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quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Linha do Tempo do Design Gráfico no Brasil

Com lançamento anunciado para o dia 2 de fevereiro, a Cosac Naify lança Linha do Tempo do Design Brasileiro, concebido como complemento brasileiro ao livro História do Design Gráfico. Segundo o blog da editora, "a diretora de arte da Cosac Naify, Elaine Ramos, e o designer Chico Homem de Melo mergulharam fundo na busca pelas imagens mais representativas do nosso design. Um trabalho pioneiro, fundamental não apenas para estudiosos, mas para todos os que se interessam por nossa história, aqui contada em diversas capas de livros, revistas, jornais, discos, pôsteres, selos e outros suportes. Com 745 páginas, o livro, que vem com quatro opções de capas, será lançado em fevereiro".






A capa, me informam da editora, é dobrável, de tal forma que você pode fazer dobraduras e chegar às quatro versões.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

História do Cabelo

Design de Gabriela Castro

História do Cabelo é a segunda parte de uma trilogia de Alan Pauls sobre os anos 70 na Argentina, iniciada com História do Pranto.



O livro segue um projeto gráfico semelhante ao de História do Pranto, com guardas com imagens da época.




Abaixo, a capa do História do Pranto (design de Luciana Fachinni), lançado em 2008.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Capas de terça


- O violinista e outras histórias, de Herman Melville (Arte e Letra), capa por Rafael Silveira.


- Alvo noturno, de Ricardo Píglia (Companhia das Letras), capa por Flávia Castanheira


- A Máquina de Fazer Espanhóis, de Valter Hugo Mãe (Cosac Naify), capa por Paulo André Chagas, sobre ilustração de Lourenço Mutarelli.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Museu do Romance da Eterna

Design e projeto gráfico de Elaine Ramos


Museu do Romance da Eterna
Autor: Macedonio Fernández
Designer: Elaine Ramos
Editora: Cosac Naify
Fontes: Akkurat e Proforma

Museu do Romance da Eterna foi escrito e reescrito ao longo de 48 anos por seu autor, Macedonio Fernández, e publicado somente após sua morte. O livro é dividido em duas partes: uma série de prólogos e dedicatórias para um romance que nunca chega, e o romance em si, formando um mosaico de fragmentos metalinguísticos. O charmoso projeto gráfico de Elaine Ramos ressalta esse aspecto de "obra inacabada": o livro é pequeno, impresso em capa dura, com um papel rústico que desbota com o tempo e não tem a lombada refilada, dando um aspecto irregular de pilha de papéis. As brincadeiras metalínguisticas começam já na capa, onde o autor descorre sobre os leitores de capa:

"Ccomo a circulação de capas e títulos se deve às vitrines, bancas de jornais e anúncios, o Leitor de Capa, Leitor de Porta, Leitor Mínimo, ou Leitor Não Conseguido, tropeçará finalmente aqui com o autor que o levou em consideração, com o autor da capa-livro, dos Títulos Obras.
E considero que O leitor alcançado deve ser o título do Título que estamos apresentando de nosso romance, pois um primeiro fato já aconteceu em sua capa, onde o Leitor Mínimo é completamente alcançado pela única coisa que mesquinhamente os livreiros leram: a capa, a única coisa que é editada na maioria dos livros.
Calcula-se cem leitores de capa para um de livro; títulos-texto e capas-livros não erram leitor: são a única esperança de um grande raio de ação da brilhante Literatura, na maioria das vezes a guardada e secreta Literatura (...)".


Abaixo, uma rápida entrevista com Elaine Ramos, diretora de arte da Cosac Naify, sobre o projeto gráfico e capa desse livro.

Como você se tornou designer de livros?
Desde a FAU fui me encaminhando para o design mais do que para a arquitetura, logo que me formei vim trabalhar na Cosac Naify com o Fabio Miguez, para adaptar a Coleção Espaços da Arte Brasileira, que inicialmente era focada em artes plásticas, para arquitetura. Acabei ficando até hoje e acompanhando o processo de crescimento e profissionalização da editora.

