terça-feira, 13 de abril de 2010

Três capas para a terça-feira

Algumas capas de novidades anunciadas para breve. Antes que alguém observe uma certa predominância de capas da Companhia das Letras, Record ou Cosac & Naify por aqui, vale notar que a maioria das editoras brasileiras parece que ainda não aprendeu a usar bem a internet - sites desatualizados predominam. Nisso, essas três se destacam por manterem seus sites com atualizações constantes, e saberem usar twitter e blogues pra divulgação, que são de onde busco a maioria das imagens (quando não vou atrás dos sites dos próprios estúdios de design).

Então, três capas bacanas pinçadas da web recentemente:

Uma solidão ruidosa, de Bohumil Hrabal - capa por Marcos Kotlhar. Companhia das Letras.


A questão dos livros, de Robert Darnton - Capa por Mariana Newlands. Companhia das Letras.


O cobrador, de Rubens Fonseca - Capa por estúdio Retina_78 (Cristiano Menezes, suponho?). Já comentamos sobre o novo projeto gráfico das capas do Rubens Fonseca neste outro post aqui. Editora Agir.

terça-feira, 23 de março de 2010

Muita Alice nessa hora

Com o hype criado em torno da adaptação (ou melhor, continuação) das aventuras de Alice dirigida por Tim Burton, editoras nacionais correm para colocar cada uma a sua versão da obra de Lewis Carrol nas prateleiras. O lado bom disso tudo: como o livro já é de domínio público, cada editora lança a sua tradução, fazendo a alegria de bibliófilos (a Livraria Cultura aqui de Porto Alegre, por exemplo, montou uma grande estante na sua entrada, reunindo todos os livros possíveis relacionados a Alice).

Em relação ao tratamento gráfico, parece haver duas abordagens nas edições de Alice no País das Maravilhas e de Através do Espelho e o que Alice encontrou por lá: as claramente voltadas para o público infantil, e as que visam um leitor adulto.


Edição da Zahar
A Zahar já havia lançado há alguns anos atrás a edição comentada de País das Maravilhas e Através do Espelho, completa com ilustrações originais de John Tenniel. Mês passado chegou às prateleiras uma versão mais compacta, ainda com os textos integrais ds ambos os livros, mas sem as notas explicativas e com menos ilustrações (mas ainda são as ilustrações originais de Tenniel). A tradução de Maria Luiza Borges ganhou o prêmio Jabuti em 2002. A edição é encadernada em capa dura, impressa em papel pólen (e, devo dizer, que é extremamente agradável de folhear). Mais convidativo ainda é o preço – R$ 19,90.


Edição da Cosac Naify
Quando lançada, a edição da Cosac Naify teve um hype quase tão grande quanto o do filme, a ponto de haver duas edições, uma normal, e outra “de colecionador”, que vem dentro de uma embalagem em forma de caixa. O projeto gráfico de Luciana Facchini (entrevistei ela aqui, sobre a capa do Moby Dick) associa o livro, nos cantos arredondados e nas texturas das páginas entre os capítulos, à um baralho. As ilustrações são fotografias de Luis Zerbini feitas com recortes e fotografadas com iluminação teatral. A tradução é de Nicolau Sevcenko e se limita apenas ao primeiro livro, Alice no País das Maravilhas. O livro é impresso em papel couchê.
Tenho que dizer que, nadando contra a maré, não sou grande fã dessa edição. O projeto gráfico sem dúvida é uma boa sacada, especialmente a embalagem-caixa-de-baralho. Mas o realismo e a sensação táctil de uma fotografia parecem muito mais limitar do que expandir o texto a que se refere, ao contrário de uma ilustração feita à mão (o realismo dessas fotos e suas sacadas visuais não parece deixar espaço para a imaginação do leitor), e talvez pelo fato do livro ser em papel couchê, parecem muito mais adequadas à um editorial sobre Alice, do que a complementar o texto do livro. E, embora repletas de soluções inteligentes, convenhamos, não são muito empolgantes em relação à história (e sim, entendo que aqui se entra numa questão extremamente subjetiva e de gosto pessoal). O livro custa R$ 45,00, e a edição de colecionador está esgotada.



