele ano. De lá pra cá, mais algumas edições foram lançadas, que coloco abaixo (clique para ampliar):
O manifesto comunista, de Marx e Engels. Capa por Patrice Killoffer
Contos de Canterbury, de Geoffrey de Chaucer. Capa por Ted Stearn
Grandes Esperanças, de Charles Dickens. Capa por Richard Sala
E para 2011, mais três livros com capas do designer de moda Ruben Toledo: Drácula, de Bram Stoker, Jane Eyre, de Charlotte Brönte, e O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde (e tenho que dizer que não gostei de nenhuma das três).
Num post de mais de ano atrás, coloquei aqui as capas das edições Deluxe lançadas pela Penguin inglesa, eleitas em 2008 pelo Design Museum de Londres como o design mais inovador daquele ano. De lá pra cá, mais algumas edições foram lançadas, que coloco abaixo (clique para ampliar):
O manifesto comunista, de Marx e Engels. Capa por Patrice Killoffer
Contos de Canterbury, de Geoffrey de Chaucer. Capa por Ted Stearn
Grandes Esperanças, de Charles Dickens. Capa por Richard SalaE para 2011, mais três livros com capas do designer de moda Ruben Toledo: Drácula, de Bram Stoker, Jane Eyre, de Charlotte Brönte, e O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde (e tenho que dizer que não gostei de nenhuma das três).
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Post para ler no meio da tarde
Nunca tive a oportunidade de fazer uma capa de livro de receitas, mas imagino que tudo gire em torno de fazer o leitor comprar com os olhos. Nesse caso, a coisa mais importante acaba sendo como usar as fotos. Aqui vão quatro exemplos bem interessantes: um que não usa foto nenhuma, um que usa varias, um onde a foto é apenas uma textura, e outro onde a capa do livro se resume à foto.
Mil-Folhas: história ilustrada do doce, de Lucrécia Zappi (Cosac Naify). A capa repleta de ilustrações retrô com ares de almanaque me parece passar bem essa intenção do livro, de apelo muito mais histórico do que propriamente gastronômico - o que, por sua vez, desperta o apetite do leitor interessado tanto ou mais do que se tivesse sido usada uma foto de doce.

Petit Larousse do Chocolate, ed. Larousse do Brasil. A escolha das fonte da etiqueta, o detalhe do box da lombada vazando para a frente da capa como se fosse uma encadernação antiga dão o tom de "livro tradicional" que o peso da marca Larousse pede. Bem melhor, por exemplo, do que a Larousse das Sobremesas, que usa o famigerado degradé por trás da foto, mata a capa.

O mundo dos cupcakes, de Carola Crema (DBA Editores). O sabor da capa está no ultracolorido na combinação da foto de fundo e do lettering - e a foto dos doces nem chega a ser tão importante assim, até porquê estão desfocados. A simpatia e o colorido do lettering se encarregam de abrir o apetite.

O livro do brigadeiro, de Juliana Motter (Panda Books). Não gosto da escolha meio desconjuntada de fontes - três diferentes, sem que haja um motivo aparente pra tanto. Mas, nesse caso, é a foto que diz tudo.
Mil-Folhas: história ilustrada do doce, de Lucrécia Zappi (Cosac Naify). A capa repleta de ilustrações retrô com ares de almanaque me parece passar bem essa intenção do livro, de apelo muito mais histórico do que propriamente gastronômico - o que, por sua vez, desperta o apetite do leitor interessado tanto ou mais do que se tivesse sido usada uma foto de doce.

Petit Larousse do Chocolate, ed. Larousse do Brasil. A escolha das fonte da etiqueta, o detalhe do box da lombada vazando para a frente da capa como se fosse uma encadernação antiga dão o tom de "livro tradicional" que o peso da marca Larousse pede. Bem melhor, por exemplo, do que a Larousse das Sobremesas, que usa o famigerado degradé por trás da foto, mata a capa.

O mundo dos cupcakes, de Carola Crema (DBA Editores). O sabor da capa está no ultracolorido na combinação da foto de fundo e do lettering - e a foto dos doces nem chega a ser tão importante assim, até porquê estão desfocados. A simpatia e o colorido do lettering se encarregam de abrir o apetite.