O que você acredita que faz de uma capa de livro uma boa capa de livro?
Coerência com o texto e comunicação com o leitor. Estes são os ingredientes objetivos, mas tem também que ter uma inteligência visual, e não ser literal ou previsível (e isso não tem receita).


Como foi o processo criativo pra capa do livro? Como o o design do livro se relaciona com o conteúdo, por exemplo, o uso de boxes na divisão entre textos internos? Havia limitações impostas pelo briefing?
Quando li o livro, e em todas as discussões internas que tivemos sobre ele, as frases de Macedônio ficavam reverberando, são muito saborosas. Achei que elas seriam uma boa porta de entrada para o livro. Além disso o texto é muito metalinguístico e o fato de ele discorrer sobre as capas-livros, que são "a única esperança de um grande raio de ação da brilhante Literatura” era incontornável. Encher o livro de texto, sem deixar brancos, foi uma tradução gráfica da obsessão do texto e do autor. As molduras reforçam o caráter de acúmulo e compilação, uma estrutura que foge do livro tradicional.


Como foi o processo de produção gráfica desse livro, e o que determinou as escolhas (por exemplo, do papel da capa, de ser em capa dura).
Escolhi este papel porque achei que ele tinha um ar moderno (talvez pela cor intensa) e antigo ao mesmo tempo (talvez por ser rústico), mas sobretudo porque ele desbota e envelhece rápido. Quando as capas estiverem marcadas pelo uso e pelo tempo elas terão uma relação ainda mais interessante com o conteúdo do livro: uma obra feita ao longo de 48 anos e inacabada.
Este papel é muito frágil, não seria possível usá-lo numa brochura.
A irregularidade do corte foi o maior desafio do ponto de vista da produção gráfica, tivemos que resolver isso sem optar por um processo manual, que seria caríssimo. Os cadernos são de 12 páginas e a dobra foi projetada de maneira que, mesmo sem passar pelo refile trilateral, não ficassem páginas fechadas.

O que determinou a escolha das fontes?
São fontes funcionais, com um desenho contemporâneo, mas sem grandes idiossincrasias, o texto já tem o bastante desse ingrediente.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Cinco capas para a quinta-feira

Uma seleção aleatória de capas bacanas para uma quinta-feira chuvosa (em Porto Alegre, ao menos).


Cinefilia, de Antoine de Baecque, Cosac Naify (capa de Gabriela Castro)


Agente ZigZag, de Ben McIntyre, Record (capa por Elmo Rosa)


A descoberta da França
, de Graham Robb (capa por Gabinete de Artes)


O rei da vodka, de Linda Himelstein, ed. Zahar (capa de Rafael Nobre)


Submarino, de Joe Dunthorne, Galera Record (capa de Igor Campos)

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Post para ler no meio da tarde

Nunca tive a oportunidade de fazer uma capa de livro de receitas, mas imagino que tudo gire em torno de fazer o leitor comprar com os olhos. Nesse caso, a coisa mais importante acaba sendo como usar as fotos. Aqui vão quatro exemplos bem interessantes: um que não usa foto nenhuma, um que usa varias, um onde a foto é apenas uma textura, e outro onde a capa do livro se resume à foto.

Mil-Folhas: história ilustrada do doce, de Lucrécia Zappi (Cosac Naify). A capa repleta de ilustrações retrô com ares de almanaque me parece passar bem essa intenção do livro, de apelo muito mais histórico do que propriamente gastronômico - o que, por sua vez, desperta o apetite do leitor interessado tanto ou mais do que se tivesse sido usada uma foto de doce.


Petit Larousse do Chocolate, ed. Larousse do Brasil. A escolha das fonte da etiqueta, o detalhe do box da lombada vazando para a frente da capa como se fosse uma encadernação antiga dão o tom de "livro tradicional" que o peso da marca Larousse pede. Bem melhor, por exemplo, do que a Larousse das Sobremesas, que usa o famigerado degradé por trás da foto, mata a capa.