Edição da Salamandra
Dividida em dois volumes (País das Maravilhas e Através do Espelho), que vem dentro de uma caixa (que, apesar de bonita, deixam o conjunto desnecessariamente pesado), a edição da Salamandra tem ilustrações da premiada ilustradora inglesa Helen Oxbury que modernizam o visual da história, saindo o ar vitoriano e dando espaço a um visual mais contemporâneo - algumas ilustrações do livro podem ser vistas no hotsite da editora. São um exemplo do que disse em relação à minha implicância com as ilustrações da edição da Cosac Naify: o desenho à mão convida à exploração. Fosse eu uma menininha de dez anos, essa edição seria perfeita para mim. A tradução de Marcos Maffei. Das versões disponíveis, é a mais cara – R$ 87,90.


Edição da Objetiva
O grande chamariz dessa edição é a tradução do cineasta Jorge Furtado, que torna o livro mais acessível ao público infanto-juvenil. Compreende apenas o primeiro livro (País das Maravilhas) e num primeiro momento, a capa me remete as edições da Globo dos livros infantis de Érico Veríssimo (deve ser pelo uso de cor pastel chapada como fundo). Ainda não vi essa edição nas prateleiras, e não encontrei referências às ilustrações. Atualizado: vi o livro nas prateleiras. As ilustrações são de Mariana Newlands, e atualizam a história para o mundo contemporâneo. É uma edição bonita e bem simpática, com um formato quadrado maior que a da Zahar e menor que a da Cosac Naify. O livro custa R$ 33,90.

* * *

Por questões de bolso e porque achei a edição bem simpática no formato e no preço, acabei optando pela edição da Zahar. Curiosidade à parte, das edições listadas é a única a ter uma faixa promocional envolvendo o livro, com o logo oficial do filme e a marca Disney, o que, imagino, deve funcionar como bom chamariz de vendas em relação às demais edições. Outras edições que não cheguei a colocar aqui são as da L&PM, que tem os dois livros em edições separadas com capas funcionais que utilizam versões coloridas das ilustrações de Tenniel.

Há mais uma infinidade de edições por editoras menores que não vale a pena citar, mas para a eventual galeria dos horrores, dê uma olhada nas capas da Martin Claret para País das Maravilhas e para Através do Espelho (em versão Chiquititas).

quarta-feira, 17 de março de 2010

Quatro capas para quarta-feira

Passando o Carnaval, volta-se a lançar livros interessantes. Algumas novidades foram anunciadas recentemente. Abaixo, algumas capas novas que devem estar nas livrarias em breve.

2666, de Roberto Bolaño, pela Companhia das Letras. Capa por Raul Loureiro, suponho, que fez a de todos os outros livros do autor pela editora.



O Khadji-Murát, de Tolstói, pela Cosac Naify. Não encontrei o crédito do capista, atualizo assim que descobrir.




A arte e a maneira de abordar seu chefe para pedir um aumento
, de Georges Perec (Companhia das Letras), por Elisa V. Randow.



A arte moderna na Europa de Hogarth a Picasso, de Giulio Carlo Argan (Companhia das Letras). Capa por Marcello Serpa

terça-feira, 9 de março de 2010

Meus olhos, meus olhos...!

Nem só de bons trabalhos se faz um olhar crítico sobre qualquer coisa. Falar de mediocridades – seja o assunto um filme, um livro ou as capas desses – é fácil, as prateleiras estão cheias de exemplos assim. Mas um trabalho ruim, ruim mesmo, me atrai os olhos tanto quanto um trabalho muito bom. Talvez porquê seja possível visualizar com facilidade todas as escolhas que deram errado, ou talvez seja por uma atração pós-moderna pelo camp e pelo mau-gosto. Susan Sontag, conforme citada pelo Umberto Eco no seu História da Feiúra, defendia o apreço ao camp como uma forma de dandismo.
“Assim como o dandy era, no sec. XIX, o preposto do aristocrático nas questões de cultura, assim o Camp é o dandismo contemporâneo. É uma solução para o problema de como ser dandy na era da cultura de massa. Mas enquanto o dandy buscava sensações raras ainda não profanadas pelo apreço das massas, o entendido de Camp se realiza nos prazeres mais rudes e mais comuns, nas artes de massa (...) o entendido Camp cheira o fedor e se vangloria de ter um estômago forte”.

Ah, o elitismo pedante! Essa explicação acima é uma boa saída de emergência retórica para essas capas, caso o autor seja intimado ao tribunal estético do juizo final.
Então, vamos aos nossos pinguins de geladeira.


