segunda-feira, 5 de julho de 2010

Coleção de bolso da Hedra

No caso de coleções de livros clássicos, o desafio é sempre o de se ter um modelo padrão que torne a coleção identificável como um todo sem que, com isso, mate as possibilidades de cada livro ter sua própria personalidade. Por exemplo, não gosto do modelo da coleção Sabor Literário da editora José Olympio, que trata autores tão diferentes quanto Machado de Assis, Melville e Jim Dodge com a mesma indiferença de uma capa cor de creme.

Claro, sempre existe a Martin Claret pra nos lembrar do quão discutível em termos de bom-senso estético uma capa de livro pode chegar.

Mas enfim, a coleção de bolso da editora Hedra tem um modelo bem característico e identificável. Creio que o trabalho do capista as vezes é só escolher a imagem certa e sair do caminho, e nisso vai aqui uma seleção de capas bem interessantes de livros editados pela Hedra.








E, claro, há de se respeitar quem faça uma capa para o Bom-Crioulo do Adolfo Caminha sem medo de abordar a temática "amor gay interracial entre marinheiros" (ok, os pontos "interracial" e "marinheiros" não estão aparentes nessa capa, mas o tanquinho depilado do negão é bem gay), mas também evitando cair num visual primo pobre de uma cruza entre Querelle com Pierre et Gilles (alerta de cafonice a vista: clique nesse link por sua conta e risco).

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Espanhol para o público americano

Vintage Español é um selo da editora Knopf para publicação de livros em espanhol no mercado americano. Não publicam apenas autores que tenham o espanhol como lingua nativa, mas também livros traduzidos para o espanhol. Abaixo, capas criadas por John Gall para livros de Roberto Bolaño.




terça-feira, 22 de junho de 2010

Série Crônicas Saxônicas

Mais uma criação de Marcelo Martinez (cuja entrevista sobre a capa de Azincourt, também um livro do inglês Bernard Cornwell, é campeã de acessos neste blog) e do estúdio Laboratório Secreto, com ilustrações de Kako. O bacana dessas capas é que todas juntas, quando colocadas lado a lado, formam uma única ilustração, com o destaque para o vermelho. Além disso, a primeira tiragem de cada volume é impressa em tinta metalizada (clique abaixo pra ver as cinco capas lado a lado).


Originalmente pensada como uma quadrilogia, com o lançamento recente de Terra em Chamas foi preciso encaixar uma ilustração a mais na sequência.


Qualquer coincidência é mera semelhança: a referência da ilustração acabou se tornando um easter-egg para os fãs do leitor, conforme noticiado no site Jovem Nerd, em entrevista com Marcelo Martinez.


“Enviamos um rafe da capa pro Kako, com um barbudão segurando um machado, e ele voltou com a ideia do Technoviking. Caí na gargalhada e topei na hora, é claro! Só fizemos alguns ajustes mínimos antes dele finalizar.
E a vinheta do martelo do Thor foi sugestão de Phreddie, um leitor mais do que empolgado que estava numa palestra minha. Ao final ele se apresentou e sugeriu o martelo de Thor que ele usava como pingente (que por sinal, parece uma cabeça de Princesa Leia com boca de boneca inflável) para ser a vinheta do livro. Achei ótimo.
Fazer o Cornwell é sempre divertido!”

Uma das coisas bacanas em relação às capas dos livros de Bernard Cornwell, e que será tema de um post futuro, é justamente essa interação entre o público, editora e designer. Em relação à referência à Princesa Léia, está no detalhe acima do decodificador da coleção (veja imagem abaixo, cortesia do site Bernard Cornwell Brasil).

Mais três para terça

Mais três capas para a terça-feira, desta vez de graphic novels nacionais recentes.

Começando com aquela que é provavelmente a graphic novel mais aguardada desse ano, a belíssima capa de Cachalote, de Daniel Galera e Rafael Coutinho, Quadrinhos na Cia. Capa de Elisa V. Randow sobre ilustração de Rafael Coutinho.


Xampu - Lovely Losers, de Roger Cruz, pela Devir.


Memória de Elefante, de Caerto, pela Quadrinhos na Companhia.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Três para terça

Você está aqui, de Chritopher Potter, Companhhia das Letras. Capa por Estúdio Retina_78.


Bievenido - um passeio pelos quadrinhos argentinos, de Paulo Ramos, editora Zarabatana Books. Capa de Liniers.