O mundo dos cupcakes, de Carola Crema (DBA Editores). O sabor da capa está no ultracolorido na combinação da foto de fundo e do lettering - e a foto dos doces nem chega a ser tão importante assim, até porquê estão desfocados. A simpatia e o colorido do lettering se encarregam de abrir o apetite.


O livro do brigadeiro, de Juliana Motter (Panda Books). Não gosto da escolha meio desconjuntada de fontes - três diferentes, sem que haja um motivo aparente pra tanto. Mas, nesse caso, é a foto que diz tudo.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Menos é mais

Tendo uma boa imagem, sair do caminho e deixar que ela fale sozinha é uma opção estética bacana. O trabalho acaba sendo mais sutil - escolha da fonte e posicionamento do lettering, o tipo de trabalho que passa despercebido e não é valorizado (e não faltariam exemplos, principalmente em livros de arte, de trabalhos onde o capista não soube aproveitar a imagem que tinha em mãos e atrapalhou tudo simplesmente por querer colocar elementos onde seria melhor não fazer nada).

Abaixo, três capas que me agradam muito pela decisão feliz na escolha da imagem, e na decisão de não atrapalhá-la.

O outono da Idade Média, de Johan Huizinga (Cosac Naify). Projeto gráfico de Gustavo Marchetti,



Hitler, de Ian Kershaw (Companhia das Letras). Capa de Kiko Farkas e Mateus Valadares / Máquina Estúdio (aqui o tratamento não é tão mínimo assim, pois temos o detalhe da foto quebrada, que acrescenta uma dose extra de impacto na imagem, mas de um modo que não parece um efeito sobreposto à ela, mas que faz parte dela. E a foto em si - Hitler ao lado do cão Wolf - já é um bocado sinistra e impactante).
[atualizando] Daniel Justi diz, nos comentários, que não se trata de um tratamento sobre a foto: quebrá-la era a forma como Hitler reprovava suas fotos pessoais. O que, concordo, deixa ainda mais interessante que sua biografia tenha justamente essa foto na capa.
[atualizando(2)] Tivesse sido eu mais atento, teria visto antes esse ótimo post no blog da Companhia das Letras, explicando o processo de criação da capa, os detalhes da foto quebrada, e incluindo uma opção não utilizada da capa, mais gráfica.



O grande jogo de Billy Phelan, de William Kenndy
Esse é livro é ainda mais bonito ao vivo, não apenas por ser em capa-dura, mas também pelo efeito do relevo em zigue-zague. (Não encontrei a referência do nome do capista, assim que souber, atualizo aqui).



Irmãos, de Yu Hua, capa de Mayumi Okuyama. É ainda mais bonita no livro físico, onde o título é impresso com uma tinta levemente fosforescente.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Outras três capas para terça-feira

Algumas novidades que devem surgir em livrarias em breve, pinçadas aqui e ali em sites de editoras e estúdios de design.

Pra começar, a capa de A Guimba, novo livro de Wil Self, criado pelo estúdio Retina_78 para a editora Objetiva/Alfaguara.


Depois, a capa de A Janela de Esquina do Meu Primo, de E.T.A. Hoffmann, em edição - como sempre - luxuosa da Cosac Naify. Com a particularidade de ter uma ilustração de Daniel Bueno criada através de colagens, da paisagem que o protagonista vê através da janela do título - ilustração que, por sua vez, é separada em diversos pedaços e distribuída ao longo do livro, e pode ser vista por inteiro no site da editora. O design da capa é de Maria Carolina Sampaio e Paulo André Chagas (clique para ampliar).


