terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Júlio Verne

O site FaceOut Books expôs essa série de capas para livros de Júlio Verne, criadas por Jim Tierney, um estudante de design da University of the Arts da Filadélfia. Simplesmente genial em cada aspecto, nos faz lembrar do valor de se ter uma fonte desenhada à mão. Única coisa a se lamentar é que estes livros não estejam disponíveis para venda = mas, espera-se, que seja só questão de tempo.

Abaixo, a sobrecapa e capa para A Volta ao Mundo em 80 Dias.





A capa e a meia-sobrecapa para 20.000 Léguas Submarinas:





E por fim, a capa e sobrecapa impressa em acetato de Viagem ao Centro da Terra.




No site, Faceout Books, há também a capa de Da Terra à Lua, bem como as contracapas e os desenhos e esboços para as mesmas, e uma entrevista com o designer.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Capas da Alfaguara

O Publishnews divulgou recentemente o resultado do prêmio da Getty Images, dado à melhor capa utilizando uma foto de banco de imagens de seu acervo. A capa vencedora foi a de Os Espiões, livro novo do Luis Fernando Veríssimo, feita por Rodrigo Rodrigues de Azevedo (que segue abaixo).


O que me dá o mote para comentar: o padrão de capas da Alfaguara é o tipo de padronização que consegue ao mesmo tempo deixar liberdade pra que cada livro ganhe uma cara distinta, e ao mesmo tempo mantém uma unidade visual. Ok, a princípio isso não é dizer muito, mas não se trata de um padrão de uma coleção com um tema específico, e sim de um selo editorial, então as referências que se têm são a Martin Claret, com suas capas rosas e violetas que dão vergonha de segurar o livro, e os pockets da L&PM, que possuía um padrão bem clean e um pouco esquisito (com uma fonte que parecia saída do WordArt), mas que de uns anos para cá parece ter desistido de padronizações.

Quando saiu a primeira leva de livros (a primeira que vi, creio, foi a de Guerra dos Mundos, de H. G. Wells), confesso que algo me incomodou de início, talvez implicância com a fonte, mas fiquei curioso em ver como seriam as capas seguintes. E no final das contas, são capas que se destacam muito no mar de opções de uma prateleira de livraria, em especial pelo destaque que o nome do autor ganha e o espaço maleável para se trabalhar uma imagem.

Abaixo, mais alguns exemplos de capas da Alfaguara particularmente interessantes.





A de Meridiano Sangrento é provavelmente uma das minhas capas favoritas em geral, um bom exemplo de que, quando se tem uma boa foto em mãos, só o que o designer precisa fazer é recuar e deixar a imagem falar sozinha.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Rubem Fonseca pela Agir

Capas dos livros de Rubens Fonseca que estão sendo relançados pela editora Agir, com direção de arte de Christiano Menezes, do estúdio Retina78 (clique para ampliar).



segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Cormac McCarthy de cara nova

Design por David Pearson


Para pontuar o lançamento do filme A Estrada agora em janeiro nos EUA (fevereiro no Brasil), a Picador contratou o designer David Pearson (ex-Penguin, responsável pelo design de coleções como Great Ideas e Great Journeys) para dar cara nova aos livros de Cormac McCarthy - as edições antigas tinham, na maioria das vezes, capas por Chip Kidd, inclusive as edições brasileiras de Todos os belos cavalos, A Travessia e Cidades da Planície, publicados pela Cia. das Letras, mantiveram essas capas (das mais recentes, a de No Country for old men acabou servindo de referência para o cartaz do filme).

Pearson dá um interessante senso de unidade pra obra de McCarthy ao se utilizar exclusivamente de variações na tipografia combinadas com texturas ásperas - basicamente, madeira e pedra.


As variações no tamanho das fontes, emulando cartazes antigos, dão mais peso aos blurbs, que em algumas capas tem o mesmo tamanho da fonte do título ou do nome do autor. Uma forma bem visual e direta de dizer: aqui está um livro de escopo colossal. E pra quem conhece a obra de McCarthy, dizer isso é pouco.