O guardador de segredos, de Davi Arriguci Jr, Companhia das Letras. Capa por Rita da Costa Aguiar.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Livro-jogo das Copas Globo Esporte

Design de Marcelo Martinez


Autores: Lédio Carmona e Marcelo Martinez (organizadores)
Direção de arte e design: Marcelo Martinez, Laboratório Secreto
Editora: Casa da Palavra

Organizado pelo jornalista Lédio Carmona e pelo designer gráfico Marcelo Martinez (que já entrevistamos aqui e aqui) , o Livro-jogo das Copas traz textos de vários nomes conhecidos do telejornalismo com a proposta de comentarem cada um todas as copas, de 1930 a 2006. Alguns falam de sua experiência profissional em uma cobertura jornalística, outros revelam como certo torneio marcou sua vida, ou simplesmente desvendam o que tornou algumas Copas do Mundo tão inesquecíveis.


Os jornalistas em questão são: Alex Escobar, Arnaldo Cezar Coelho, Caio Ribeiro, Cleber Machado, Fátima Bernardes, Galvão Bueno, Glenda Kozlowski, Gustavo Poli, João Pedro Paes Leme, Junior, Luiz Carlos Jr., Luis Roberto, Marcelo Barreto, Milton Leite, Paulo Cesar Vasconcellos, Pedro Bassan, Renato Ribeiro, Sidney Garambone, Tadeu Schmidt, Tiago Leifert, Tino Marcos e Walter Casagrande.


Além disso, oferece várias possibilidades de interação, através do conceito de livro-jogo. “Sabendo que todo torcedor é um especialista quando o assunto é bola, montamos um livro-jogo com diversas brincadeiras espalhadas ao longo das páginas, mais de 180 perguntas e respostas para testar conhecimentos e até uma divertida maneira de exorcizar alguns fantasmas de Copas passadas, mudando a história com a ajuda de adesivos”, comentam os organizadores, que bolaram infográficos para recriar jogadas históricas, raspadinhas que simulam jogos, entre outros passatempos.


Os organizadores recomendam: “ao longo das páginas é possível conhecer os diversos elencos do Brasil representados de uma maneira especial: com figurinhas,- caixinha de fósforos e outros objetos colecionáveis, que levam o torcedor em uma viagem por sua
memória futebolística”.


Abaixo, uma rapida entrevista conduzida via email por mim com o Marcelo Martinez, comentando sobre o livro:

Como foi o processo de encontrar e organizar o material histórico pra esse livro (em outras palavras, de onde e como vocês desenterraram tanto material antigo, como caixinhas de fósforo, etc?)
Desde o início minha ideia era ter as representações dos times do Brasil mostradas de forma diferente da "foto oficial". E saímos correndo atrás destes materiais de colecionador: figurinhas, caixas de fósforos, etc. É uma pesquisa dificílima, mas muito divertida. Brinquei com minha editora que já posso até abrir uma agência de investigação na internet. As vezes vc parte de uma pista boba, como um comentário de comprador postado no Mercado Livre, e vai correndo atrás, até descobrir um contato, um orkut , um twitter, rs. Dois colecionadores foram fundamentais: o Rodrigo Guerra, do Rio Grande do Sul, e o Marcelo Monteiro, daqui do rio, do ótimo blog Memória E.C.. E tem os álbuns de figurinhas, que todo mundo gosta tanto – e que eu queria muito usar! –, e que conseguimos autorização da Fifa, CBF e da Panini.


Ainda não vi o livro impresso, fiquei curioso em relação ao que diz o release, "mudar a história com a ajuda de adesivos". Como funciona isso?
É uma brincadeira, onde vc cola adesivos que "sabotam" as jogadas originais, como o gol do Ghiggia, em 1950. Os desenhos do Mitchell ficaram incríveis! Tem bigorna, casca de banana, buracos... Eu ia dizendo "coloca ai´uns anões-goleiros-acrobatas!". E ele colocava, rindo.


Com adesivos e raspadinhas, deve ter sido complicada a produção gráfica do livro. Surgiu alguma dificuldade específica, e como vcs contornaram ela?
A super Liciane Corrêa, produtora da Casa da Palavra, praticamente morou na gráfica nos últimos dias, garantindo o resultado. E a H&D, que fez os acabamentos especiais, já era parceira de outros projetos. Eles encaram todas, e já conhecem o pique da gente

Marcelo Martinez é designer gráfico e ilustrador. Teve projetos exibidos – e algumas vezes premiados – em mostras de design, ilustração e animação em países campeões do mundo como Argentina, Brasil, França e Itália; e em outros ainda na fila, como Bélgica, China, Holanda, México e Portugal. Como designerfutebolista, criou para a Casa da Palavra o projeto gráfico do Almanaque do Futebol SporTV (2009). Também pintou um Pacheco Camisa 12 bonitão na sua rua, aos 10 anos de idade, durante a Copa de 82. Mora no Rio de Janeiro com a esposa Renata, o filho João e a tartaruga Rubinho.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Três capas para a terça-feira

Mais três capas de livros que estão chegando ou já chegaram às prateleiras recentemente.