Por último, a capa do novo livro de João Paulo Cuenca, divulgada no twitter do próprio autor, O único final feliz para uma história de amor é um acidente, pela Companhia das Letras - nome do autor do design da capa está por vir (clique na imagem para ampliar).

terça-feira, 23 de março de 2010

Muita Alice nessa hora

Com o hype criado em torno da adaptação (ou melhor, continuação) das aventuras de Alice dirigida por Tim Burton, editoras nacionais correm para colocar cada uma a sua versão da obra de Lewis Carrol nas prateleiras. O lado bom disso tudo: como o livro já é de domínio público, cada editora lança a sua tradução, fazendo a alegria de bibliófilos (a Livraria Cultura aqui de Porto Alegre, por exemplo, montou uma grande estante na sua entrada, reunindo todos os livros possíveis relacionados a Alice).

Em relação ao tratamento gráfico, parece haver duas abordagens nas edições de Alice no País das Maravilhas e de Através do Espelho e o que Alice encontrou por lá: as claramente voltadas para o público infantil, e as que visam um leitor adulto.


Edição da Zahar
A Zahar já havia lançado há alguns anos atrás a edição comentada de País das Maravilhas e Através do Espelho, completa com ilustrações originais de John Tenniel. Mês passado chegou às prateleiras uma versão mais compacta, ainda com os textos integrais ds ambos os livros, mas sem as notas explicativas e com menos ilustrações (mas ainda são as ilustrações originais de Tenniel). A tradução de Maria Luiza Borges ganhou o prêmio Jabuti em 2002. A edição é encadernada em capa dura, impressa em papel pólen (e, devo dizer, que é extremamente agradável de folhear). Mais convidativo ainda é o preço – R$ 19,90.


Edição da Cosac Naify
Quando lançada, a edição da Cosac Naify teve um hype quase tão grande quanto o do filme, a ponto de haver duas edições, uma normal, e outra “de colecionador”, que vem dentro de uma embalagem em forma de caixa. O projeto gráfico de Luciana Facchini (entrevistei ela aqui, sobre a capa do Moby Dick) associa o livro, nos cantos arredondados e nas texturas das páginas entre os capítulos, à um baralho. As ilustrações são fotografias de Luis Zerbini feitas com recortes e fotografadas com iluminação teatral. A tradução é de Nicolau Sevcenko e se limita apenas ao primeiro livro, Alice no País das Maravilhas. O livro é impresso em papel couchê.
Tenho que dizer que, nadando contra a maré, não sou grande fã dessa edição. O projeto gráfico sem dúvida é uma boa sacada, especialmente a embalagem-caixa-de-baralho. Mas o realismo e a sensação táctil de uma fotografia parecem muito mais limitar do que expandir o texto a que se refere, ao contrário de uma ilustração feita à mão (o realismo dessas fotos e suas sacadas visuais não parece deixar espaço para a imaginação do leitor), e talvez pelo fato do livro ser em papel couchê, parecem muito mais adequadas à um editorial sobre Alice, do que a complementar o texto do livro. E, embora repletas de soluções inteligentes, convenhamos, não são muito empolgantes em relação à história (e sim, entendo que aqui se entra numa questão extremamente subjetiva e de gosto pessoal). O livro custa R$ 45,00, e a edição de colecionador está esgotada.



Edição da Salamandra
Dividida em dois volumes (País das Maravilhas e Através do Espelho), que vem dentro de uma caixa (que, apesar de bonita, deixam o conjunto desnecessariamente pesado), a edição da Salamandra tem ilustrações da premiada ilustradora inglesa Helen Oxbury que modernizam o visual da história, saindo o ar vitoriano e dando espaço a um visual mais contemporâneo - algumas ilustrações do livro podem ser vistas no hotsite da editora. São um exemplo do que disse em relação à minha implicância com as ilustrações da edição da Cosac Naify: o desenho à mão convida à exploração. Fosse eu uma menininha de dez anos, essa edição seria perfeita para mim. A tradução de Marcos Maffei. Das versões disponíveis, é a mais cara – R$ 87,90.