O livro do brigadeiro, de Juliana Motter (Panda Books). Não gosto da escolha meio desconjuntada de fontes - três diferentes, sem que haja um motivo aparente pra tanto. Mas, nesse caso, é a foto que diz tudo.
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Essential Penguins
Publicado originalmente nos anos noventa com um catálogo de 80 títulos, a série de clássicos do século vinte com capas por diferentes designers volta a ser publicada em 2011, reduzida para vinte títulos, sob o título de "Essential Penguins". Dessas vinte, 18 seguem abaixo (sem o nome dos designers de cada uma, infelizmente). Fonte: Caustic Cover Critic.


































segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Menos é mais
Tendo uma boa imagem, sair do caminho e deixar que ela fale sozinha é uma opção estética bacana. O trabalho acaba sendo mais sutil - escolha da fonte e posicionamento do lettering, o tipo de trabalho que passa despercebido e não é valorizado (e não faltariam exemplos, principalmente em livros de arte, de trabalhos onde o capista não soube aproveitar a imagem que tinha em mãos e atrapalhou tudo simplesmente por querer colocar elementos onde seria melhor não fazer nada).
Abaixo, três capas que me agradam muito pela decisão feliz na escolha da imagem, e na decisão de não atrapalhá-la.
O outono da Idade Média, de Johan Huizinga (Cosac Naify). Projeto gráfico de Gustavo Marchetti,

Hitler, de Ian Kershaw (Companhia das Letras). Capa de Kiko Farkas e Mateus Valadares / Máquina Estúdio (aqui o tratamento não é tão mínimo assim, pois temos o detalhe da foto quebrada, que acrescenta uma dose extra de impacto na imagem, mas de um modo que não parece um efeito sobreposto à ela, mas que faz parte dela. E a foto em si - Hitler ao lado do cão Wolf - já é um bocado sinistra e impactante).
[atualizando] Daniel Justi diz, nos comentários, que não se trata de um tratamento sobre a foto: quebrá-la era a forma como Hitler reprovava suas fotos pessoais. O que, concordo, deixa ainda mais interessante que sua biografia tenha justamente essa foto na capa.
[atualizando(2)] Tivesse sido eu mais atento, teria visto antes esse ótimo post no blog da Companhia das Letras, explicando o processo de criação da capa, os detalhes da foto quebrada, e incluindo uma opção não utilizada da capa, mais gráfica.

O grande jogo de Billy Phelan, de William Kenndy
Esse é livro é ainda mais bonito ao vivo, não apenas por ser em capa-dura, mas também pelo efeito do relevo em zigue-zague. (Não encontrei a referência do nome do capista, assim que souber, atualizo aqui).

Irmãos, de Yu Hua, capa de Mayumi Okuyama. É ainda mais bonita no livro físico, onde o título é impresso com uma tinta levemente fosforescente.
Abaixo, três capas que me agradam muito pela decisão feliz na escolha da imagem, e na decisão de não atrapalhá-la.
O outono da Idade Média, de Johan Huizinga (Cosac Naify). Projeto gráfico de Gustavo Marchetti,

Hitler, de Ian Kershaw (Companhia das Letras). Capa de Kiko Farkas e Mateus Valadares / Máquina Estúdio (aqui o tratamento não é tão mínimo assim, pois temos o detalhe da foto quebrada, que acrescenta uma dose extra de impacto na imagem, mas de um modo que não parece um efeito sobreposto à ela, mas que faz parte dela. E a foto em si - Hitler ao lado do cão Wolf - já é um bocado sinistra e impactante).
[atualizando] Daniel Justi diz, nos comentários, que não se trata de um tratamento sobre a foto: quebrá-la era a forma como Hitler reprovava suas fotos pessoais. O que, concordo, deixa ainda mais interessante que sua biografia tenha justamente essa foto na capa.
[atualizando(2)] Tivesse sido eu mais atento, teria visto antes esse ótimo post no blog da Companhia das Letras, explicando o processo de criação da capa, os detalhes da foto quebrada, e incluindo uma opção não utilizada da capa, mais gráfica.

O grande jogo de Billy Phelan, de William Kenndy
Esse é livro é ainda mais bonito ao vivo, não apenas por ser em capa-dura, mas também pelo efeito do relevo em zigue-zague. (Não encontrei a referência do nome do capista, assim que souber, atualizo aqui).

Irmãos, de Yu Hua, capa de Mayumi Okuyama. É ainda mais bonita no livro físico, onde o título é impresso com uma tinta levemente fosforescente.
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Chabon pela HarperCollins UK
Antes, um balanço do ano que passou: em novembro último, esse blog completou um ano com 1500 acessos por mês, o que é pouco, mas para mim, que comecei esse blog antes de mais nada para ter onde guardar e compartilhar referências que uso, está mais do que bom.
Agora de volta à programação normal: como disse num post anterior, sou grande fã não só dos livros do Michael Chabon (curiosamente, um livro dele foi o assunto da capa do primeiro post desse blog), como do excelente tratamento gráfico que a obra dele geralmente recebe, ao menos nas edições estrangeiras. Abaixo, o trabalho do designer inglês Richard Bravery para os livros de Chabon publicados pela HarperCollins inglesa. Em geral, as artes remetem bastante ao estilo de Chris Ware, mas segundo o capista, é uma semelhança acidental (no caso da capa de Kavalier e Clay, a referência eram os desenhos de Jack Kirby).