Não é difícil dizer o que deu errado aqui (é bem fácil, na realidade). Difícil é dizer se alguma coisa deu certo. O grande cabeção fantasma que flutua, literalmente, entre o mar e o penhasco, talvez tenha alguma relação com a história, sabe-se lá ("Siimbaaa!"). O efeito que tentou dar um ar meio pintura pra foto (ou disfarçar a baixa resolução, vá saber?), e ficou uma coisa meio híbrida e bizarra. Não vou em aprofundar muito na questão, porque imagino que por trás dessa capa houve alguém trabalhando com uma intenção real de estar fazendo algo bonito e, infelizmente, essa pessoa errou em tudo.

Machado de Assis encontra o fúcsia
A Martin Claret, como editora, é um caso interessante. Publica edições cujas traduções geralmente são plágios, apenas alterando as primeiras linhas da primeira página e atribuindo o trabalho a um tradutor que ninguém nunca viu em pessoa. Mas questões legais à parte, não existe tribunal para violações do bom senso, e somente assim se justifique que se tenha usado toda a cota de ciano e fúcsia permitida na vida de um designer.


Quando Nietzsche chorou
Abstraindo a ilustração new-age de feira de artesanato, ainda há a escolha infeliz de título em versalete com nome do autor em itálico (não há nada de errado com isso, em príncipio – vamos tentar não ser dogmáticos –, exceto que aqui não funcionou, e um amigo revisor sempre me atenta ao detalhe de que título não se escreve mais com iniciais maiúsculas em cada palavra), e a distribuição pobre dos elementos pela página. Como padrão de capas para uma coleção, consegue o feito de fazer com que qualquer livro – de Nietzche a Robinso Crusoé – pareça saído de uma coleção de romances baratos para solteironas (diga-se de passagem, as coleções Bianca, Sabrina e Júlia possuem ilustrações infinitamente melhores que essas). Ok, falar mal de uma capa da Martin Claret é praticamente como bater em quem já está caído, mas, tendo ela se estabelecido como um benchmark na área de mau gosto em design, é um caso digno de nota.


P.S.: Se alguém tiver sugestões de capas que nos enchem de vergonha alheia, deixem aí a sugestão.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Júlio Verne

O site FaceOut Books expôs essa série de capas para livros de Júlio Verne, criadas por Jim Tierney, um estudante de design da University of the Arts da Filadélfia. Simplesmente genial em cada aspecto, nos faz lembrar do valor de se ter uma fonte desenhada à mão. Única coisa a se lamentar é que estes livros não estejam disponíveis para venda = mas, espera-se, que seja só questão de tempo.

Abaixo, a sobrecapa e capa para A Volta ao Mundo em 80 Dias.





A capa e a meia-sobrecapa para 20.000 Léguas Submarinas:





E por fim, a capa e sobrecapa impressa em acetato de Viagem ao Centro da Terra.




No site, Faceout Books, há também a capa de Da Terra à Lua, bem como as contracapas e os desenhos e esboços para as mesmas, e uma entrevista com o designer.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Capas da Alfaguara

O Publishnews divulgou recentemente o resultado do prêmio da Getty Images, dado à melhor capa utilizando uma foto de banco de imagens de seu acervo. A capa vencedora foi a de Os Espiões, livro novo do Luis Fernando Veríssimo, feita por Rodrigo Rodrigues de Azevedo (que segue abaixo).


O que me dá o mote para comentar: o padrão de capas da Alfaguara é o tipo de padronização que consegue ao mesmo tempo deixar liberdade pra que cada livro ganhe uma cara distinta, e ao mesmo tempo mantém uma unidade visual. Ok, a princípio isso não é dizer muito, mas não se trata de um padrão de uma coleção com um tema específico, e sim de um selo editorial, então as referências que se têm são a Martin Claret, com suas capas rosas e violetas que dão vergonha de segurar o livro, e os pockets da L&PM, que possuía um padrão bem clean e um pouco esquisito (com uma fonte que parecia saída do WordArt), mas que de uns anos para cá parece ter desistido de padronizações.

Quando saiu a primeira leva de livros (a primeira que vi, creio, foi a de Guerra dos Mundos, de H. G. Wells), confesso que algo me incomodou de início, talvez implicância com a fonte, mas fiquei curioso em ver como seriam as capas seguintes. E no final das contas, são capas que se destacam muito no mar de opções de uma prateleira de livraria, em especial pelo destaque que o nome do autor ganha e o espaço maleável para se trabalhar uma imagem.