Edição da Objetiva
O grande chamariz dessa edição é a tradução do cineasta Jorge Furtado, que torna o livro mais acessível ao público infanto-juvenil. Compreende apenas o primeiro livro (País das Maravilhas) e num primeiro momento, a capa me remete as edições da Globo dos livros infantis de Érico Veríssimo (deve ser pelo uso de cor pastel chapada como fundo). Ainda não vi essa edição nas prateleiras, e não encontrei referências às ilustrações. Atualizado: vi o livro nas prateleiras. As ilustrações são de Mariana Newlands, e atualizam a história para o mundo contemporâneo. É uma edição bonita e bem simpática, com um formato quadrado maior que a da Zahar e menor que a da Cosac Naify. O livro custa R$ 33,90.

* * *

Por questões de bolso e porque achei a edição bem simpática no formato e no preço, acabei optando pela edição da Zahar. Curiosidade à parte, das edições listadas é a única a ter uma faixa promocional envolvendo o livro, com o logo oficial do filme e a marca Disney, o que, imagino, deve funcionar como bom chamariz de vendas em relação às demais edições. Outras edições que não cheguei a colocar aqui são as da L&PM, que tem os dois livros em edições separadas com capas funcionais que utilizam versões coloridas das ilustrações de Tenniel.

Há mais uma infinidade de edições por editoras menores que não vale a pena citar, mas para a eventual galeria dos horrores, dê uma olhada nas capas da Martin Claret para País das Maravilhas e para Através do Espelho (em versão Chiquititas).

quarta-feira, 17 de março de 2010

Quatro capas para quarta-feira

Passando o Carnaval, volta-se a lançar livros interessantes. Algumas novidades foram anunciadas recentemente. Abaixo, algumas capas novas que devem estar nas livrarias em breve.

2666, de Roberto Bolaño, pela Companhia das Letras. Capa por Raul Loureiro, suponho, que fez a de todos os outros livros do autor pela editora.



O Khadji-Murát, de Tolstói, pela Cosac Naify. Não encontrei o crédito do capista, atualizo assim que descobrir.




A arte e a maneira de abordar seu chefe para pedir um aumento
, de Georges Perec (Companhia das Letras), por Elisa V. Randow.



A arte moderna na Europa de Hogarth a Picasso, de Giulio Carlo Argan (Companhia das Letras). Capa por Marcello Serpa

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Moby Dick

Design de Luciana Facchini


Moby Dick
Autor: Herman Melville
Designer: Luciana Facchini
Editora: Cosac & Naify
Ilustração: detalhe de gravura de Barry Moser
Fonte: Gotham
Acabamento: capa dura em serigrafia, com verniz UV sobre traço da ilustração

Ganhadora do Jabuti deste ano na categoria melhor capa, a nova edição de Moby Dick, lançada ano passado pela Cosac & Naify, buscou afastar a leitura frequente da obra como literatura infanto-juvenil e dar-lhe, visualmente, todo o peso colossal que o livro tem para a literatura de língua inglesa. A edição, que além do texto integral traz também um mapa de viagens do Pequos, ilutrações técnicas do navio e dos botes baleeiros, uma extensa fortuna crítica e bibliográfica, e detalhes de ilustrações originais de 1874 (como pode ser visto na imagem abaixo, da folha de rosto do livro). Um detalhe interessante na diagramação do miolo do livro é a opção de alinhamento da mancha, que faz o texto "flutuar" e ajustar-se à pagina como àgua - elemento-chave no design do livro como um todo, conforme a própria Luciana explica na entrevista que segue:

Como você se tornou uma designer de capas de livros?
Sempre gostei muito de ler e também de desenhar, desde criança foram dois grandes prazeres.
Quando tive que decidir a profissão, escolhi arquitetura na USP por conter em seu currículo uma formação ampla nas áreas visuais (arquitetura, paisagismo, programação visual, desenho industrial, planejamento urbano, etc.), naquela época não havia faculdade de Design como hoje em dia. A FAU também fornece uma boa base em projeto.