Dos livros aqui listados, Werewolves in their youth e A Modern World, ambos livros de contos, Summerland, uma fantasia infanto-juvenil de 500 páginas, e Manhood for Amateurs, de ensaios, não foram ainda lançados em português.
Agora de volta à programação normal: como disse num post anterior, sou grande fã não só dos livros do Michael Chabon (curiosamente, um livro dele foi o assunto da capa do primeiro post desse blog), como do excelente tratamento gráfico que a obra dele geralmente recebe, ao menos nas edições estrangeiras. Abaixo, o trabalho do designer inglês Richard Bravery para os livros de Chabon publicados pela HarperCollins inglesa. Em geral, as artes remetem bastante ao estilo de Chris Ware, mas segundo o capista, é uma semelhança acidental (no caso da capa de Kavalier e Clay, a referência eram os desenhos de Jack Kirby).








Dos livros aqui listados, Werewolves in their youth e A Modern World, ambos livros de contos, Summerland, uma fantasia infanto-juvenil de 500 páginas, e Manhood for Amateurs, de ensaios, não foram ainda lançados em português.
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
Capas feias?
Uma coisa que eu tinha decidido era de não mais falar mal do trabalho alheio - por mais que isso seja divertido, no caso das capas da Martin Claret (mas agora mesmo eles começaram a fazer projetos gráficos decentes e creditar tradutores, e assim o mundo perde o sentido) por que não quero usar esse espaço de forma negativa, muito menos ganhar inimizades, ou perder tempo falando sobre coisas de que não gosto, quando há tanto trabalho bom nas prateleiras todo mês e nem sempre lembro de colocar aqui. Porém, PORÉM, eu já tinha separado três capas de que queria comentar. Três capas que, por diferentes motivos, foram consideradas “feias”, e aqui as aspas servem para ressaltar o caráter subjetivo e pessoal de qualquer avaliação estética, seja a sua, a minha ou a do designer da capa.
Uma, é a capa do livro da Ana Maria Braga, A espera dos filhos da luz – mensagens, que vamos tomar como referência de “livro de celebridade”.

Convenhamos que ninguém que realmente leva suas leituras vai se preocupar com um livro escrito pela Ana Maria Braga, então vamos nos sentir à vontade em cair no preconceito de que o livro é ruim sem sequer tê-lo lido. E temos uma capa onde o elemento principal é a foto do AUTOR do livro, o que, fora biografias ou obras de autores mortos, é coisa bem rara pra quem estréia na ficção. É de se imaginar que o editor não veja que outro motivo alguém teria para comprar o livro que não fosse o peso do nome da autora, portanto taca-lhe foto na capa (lembrando que, apesar do que o título dá a entender - e o subtítulo reforça - não é um livro espírita, mas um livro de ficção). Então, temos uma capa bem perdida na sua proposta para um livro que parece bem perdido na sua proposta, arrisco dizer: temos uma capa de livro ruim para um livro ruim, portanto a capa reflete o conteúdo do livro, portanto é uma capa bastante sincera, logo, é uma excelente capa. Parabéns ao designer.

O outro exemplo é a capa do Associação Judaica de Polícia do Michael Chabon. É um livro que tem dois anos, e como eu disse, não vejo sentido em falar mal do trabalho alheio, ainda mais que neste caso específico, onde a designer Flávia Castanheira tem outros ótimos trabalhos com capas. Mas acontece que a) sou muito fã dos livros do Chabon, e b) sou muito fã do design que os livros dele ganham lá fora. A edição americana de Yiddish Policeman Union, um livro policial hard-boiled sobre uma colônia judaica no Alaska, tem uma capa simulando uma tapeçaria inuit com elementos judaicos e policiais. As capas das edições inglesas buscam o lado pulp com um design mais duro, vetorial, como um livro dos anos cinquenta. A edição brasileira parece um WordArt. O fundo, um padrão formado por várias estrelas de davi e cristais de gelo, é prata, e não cinza como aparece na imagem, mas o efeito bacana que isso provoca no livro físico é diminuído pela ilustração vetorial básica e sem impacto, e as fontes que não parecem conversar com o resto do design. Especialmente triste se pensarmos que Chabon é um autor conhecido por sua capacidade quase infinita de criar descrições surpreendentes e inesperadas de imagens e cores. Diferente do primeiro exemplo, temos aqui um ótimo livro, com uma capa que não está a sua altura.