Abaixo, mais alguns exemplos de capas da Alfaguara particularmente interessantes.





A de Meridiano Sangrento é provavelmente uma das minhas capas favoritas em geral, um bom exemplo de que, quando se tem uma boa foto em mãos, só o que o designer precisa fazer é recuar e deixar a imagem falar sozinha.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Rubem Fonseca pela Agir

Capas dos livros de Rubens Fonseca que estão sendo relançados pela editora Agir, com direção de arte de Christiano Menezes, do estúdio Retina78 (clique para ampliar).



segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Cormac McCarthy de cara nova

Design por David Pearson


Para pontuar o lançamento do filme A Estrada agora em janeiro nos EUA (fevereiro no Brasil), a Picador contratou o designer David Pearson (ex-Penguin, responsável pelo design de coleções como Great Ideas e Great Journeys) para dar cara nova aos livros de Cormac McCarthy - as edições antigas tinham, na maioria das vezes, capas por Chip Kidd, inclusive as edições brasileiras de Todos os belos cavalos, A Travessia e Cidades da Planície, publicados pela Cia. das Letras, mantiveram essas capas (das mais recentes, a de No Country for old men acabou servindo de referência para o cartaz do filme).

Pearson dá um interessante senso de unidade pra obra de McCarthy ao se utilizar exclusivamente de variações na tipografia combinadas com texturas ásperas - basicamente, madeira e pedra.


As variações no tamanho das fontes, emulando cartazes antigos, dão mais peso aos blurbs, que em algumas capas tem o mesmo tamanho da fonte do título ou do nome do autor. Uma forma bem visual e direta de dizer: aqui está um livro de escopo colossal. E pra quem conhece a obra de McCarthy, dizer isso é pouco.






Não encontrei imagens boas das capas de The Crossing, Outer Dark ou Suttree, mas elas podem ser vistas, em miniaturas, no blog da Picador/McMillan.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Almanaque do Cinema Omelete

Design de Marcelo Martinez


Autores: Érico Borgo, Marcelo Forlani e Marcelo Hessel
Direção de arte e design: Marcelo Martinez, Laboratório Secreto
Design: João Ferraz
Designer assistente: Igor Campos
Editora: Ediouro
Acabamento: Verniz UV localizado, criando uma malha de ovinhos fritos


Resultado de dois anos de trabalho dos jornalistas Érico Borgo, Marcelo Forlani e Marcelo Hessel, do site Omelete, o Almanaque do Cinema Omelete é o mais novo volume de uma coleção focada em memória e nostalgia. Assim como os almanaques por década (70, 80 e 90) – que buscavam dimensionar o zeitgeist de cada período misturando do mais conceituado e cult da época aos aspectos mais obscuros da cultura de massa –, o Almanaque do Cinema resgata desde o mais memorável ao mais bizarro detalhe da história do cinema.


Um almanaque ilustrado sobre cinema já oferece, por si só, uma excelente oportunidade de se trabalhar a imagem. Mas os detalhes que mais se destacam não são imagens do cinema em si, e sim do universo simbólico que o cerca, como se pode ver nas imagens abaixo. A página de obrigatórias informações técnicas e ficha catalográfica é feita aos moldes dos créditos formais de um cartaz de cinema e os agradecimentos ao lado de um Oscar (imagem acima). A introdução ao estilo créditos de Star Wars. Os dados técnicos que remetem ao final dos créditos de um filme – e detalhes que talvez passem imperceptíveis para alguns leitores, como a orelha do livro ser assinada por Alan Smithee, o habitual pseudônimo que um diretor de cinema usa quando não quer assinar seu trabalho.


Abaixo, numa conversa com o designer Marcelo Martinez, diretor de arte do projeto, ele explica como foi o processo de criação do almanaque.



Como foi o processo de seleção das imagens que ilustram o livro? É feito em conjunto com os autores, ou é deixado ao critério do designer decidir o que irá ilustrar cada página?
Ao contrário dos almanaques de décadas, este é um livro com menos garimpo em sebos, contatos com colecionadores, sessões de fotos, scans, etc. Depende mais de material de divulgação dos filmes, das produtoras. Felizmente, a turma do Omelete é super organizada, e nos enviou uma pilha de dvds com toneladas de imagens em tamanho generoso, já separadinhas por estúdios, etc. Chamamos um pesquisador para indexar o conteúdo dos dvds em uma prova de texto do livro, e em seguida começamos a editar o material, escolhendo os melhores cliques (ou os mais divertidos!) de cada assunto, vendo o que funcionava melhor no desenho das páginas, separando o que entraria nos temas dos cadernos em cores. Depois levantamos as pendências, garimpamos as coisas mais raras, como posteres de filmes B, por exemplo. Não chequei quantas imagens publicamos neste livro, mas em geral saem umas 800 por almanaque, dentro uma pesquisa de1500, em média.