Não encontrei imagens boas das capas de The Crossing, Outer Dark ou Suttree, mas elas podem ser vistas, em miniaturas, no blog da Picador/McMillan.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Almanaque do Cinema Omelete

Design de Marcelo Martinez


Autores: Érico Borgo, Marcelo Forlani e Marcelo Hessel
Direção de arte e design: Marcelo Martinez, Laboratório Secreto
Design: João Ferraz
Designer assistente: Igor Campos
Editora: Ediouro
Acabamento: Verniz UV localizado, criando uma malha de ovinhos fritos


Resultado de dois anos de trabalho dos jornalistas Érico Borgo, Marcelo Forlani e Marcelo Hessel, do site Omelete, o Almanaque do Cinema Omelete é o mais novo volume de uma coleção focada em memória e nostalgia. Assim como os almanaques por década (70, 80 e 90) – que buscavam dimensionar o zeitgeist de cada período misturando do mais conceituado e cult da época aos aspectos mais obscuros da cultura de massa –, o Almanaque do Cinema resgata desde o mais memorável ao mais bizarro detalhe da história do cinema.


Um almanaque ilustrado sobre cinema já oferece, por si só, uma excelente oportunidade de se trabalhar a imagem. Mas os detalhes que mais se destacam não são imagens do cinema em si, e sim do universo simbólico que o cerca, como se pode ver nas imagens abaixo. A página de obrigatórias informações técnicas e ficha catalográfica é feita aos moldes dos créditos formais de um cartaz de cinema e os agradecimentos ao lado de um Oscar (imagem acima). A introdução ao estilo créditos de Star Wars. Os dados técnicos que remetem ao final dos créditos de um filme – e detalhes que talvez passem imperceptíveis para alguns leitores, como a orelha do livro ser assinada por Alan Smithee, o habitual pseudônimo que um diretor de cinema usa quando não quer assinar seu trabalho.


Abaixo, numa conversa com o designer Marcelo Martinez, diretor de arte do projeto, ele explica como foi o processo de criação do almanaque.



Como foi o processo de seleção das imagens que ilustram o livro? É feito em conjunto com os autores, ou é deixado ao critério do designer decidir o que irá ilustrar cada página?
Ao contrário dos almanaques de décadas, este é um livro com menos garimpo em sebos, contatos com colecionadores, sessões de fotos, scans, etc. Depende mais de material de divulgação dos filmes, das produtoras. Felizmente, a turma do Omelete é super organizada, e nos enviou uma pilha de dvds com toneladas de imagens em tamanho generoso, já separadinhas por estúdios, etc. Chamamos um pesquisador para indexar o conteúdo dos dvds em uma prova de texto do livro, e em seguida começamos a editar o material, escolhendo os melhores cliques (ou os mais divertidos!) de cada assunto, vendo o que funcionava melhor no desenho das páginas, separando o que entraria nos temas dos cadernos em cores. Depois levantamos as pendências, garimpamos as coisas mais raras, como posteres de filmes B, por exemplo. Não chequei quantas imagens publicamos neste livro, mas em geral saem umas 800 por almanaque, dentro uma pesquisa de1500, em média.

Se por um lado ficamos muito ocupados com imagens de filmes, diretores e atores, por outro pudemos brincar bastante com soluções gráficas que faziam menção ao assunto cinema, como na introdução estilo Star Wars e o colofão que imita o final de uma tela de créditos subindo.

Durante todo o processo de edição de conteúdo, os autores e a editora participam, trocando figurinhas conosco.


Esse é o oitavo almanaque que você faz para a editora Ediouro, correto? Todos eles, quando vistos em conjunto, parecem ter uma linguagem em comum, ainda assim cada um é bastante diferente um do outro, em termos visuais. Como você chegou nessa linguagem, que elementos que a compõe, na sua opinião?

Essa é a ideia. A identidade da série é composta pelo formato físico, tipo de papel, solução de encarte das páginas coloridas no miolo (criando aquelas "ilhas visuais"). A capa vende a ideia do livro ter muito conteúdo, muita informação. Tem sempre uma imagem principal, o bloco de título e aquela tarja de retratinhos atravessando para a quarta capa, além de um verniz bem pop. Dentro disso, variamos a disposição dos elementos, para que cada livro tenha personalidade própria, mas ainda assim pertença a coleção.

Fizemos oito almanaques até então: Anos 80, Anos 70, Quadrinhos, TV, Anos 90, Seriados, Rock, e agora, Cinema. O projeto gráfico da série ficou bem conhecido, ganhou o Galo de Prata na Mostra de Design e Artes Gráficas Latino-Americana de 2006, em Buenos Aires; foi exposto na última Bienal Brasileira de Design – aqui e na edição que aconteceu recentemente na China; participou de uma mostra sobre artes visuais brasileiras na Holanda e saiu no livro Latin American Graphic Design, da Taschen.