Terceiro e último exemplo: diversas pessoas vieram me perguntar o que achei da capa do Solar, do Ian McEwan (design de Kiko Farkas e Thiago Lacaz / Máquina Estúdio), assim que foi divulgada. Eu próprio twittei: que horror essa capa. Ter visto ela numa imagem em baixa-resolução também não ajudou muito na minha percepção inicial. Amigos escritores, igualmente fãs de McEwan, vieram me pedir: me explica aquela capa. Calma, vamos lá. Minha impressão inicial não foi nada boa, até ver o livro na prateleira. Vamos por partes: Solar é um livro sobre um cientista vencedor do Nobel, abordando questões sobre o aquecimento global. É também uma comédia, fato que por si só é uma mudança de tom na obra do McEwan, e, ainda não li o livro pra dizer por mim mesmo (é o próximo na fila), dizem ser engraçadíssimo. Isto colocado, temos na capa o rosto não de um urso polar, mas de um tapete de urso polar – nosso urso está bem morto, portanto. Isso dentro do contexto de aquecimento global já diz bastante. Mas também a foto do tapete de urso dá a impressão de que ele está rindo – morto, mas feliz. Conseguiu-se aqui condensar todos os principais elementos do livro numa única imagem, e se isso não for o bastante, basta dizer que, independente dos critérios individuais e subjetivos para avaliação do que é de bom ou de mau gosto, coloque esse livro numa prateleira ao lado de toda a produção editorial do mês, e você verá esse urso polar morto rindo da sua cara se destacando a metros de distância. Pegue-o na mão e ainda sentira o verniz texturizado que deixa a capa áspera ao toque, um diferencial interessante e pouco utilizado. Na verdade, no conjunto da capa como um todo, a capa de Solar é uma das melhores capas que vi serem lançadas em 2010.
Uma, é a capa do livro da Ana Maria Braga, A espera dos filhos da luz – mensagens, que vamos tomar como referência de “livro de celebridade”.

Convenhamos que ninguém que realmente leva suas leituras vai se preocupar com um livro escrito pela Ana Maria Braga, então vamos nos sentir à vontade em cair no preconceito de que o livro é ruim sem sequer tê-lo lido. E temos uma capa onde o elemento principal é a foto do AUTOR do livro, o que, fora biografias ou obras de autores mortos, é coisa bem rara pra quem estréia na ficção. É de se imaginar que o editor não veja que outro motivo alguém teria para comprar o livro que não fosse o peso do nome da autora, portanto taca-lhe foto na capa (lembrando que, apesar do que o título dá a entender - e o subtítulo reforça - não é um livro espírita, mas um livro de ficção). Então, temos uma capa bem perdida na sua proposta para um livro que parece bem perdido na sua proposta, arrisco dizer: temos uma capa de livro ruim para um livro ruim, portanto a capa reflete o conteúdo do livro, portanto é uma capa bastante sincera, logo, é uma excelente capa. Parabéns ao designer.

O outro exemplo é a capa do Associação Judaica de Polícia do Michael Chabon. É um livro que tem dois anos, e como eu disse, não vejo sentido em falar mal do trabalho alheio, ainda mais que neste caso específico, onde a designer Flávia Castanheira tem outros ótimos trabalhos com capas. Mas acontece que a) sou muito fã dos livros do Chabon, e b) sou muito fã do design que os livros dele ganham lá fora. A edição americana de Yiddish Policeman Union, um livro policial hard-boiled sobre uma colônia judaica no Alaska, tem uma capa simulando uma tapeçaria inuit com elementos judaicos e policiais. As capas das edições inglesas buscam o lado pulp com um design mais duro, vetorial, como um livro dos anos cinquenta. A edição brasileira parece um WordArt. O fundo, um padrão formado por várias estrelas de davi e cristais de gelo, é prata, e não cinza como aparece na imagem, mas o efeito bacana que isso provoca no livro físico é diminuído pela ilustração vetorial básica e sem impacto, e as fontes que não parecem conversar com o resto do design. Especialmente triste se pensarmos que Chabon é um autor conhecido por sua capacidade quase infinita de criar descrições surpreendentes e inesperadas de imagens e cores. Diferente do primeiro exemplo, temos aqui um ótimo livro, com uma capa que não está a sua altura.