O Centésimo em Roma, de Max Mallman, editora Rocco. Design de Christiano Menezes, do estúdio Retina_78.


Capa para Os três estigmas de Palmer Eldritch, de Phillip K. Dick, editora Aleph. Design de Luiza Franco e Thiago Ventura, sobre ilustração de Weberson Santiago.


Chabadabadá, de Xico Sá, editora Record. Não encontrei a referência do autor, mas apostaria minhas fichas que é um trabalho do Marcelo Martinez.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Lygia Fagundes Telles

Um tratamento gráfico excepcional, este que foi dado aos livros da Lygia Fagundes Telles que são relançados pela Companhia das Letras. O projeto gráfico, de Cláudia Warrak e Raul Loureiro, é centrado sobre detalhes de obras da artista plástica Beatriz Milhares. Concentrar as informações necessárias à capa sobre uma espécie de etiqueta é uma forma elegante de não interferir com a pintura e deixar que ela faça o seu trabalho de despertar desejos consumistas no leitor.

As estruturas da bolha de sabão
Detalhe de Sabor Cereja, de Beatriz Milhazes, 2006, colagem, 169 x 144,5 cm. Coleção particular.



Seminário dos Ratos
Detalhe de Conversa, de Beatriz Milhazes, 2000, acrílica sobre tela, 150 x 248 cm. Coleção particular.



Durante aquele estranho chá
Detalhe de Figo, de Beatriz Milhazes,2006, xilogravura e serigrafia, 175 x 120 cm. Coleção Durham Press.



Ciranda de Pedra
detalhe de Tonga ii, de Beatriz Milhazes, 1994, acrílica sobre tela, 160 x 160 cm. Coleção particular.



As Horas Nuas
Detalhe de O Beijo, de Beatriz Milhazes,
1995, acrílica sobre tela, 192 x 300 cm. Coleção Benedikt Taschen.



A Noite Mais Escura e Mais Eu
Detalhe de O diamante, de Beatriz Milhazes, 2002, acrílica sobre tela, 250 x 381 cm. Coleção particular.



Invenção e Memória
(não encontrei a referência da obra desse aqui)



As meninas
(não encontrei a referência da obra desse aqui)



Antes do baile verde
(não encontrei a referência da obra desse aqui)

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Menino de Engenho, 100ª edição

A Record divulgou recentemente o novo projeto gráfico para os livros de José Lins do Rego, a serem relançados pelo selo José Olympio Editora. O primeiro a sair é a edição comemorativa da 100ª edição de Menino de Engenho. O design é de Victor Burton e Allevato Botino.


As novas edições resgatam ilustrações originais do artista plástico, cenógrafo e ilustrador Tomás Santa Rosa, que trabalhou em livros de Jorge Amado, Raquel de Queiróz, Graciliano Ramos e do próprio José Lins do Rêgo, entre outros. O outro livro a aparecer já com o novo projeto de capa é Fogo Morto.

O que eu achei? Não me arrisco a opinar antes de ver o livro na prateleira. Quando a Companhia das Letras divulgou o projeto gráfico novo dos livros do Freud, eu pensei de imediato "nossa, que pobreza", mas quando vi os livros impressos - a capa dura em tecido, o acabamento da lombada, etc - tudo fez sentido. Tem coisas que uma imagem de divulgação não dá conta. Além do mais, é de Victor Burton que estamos falando, e o cara é foda.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Três capas para a terça-feira

Mais três capas para a terça-feira, pinçadas aqui e ali, de lançamentos próximos.

O que Keith Richards faria em seu lugar?, de Jessica Pallington West, pela editora Fontanar (selo da Objetiva/Alfaguara). Bom trabalho com a fonte. Crédito da capa não há ainda, quando houver, coloco aqui.


Do fundo do poço se vê a lua, de Joca Reiners Terron, para a coleção Amores Possíveis da Companhia das Letras. Design de Christiano Menezes, do estúdio Retina_78. Não é muito meu gosto pra capas de livros, mas gostei do detalhe do flautista rabiscado meio estilo Jean Cocteau.



Olhos de falcão, de Alex Barclay, editora Bertrand Brasil. Um pouco over com aquela tagline dramática, mas a ilustração e o trabalho na fonte do título valem o registro. Arte por Elmo Rosa.

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