Houve alguma particularidade (uma dificuldade específica superada, um toque pessoal, um detalhe específico, etc) do processo criativo do Almanaque do Cinema Omelete que queiracomentar?
Teve a ideia da quarta capa com os ovinhos/personagens desenhados, sentados como uma platéia de cinema. Foi tudo decidido meio em cima da hora, o livro já estava fechando para gráfica.Tivemos a ideia, falei com a editora, a Fernanda Cardoso e chamei o Daniel Lafayette para fazer os desenhos, pois eu não teria tempo. Ficaram ótimos! O Filico fez a foto no dia seguinte da entrega das artes do Lafa, e no mesmo dia a imagem estava tratada e fechando o livro. Foi uma correria, mas valeu a pena. A quarta capa fez o maior sucesso! Postamos como teaser no twitpic (http://twitpic.com/hbjzy) e mais de mil pessoas foram comentar e tentar adivinhar quem eram os ovinhos, super legal.



terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Coleção Sherlock Holmes

Design de Coralie Bickford-Smith


Aproveitando o momento, em que temos uma releitura bem radical de Sherlock Holmes estreando nos cinemas, oportuno falar de outra releitura radical do personagem de Arthur Conan Doyle. O relançamento dos livros pela Penquin inglesa, com design de Coralie Bickford-Smith e ilustrações de Mike Topping.

Logo de cara, se notam as duas principais características do trabalho de Bickford Smith: o impacto do uso de poucas cores (aqui, cada capa usa apenas dois pantones e preto), e o visual retrô. Essas capas tem o mérito de resgatar não só o aspecto pulp e popular das histórias de Holmes, mas também fugirem do clichê, da clássica figura do detetive com cachimbo e boina,

O mais bacana, na minha opinião, é o clima de cartaz de filme de suspense e terror, uma coisa meio exploitation vintage (quase posso ver Christopher Lee em uma das capas), que resgata os temas chamativos de assassinatos, crimes espetaculares e o flerte com o sobrenatural das histórias.

E as lombadas dos livros, colocadas lado a lado, com atenção ao detalhe do uso de ícones diferenciando cada livro.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Oportunidade e oportunismo

O jornal Zero Hora publicou, nessa quarta-feira, uma matéria muito pertinente ao momento - final de ano, presentes - sobre as "coincidências" de capas de livros semelhantes, parodiadas ou mesmo plagiadas. A matéria, do jornalista Gustavo Brigatti, chama atenção para duas leis: primeiro, a Lei 9.610, que pune quem copiar uma capa que tenha caráter artístico, tendo sido produzida especialmente para aquela publicação, e que também prevê punição para quem copiar um título, caso esse torne a obra inconfundível e original. A matéria chama atenção também para o Artigo 195 da Lei 9.279/96 (a chamada Lei de Patentes),lembrando que “comete crime de concorrência desleal quem usa expressão ou sinal de propaganda alheios, ou os imita, de modo a criar confusão entre os produtos ou estabelecimentos”.

A matéria (disponível em várias partes aqui, aqui e aqui) traz alguns estudos de caso interessante.

O primeiro, é o caso dos livros O Símbolo Perdido (The Lost Simbol), de Dan Brown, e O Símbolo Secreto (La Escala Masónica) do espanhol Patrick Erickson. A mudança do nome do livro espanhol, publicado no Brasil pela Geração Editorial, foi feita para se confundir com o do best-seller de Brown. A justificativa do editor é, no mínimo, equivocada: "Como fizeram no Brasil uma capa para O Símbolo Perdido igual à do Erickson no exterior, demos o troco e mudamos o título do nosso.

O que é curioso, se analisarmos as capas originais dos dois livros:

e compararmos com a das edições brasileiras:

A capa de O Símbolo Perdido (como acontece com a maioria dos blockbusters literários) é a mesma da edição original. A afirmação do diretor da Geração Editorial não procede: não só a capa brasileira de La Escala Masónica mudou (pra pior), como, ironicamente, a capa original do livro espanhol era a melhor das quatro (convenhamos que aquele capitólio sobre fundo vermelho no livro de Brown parece coisa saída de uma capa anos oitenta de Harold Robbins).