Terceiro e último exemplo: diversas pessoas vieram me perguntar o que achei da capa do Solar, do Ian McEwan (design de Kiko Farkas e Thiago Lacaz / Máquina Estúdio), assim que foi divulgada. Eu próprio twittei: que horror essa capa. Ter visto ela numa imagem em baixa-resolução também não ajudou muito na minha percepção inicial. Amigos escritores, igualmente fãs de McEwan, vieram me pedir: me explica aquela capa. Calma, vamos lá. Minha impressão inicial não foi nada boa, até ver o livro na prateleira. Vamos por partes: Solar é um livro sobre um cientista vencedor do Nobel, abordando questões sobre o aquecimento global. É também uma comédia, fato que por si só é uma mudança de tom na obra do McEwan, e, ainda não li o livro pra dizer por mim mesmo (é o próximo na fila), dizem ser engraçadíssimo. Isto colocado, temos na capa o rosto não de um urso polar, mas de um tapete de urso polar – nosso urso está bem morto, portanto. Isso dentro do contexto de aquecimento global já diz bastante. Mas também a foto do tapete de urso dá a impressão de que ele está rindo – morto, mas feliz. Conseguiu-se aqui condensar todos os principais elementos do livro numa única imagem, e se isso não for o bastante, basta dizer que, independente dos critérios individuais e subjetivos para avaliação do que é de bom ou de mau gosto, coloque esse livro numa prateleira ao lado de toda a produção editorial do mês, e você verá esse urso polar morto rindo da sua cara se destacando a metros de distância. Pegue-o na mão e ainda sentira o verniz texturizado que deixa a capa áspera ao toque, um diferencial interessante e pouco utilizado. Na verdade, no conjunto da capa como um todo, a capa de Solar é uma das melhores capas que vi serem lançadas em 2010.
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Mais três penguins
A nova tradução de Viagens de Gulliver, de Johnatan Swift, por Paulo Henriques Britto.

O amante de Lady Chatterley, de D. H. Lawrence,

Recordações do Escrivão Isaías Caminha, de Lima Barreto, recuperando o design clássico da Penguin, com faixas laranjas horizontais, um dos mais importantes da história do design britânico.

O amante de Lady Chatterley, de D. H. Lawrence,

Recordações do Escrivão Isaías Caminha, de Lima Barreto, recuperando o design clássico da Penguin, com faixas laranjas horizontais, um dos mais importantes da história do design britânico.
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Quero ser Reginaldo Pujol Filho

Quero ser Reginaldo Pujol Filho
Autor: Reginaldo Pujol Filho
Design: Samir Machado de Machado
Editora: Não Editora
Fonte: Rockwell
Próximo lançamento da Não Editora, em 15 de dezembro, Quero ser Reginaldo Pujol Filho, escrito pelo próprio, é uma coletânea de contos cuja unidade temática pode ser considerada a da busca do autor por sua identidade artística, assumindo abertamente as influências que o formaram como escritor. Em contos como Quero ser Cervantes, Quero ser Gonçalo Tavares, Quero ser Ítalo Calvino ou Quero ser Luis Fernando Veríssimo, pra citar alguns, o autor se vale de temas e característias artísticas daqueles que o influenciaram artisticamente, para construir sua própria linguagem.
O tema da busca por identidade direcionou a criação da capa, e surgiu essa idéia inspirada no Son of Man do Magritte, com uma estrutura em mise-en-abyme, e o pedido do autor de ter uma paleta de cores que remetesse à cinema argentino. A fotografia coube novamente ao Frederico Cabral, que já havia colaborado conosco na capa de A sordidez das pequenas coisas, e foi produzida em frente ao prédio do Santander Cultural, no centro da cidade, pela textura da parede. Foram produzidas fotos com o modelo em três variações de figurinos distintas, em três ângulos diferentes (de frente, de lado, e de costas).
Claro que, até acertarmos o tom, foram produzidas tantas variações quanto capas dentro da capa, e aqui coloquei só algumas delas. Ainda que nossa opção favorita fosse a sexta, optamos por utilizar a versão que amplia mais o box branco sobre a foto (apelidada carinhosamente por mim de "layout caixa de software"). A pedido do autor, o projeto gráfico desse livro seguiu numa linha mais minimalista, mas coube ao Guilherme Smee (a versão com o post-it pregado no rosto era dele) definir a fonte do título, Rockwell, escolhida por ele pela combinação ao mesmo tempo moderna e retrô.
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