Se por um lado ficamos muito ocupados com imagens de filmes, diretores e atores, por outro pudemos brincar bastante com soluções gráficas que faziam menção ao assunto cinema, como na introdução estilo Star Wars e o colofão que imita o final de uma tela de créditos subindo.

Durante todo o processo de edição de conteúdo, os autores e a editora participam, trocando figurinhas conosco.


Esse é o oitavo almanaque que você faz para a editora Ediouro, correto? Todos eles, quando vistos em conjunto, parecem ter uma linguagem em comum, ainda assim cada um é bastante diferente um do outro, em termos visuais. Como você chegou nessa linguagem, que elementos que a compõe, na sua opinião?

Essa é a ideia. A identidade da série é composta pelo formato físico, tipo de papel, solução de encarte das páginas coloridas no miolo (criando aquelas "ilhas visuais"). A capa vende a ideia do livro ter muito conteúdo, muita informação. Tem sempre uma imagem principal, o bloco de título e aquela tarja de retratinhos atravessando para a quarta capa, além de um verniz bem pop. Dentro disso, variamos a disposição dos elementos, para que cada livro tenha personalidade própria, mas ainda assim pertença a coleção.

Fizemos oito almanaques até então: Anos 80, Anos 70, Quadrinhos, TV, Anos 90, Seriados, Rock, e agora, Cinema. O projeto gráfico da série ficou bem conhecido, ganhou o Galo de Prata na Mostra de Design e Artes Gráficas Latino-Americana de 2006, em Buenos Aires; foi exposto na última Bienal Brasileira de Design – aqui e na edição que aconteceu recentemente na China; participou de uma mostra sobre artes visuais brasileiras na Holanda e saiu no livro Latin American Graphic Design, da Taschen.


Houve alguma particularidade (uma dificuldade específica superada, um toque pessoal, um detalhe específico, etc) do processo criativo do Almanaque do Cinema Omelete que queiracomentar?
Teve a ideia da quarta capa com os ovinhos/personagens desenhados, sentados como uma platéia de cinema. Foi tudo decidido meio em cima da hora, o livro já estava fechando para gráfica.Tivemos a ideia, falei com a editora, a Fernanda Cardoso e chamei o Daniel Lafayette para fazer os desenhos, pois eu não teria tempo. Ficaram ótimos! O Filico fez a foto no dia seguinte da entrega das artes do Lafa, e no mesmo dia a imagem estava tratada e fechando o livro. Foi uma correria, mas valeu a pena. A quarta capa fez o maior sucesso! Postamos como teaser no twitpic (http://twitpic.com/hbjzy) e mais de mil pessoas foram comentar e tentar adivinhar quem eram os ovinhos, super legal.



terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Coleção Sherlock Holmes

Design de Coralie Bickford-Smith


Aproveitando o momento, em que temos uma releitura bem radical de Sherlock Holmes estreando nos cinemas, oportuno falar de outra releitura radical do personagem de Arthur Conan Doyle. O relançamento dos livros pela Penquin inglesa, com design de Coralie Bickford-Smith e ilustrações de Mike Topping.

Logo de cara, se notam as duas principais características do trabalho de Bickford Smith: o impacto do uso de poucas cores (aqui, cada capa usa apenas dois pantones e preto), e o visual retrô. Essas capas tem o mérito de resgatar não só o aspecto pulp e popular das histórias de Holmes, mas também fugirem do clichê, da clássica figura do detetive com cachimbo e boina,

O mais bacana, na minha opinião, é o clima de cartaz de filme de suspense e terror, uma coisa meio exploitation vintage (quase posso ver Christopher Lee em uma das capas), que resgata os temas chamativos de assassinatos, crimes espetaculares e o flerte com o sobrenatural das histórias.

E as lombadas dos livros, colocadas lado a lado, com atenção ao detalhe do uso de ícones diferenciando cada livro.

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