A matéria traz outros dois "estudos de caso" bem interessantes. O primeiro, é o relançamento de O Morro dos ventos uivantes com um design de capa que remete diretamente, pra não dizer que se confunde, com o dos livros de Stephanie Meyer. O livro tem relação com a série Crepúsculo (ao que parece, é o livro favorito de Bella e Edward, fato apontado já na capa por uma etiqueta). Como aponta a matéria, o livro não concorre diretamente com a série original e se oferece como um complemento de leitura. Não é uma idéia nova, na realidade. Tática semelhante teve a editora americana Harper Collins, ao relançar Romeu e Julieta, de Shakespeare, Orgulho e Preconceito, de Jane Austen, e o próprio Morro dos Ventos Uivantes, em capas "crepusculizadas".


A matéria chama a atenção também para outros casos, como as semelhanças da capa do livro Lula do Brasil (também da Geração Editorial) com a de Lula, o filho do Brasil (que deu origem ao filme), e do livro O Mistério 2012 (Geração Editorial, claro) com do filme 2012. Os casos de capas de livros menos conhecidos "inspiradas" nas de livros mais famosos parece geralmente se dar com obras relacionadas, ainda que indiretamente, como no caso de 2012, à filmes.
Mas o melhor da matéria ficou para o final, ao traçar um sutil paralelo entre essa hábito da Geração Editorial com a prática meio parasitária da infame produtora de filmes The Asylum - o que me pareceu uma bela alfinetada.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Penguin Classics Deluxe Editions

Direção de arte de Paul Buckley e Helen Yentus

Criação do braço estadunidense da Penguin Books, a coleção Penguin Classics Deluxe Edition, também chamado Graphic Classics, traz uma seleção de clássicos da literatura com capas assinadas por quadrinistas renomados. Em 2008, a coleção foi declarada, junto com o Estádio Nacional de Pequim (o chamado "Ninho de Pássaro") os dois designs internacionais mais inovadores e progressivos do ano, pelo Design Museum de Londres.

Tendo o espaço da capa, contracapa, lombada e orelhas do livro para desenvolver, cada artista pode criar uma sequência de ilustrações que desse o tom da atmosfera do livro, fazendo com que o resultado final desse um ar bastante original pra cada capa. Note-se, por exemplo, como a capa da Trilogia de Nova York, de Paul Auster (no Brasil, a Companhia das Letras utilizou essa mesma capa da Penguin na reedição do livro) evoca as capas das revistas pulps de mistério, com o qual as três histórias de detetive dialogam, ou como a capa de Daniel Clowes para Frankenstein remete às revistas de terror da EC Comics.

Algumas das capas (como a de Moby Dick, que pra mim é a melhor de todas) são vendidas no site da Penguin americana como posters. Selecionei abaixo algumas das que achei mais bacanas (clique para ampliar). O conjunto todo pode ser visto aqui.

Moby Dick, ou A Baleia, de Melville, por Tony Millionaire

Aventuras de Huck Finn, de Mark Twain. Capa de Lilli Carre, com design de Paul Buckley

Rashomon, de Ryunosuke Akutagawa. Capa de Yoshihiro Tatsumi, com design e direção de arte de Helen Yentus.

O arco-íris da gravidade, de Thomas Pynchon. Capa de Frank Miller, com design de Paul Buckley.

A trilogia de Nova York, de Paul Auster. Capa de Art Spiegelman

Frankenstein, de Mary Shelley. Capa de Daniel Clowes.

Candido, ou O Otimismo, de Voltaire. Capa de Chris Ware, com direção de arte de Helen Yentus.

A selva, de Upton Sinclair (que é autor também de Oil!, que virou o filme Sangue Negro). Capa de Charles Burns.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Mario Vargas Llosa

Design de Phillip Pascuzzo
www.pepcostudio.com

Nada de novo - essas edições dos livros de Mario Vargas Llosa pela Picador são de 2007. Mas elas me pegam de jeito toda vez que olho pra elas. O site Faceout Books (de onde tirei essas imagens) tem uma minientrevista com o designer sobre essas capas, mais especificamente sobre a de Morte nos Andes, falando sobre a idéia de usar as folhas de cacau como elemento-chave na capa. O que dá o toque extra nessas capas, acima de tudo, é o trabalho tipográfico.











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