O que você acredita que faz de uma capa de livro uma boa capa de livro?
Acredito que uma boa interpretação do conteúdo do livro, mas não só, muitos fatores podem gerar boas capas.

Como foi o processo criativo para esta capa? Houve um direcionamento específico que levou ao resultado final? Havia alguma limitação, dificuldade ou desafio específico colocado no briefing? Como fez para superá-lo?
O Moby Dick foi muito discutido em reuniões de conceitualização do projeto.
Na editora Cosac Naify sempre pensamos o livro inteiro, isto é, o formato que melhor traduz o conteúdo, o papel, a fonte, a mancha de texto, se vamos ilustrá-lo ou não, etc. A idéia de não explorar a imagem da baleia veio nas primeiras reuniões. Existem muitas edições de Moby Dick nas quais a imagem da baleia foi exaustivamente explorada. Além disso, como é um volume com o texto integral [em muitas edições o texto é cortado, contendo apenas o percurso do baleeiro Pequod durante a vingança do Capitão Ahab], não queríamos ilustrá-lo para não parecer juvenil.
O projeto gráfico do miolo, sugere o movimento das marés: a cada capítulo a mancha foi fixada na margem inferior e, por isso, a margem das aberturas (sempre em dupla) de cada capítulo variam, dando movimento ao livro (abaixo, imagem do miolo).

Na capa eu usei fragmento de uma gravura do Barry Moser (imagem abaixo), um consagrado e notável ilustrador de Moby Dick. Dentro dessa dramática onda, inseri o título, que foi composto em uma fonte bastante arredondada e corpulenta (fonte Gotham), que faz o papel de baleia. O título sendo “engolido” pela onda é uma alusão ao desfecho da história.


Houve alguma etapa de preparação antes de começar a criar?
Sim, muitas discussões e pesquisas, por parte de todos que estavam envolvidos: editor, diretor geral, produção gráfica, produtor de imagem, equipe de design.

Qual a fonte utilizada, o que a levou a escolher essa fonte?
A fonte utilizada foi a Gotham, de Tobias Frere-Jones, por ser bastante arredondada e corpulenta, muito bem desenhada e com ótima leitura.

O que você acredita que faz essa capa funcionar, que faz ser o que é?
A imagem do mar cobrindo/engolindo o título. É o que lhe dá dramaticidade.
Luciana Facchini é designer gráfica, formada pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), em 2000. Trabalha na editora Cosac Naify desde 2004. Na editora desenhou livros como Moby Dick, de Herman Melville, Experiência neoconcreta, de Ferreira Gullar, Geraldo de Barros: sobras mais fotoformas, A fera na selva de Henry James, Lampião e Lancelote, de Fernando Vilela, http://editora.cosacnaify.com.br/ObraSinopse/11029/Bili-com-lim%C3%A3o-verde-na-m%C3%A3o.aspx, de Décio Pignatari, Conto para crianças impossíveis, de Jacques Prevêrt, além de coleções como Mulheres Modernistas e coleção Paulo Emílio. Desde 2007 coordena a parte de criação gráfica da área infanto-juvenil. Teve trabalhos expostos na 7a, 8a e 9a Bienais de Design Gráfico da Associação de Designers Gráficos do Brasil. Ganhou prêmios pelos livros Lampião e Lancelote (3º lugar em capa - 49º Prêmio Jabuti, 2007) e Fera na selva (2º lugar em projeto gráfico – 50º Prêmio Jabuti, 2008) e em 2009, primeiro lugar em projeto de capa pelo livro Moby Dick (51º Prêmio Jabuti, 2009). Em 2008, o livro Experiência Neoconcreta foi selecionado pelo American Institute of Graphic Arts para a exposição 50 Books/50 Covers of 2007, em Nova York. Ganhou o Prêmio TIM (2008) pelo projeto gráfico do CD “Toda vez que eu dou um passo o mundo sai do lugar” do artista Siba.

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